Qual o futuro da arquitetura de Curitiba?

Arquitetos de duas gerações analisam o espaço e as construções urbanas e propõem movimentos e ações para o futuro

A arquitetura de Curitiba nos próximos anos precisa encontrar o equilíbrio entre o que se propõe de novo e a tradição. Antônio More/Gazeta do Povo

por Daliane Nogueira

27/12/2016

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A paisagem da cidade é viva, muda, evolui, não para. Boa parte desse movimento se deve à arquitetura. O que se constrói, o que se preserva e como se usa a cidade passa pelo olhar dos arquitetos e urbanistas.

Neste fim de ano convidamos duas gerações de profissionais para analisar e prospectar que movimentos e iniciativas a cidade pede: Adolfo Sakaguti, 62 anos, 40 deles trabalhando com arquitetura na capital paranaense; e Fernando Caldeira de Lacerda, 32 anos, sócio do escritório Arquea, que atua há nove anos em Curitiba e foi premiado em 2016 em uma das categorias do Prêmio Arquiteto e Urbanista do Ano promovido pela Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA).

Arquitetura pública 

Às voltas com a mudança na administração municipal, o setor aguarda o início da gestão de Rafael Greca para compreender de que forma o prefeito eleito irá tratar as questões arquitetônicas. “Nenhuma gestão começa do zero, espero que haja um movimento pró-ativo para uma gestão compartilhada com a sociedade. É preciso discutir, por exemplo, o novo Plano Diretor, pensando a cidade como um ente que evolui. Que não se fique no discurso cômodo da herança da gestão anterior”, aponta Sakaguti.

Outro ponto a ser observado, na avaliação de Lacerda é a necessidade de uma atualização do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC). “Há muitos profissionais renomados lá dentro, mas há inúmeros projetos que não saem do papel. Acredito que se abrir para projetos de fora seria um caminho interessante. Isso pode ser feito por meio de concursos locais, fortalecendo a arquitetura pública da cidade que hoje se tornou fraca”, critica.

Travessa da Lapa: quase sem pedestres, área é erma. Região central pede investimentos para ser mais acolhedora. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Travessa da Lapa: quase sem pedestres, área é erma. Região central pede investimentos para ser mais acolhedora. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Preservação

Esse intercâmbio de ideias invariavelmente levará ao fortalecimento da arquitetura. “Cidade bonita não é aquela cheia de detalhes, mas com conceito”, sentencia Sakaguti, crítico das propostas de edifícios que exploram, por exemplo, a estética neoclássica. “A obrigação de um profissional de arquitetura é contribuir para cidade com projetos coerentes com uma proposta de vida atual e mais, que tenha ferramentas efetivas de sustentabilidade”, opina.

Quanto aos prédios antigos, Lacerda observa um nível de preservação aceitável. Entretanto ele aponta a falta cuidados com alguns exemplares, como os modernistas. Por outro lado Sakaguti vê a legislação jogando contra o proprietário. “É preciso preservar, mas não são raros os casos em que não há consistência arquitetônica no imóvel tombado ou declarado UIP (Unidade de Interesse de Preservação)”, critica.

Ocupação urbana

Crescimento urbano e desenvolvimento cultural leva curitibano a ocupar os espaços públicos, como na Praça da Espanha.

Crescimento urbano e desenvolvimento cultural leva curitibano a ocupar os espaços públicos, como na Praça da Espanha. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Esta cidade que busca o equilíbrio entre a conservação e a novidade, ganha contornos mais cosmopolitas com iniciativas pontuais que levam os moradores ao contato com a rua. “Curitiba não é mais um ovo, como costumávamos falar. Esse movimento de crescimento, leva a um amadurecimento cultural. As pessoas querem ocupar os espaços. Exemplos como a Praça da Espanha, Vicente Machado e São Francisco mostram isso. Mas há mais a fazer. Uma área como a da Travessa da Lapa, região central, poderia receber incentivos para ser agregadora para a cidade. Hoje ela é erma, sem vida”, discorre Lacerda.

Outro ponto a lamentar é a pouca atenção às praças públicas que, na opinião dele, pararam no tempo. “Seriam necessários projetos de revitalização que envolvessem as pessoas para que elas se sintam parte da cidade, de fato”, conclui Lacerda.

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