Reforma pode transformar QG de Hitler em disneylândia sinistra

Complexo Toca do Lobo, que foi casa do líder alemão até 1944, terá hotel, restaurante e encenações de pessoas com uniformes nazistas

Ruínas do bunker em que Hitler ficou até 1944, antes de se isolar em outro em Berlim, conhecido como Boca do Lobo, em Gierloz, na Polônia. Foto: Bigstock

por Gazeta do Povo

08/08/2019

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A Toca do Lobo — Wolfsschanze, em alemão –, que foi o quartel general de Adolf Hitler de 1941 a 1944, até o líder alemão se retirar para um bunker em Berlim, na Alemanha, vai passar por reformas. A informação foi confirmada pelo órgão polonês Srokowo Forest District, que administra o local na cidade de Gierloz. Mas o restauro e possíveis reconstituições amadores de pessoas usando uniformes nazistas podem tornar o local uma Disneylândia sinistra.

Foto: Bigstock

O local é remoto, escondido por uma floresta densa e protegido por lagos e pântanos. Mesmo assim atrai 300 mil pessoas por ano, a maioria alemães e poloneses. O ingresso custa 15 zloty, cerca de R$ 15.

O porta-voz da instituição, Sebastian Trapik, disse à BBC News que os funcionários estão “fazendo todos os esforços” para manter “a devida seriedade e respeito pela verdade histórica” ​​no complexo em ruínas.

Foto: Bigstock

As ruínas do QG de Hitler ocupam 250 hectares e, na época, chegou a ter 200 instalações, incluindo duas pistas de pouso e uma estação de trem, protegias por campos minados e armas antiaéreas.

Foi lá também que oficiais tentaram assassinar o líder nazista por meio de uma bomba em 20 de julho de 1944. Hitler sobreviveu e teve apenas ferimentos leves, principalmente graças a uma enorme mesa de conferência feita de carvalho.

A bomba matou quatro pessoas, três delas oficiais, e feriu mais de 20. Os conspiradores do exército alemão, liderados pelo coronel Claus Schenk Graf von Stauffenberg, foram rapidamente presos e executados.

Filme “Operação Valquíria”, estrelado por Tom Cruise como Stauffenberg, conta a história da tentativa de assassinato de Hitler. Foto: Divulgação

Foto: Museu da História Militar da Alemanha/Divulgação

Já existem novos painéis informativos, uma nova área de estacionamento e um prédio de recepção. Para o futuro, há ainda planos de construir um hotel e um restaurante. Hoje, existe um aplicativo gratuito que orienta os visitantes pelo lugar.

Um importante historiador polonês da guerra, Pawel Machcewicz, disse à BBC News que tal medida seria “insana e ultrajante”. “As cicatrizes deixadas pela guerra devem ser preservadas e apresentadas como uma lição, uma advertência”.

“Exposições devem explicar a história, contextualizar o lugar, mas não ofuscar completamente (a gravidade do que ocorreu).”

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