Adeus, 2018! 12 fatos que marcaram o ano na arquitetura, patrimônio e no design

Os fatos, projetos e conquistas que ficaram na memória do ano que passa e apontam o que esperar para 2019

Foto: Divulgação

por Sharon Abdalla

26/12/2018

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Um ano que valeu por muitos! Esta é a sensação que 2018 deixa para boa parte das pessoas, mesmo que por diferentes perspectivas e motivos. E, dentro deste cenário, não era de se duvidar que muitos seriam também os fatos memoráveis, as conquistas e as tristezas que ficarão na lembrança do ano em que o milênio completou sua maioridade.

HAUS listou 12 deles que se destacaram nos segmentos da arquitetura, patrimônio e design em Curitiba, no Brasil e no mundo. Confira!

O ano foi deles

Foto: Divulgação

É tarefa difícil encontrar quem tenha passado por 2018 sem ter ouvido falar sobre o escritório Aleph Zero, liderado pelos curitibanos Gustavo Utrabo e Pedro Duschenes. Eleitos os principais arquitetos emergentes do ano pelo Royal Institute of British Architects (RIBA), eles também levaram uma coleção de prêmios internacionais pelo projeto da escola construída na Fazenda Canuanã para a Fundação Bradesco, no interior do Tocantis, em parceria com o estúdio de design Rosenbaum. Entre eles, e apenas para citar alguns, estão o Building of the Year Awards 2018, do ArchDaily, o Prêmio de Arquitetura Tomie Ohtake AzkoNobel e o Riba International Prize 2018, que considerou o projeto como a melhor construção do mundo neste ano.

Marca consolidada

Em sua quarta edição, o Anuário Haus 2018 se consolidou definitivamente como a maior publicação do mercado de decoração, arquitetura e design não apenas do Paraná, mas de toda a região sul. Além da participação recorde de escritórios, que chegou a 62 e reuniu cerca de 90 profissionais, a edição apresentou uma inovação gráfica, trazendo quatro capas distintas com texturas de matérias-primas comuns ao setor: concreto armado, madeira, linho e resina. Vida longa a todos nós!

Passado presente

Foto: Mauro Pimentel/AFP

Há tempos os temas voltados ao patrimônio arquitetônico e cultural brasileiros não estavam tão presentes como em 2018. O incêndio do Museu Nacional, que apagou mais de 200 anos da história arquitetônica brasileira ao consumir boa parte do Paço de São Cristóvão, imóvel que serviu de residência da família real portuguesa, chamou a atenção do país para o descaso pelo que passam as edificações centenárias Brasil afora. E não é só fora do Paraná que isto acontece. Em Curitiba, a sede história da antiga Escola de Música e Belas Artes (Embap) está no abandono mesmo com projeto de restauro e ampliação pronto e orçado há oito anos. O Palácio Belvedere, por sua vez, segue aguardando o início das obras de restauração de sua estrutura um ano após o incêndio que destruiu parcialmente este grande símbolo do art nouveau na cidade.

Desperdício zero

Foto: Divulgação

Restos de obra, sobras industriais, borra de café. O tipo de resíduo não foi limite para a criatividade e originalidade dos designers brasileiros, que fizeram do upcycling a palavra de ordem em 2018. Seja nos acessórios cheios de estilo e referências arquitetônicas da Design Côté, no itens de decoração e até revestimentos de parede da Recoffee Design, o que ficou claro é a certeza de que, com originalidade e bom gosto, o que era lixo realmente vira luxo, um luxo acessível, assinado e carregado de valor. E a pegada sustentável não ficou a cargo apenas da reutilização de matérias-primas. Mundo afora soluções para reutilizar ou gerar menos lixo surgiram aos montes, indo de sacolas solúveis em água a materiais em cápsulas (como as de café) da Yvy para a limpeza doméstica. Isso sem falar nas camisetas do terceiro uniforme do Real Madrid feitas pela Adidas ou do barco fabricado por quenianos com lixo retirado do oceano. O futuro é sustentável!

Curitiba, cidade inteligente

Foto: Ana Gabriella Amorim/Gazeta do Povo

Capital latina das cidades inteligentes, Curitiba recebeu neste ano a primeira edição brasileira do Smart City Expo, um dos principais eventos de cidades inteligentes do mundo. O sucesso foi tanto que uma comitiva curitibana viajou a Barcelona para participar do Smart City World Congress com o objetivo de aprofundar as ideias para a cidade, que chegou a receber a visita de Josep Piqué, presidente da Lá Salle Technova e ex-CEO da 22@Barcelona, antiga área industrial da capital catalã que passou por um processo de renovação urbana tido como um dos mais ambiciosos da Europa, na mesma linha do que se pretende implantar na região do Vale do Pinhão. E as discussões não pararam por aí, pois já está agendada para março de 2019 a realização da segunda edição do Smart City Expo Curitiba.

Fora da lei

Foto: Wikimedia Commons

As milhares de pessoas que visitam a Sagrada Família em Barcelona provavelmente não sabem que até outubro deste ano a obra-prima (e ainda inacabada) do arquiteto catalão Antonio Gaudí não contava com alvará para sua construção. Iniciada em 1822, a obra só foi regularizada no último mês de outubro, depois que a administração da basílica e a Prefeitura de Barcelona assinaram um acordo de € 36 milhões (R$ 152 milhões) para legalizar sua situação.

O céu é o limite

Foto: Divulgação

Cinco empreendimentos em construção mudaram o conceito de “alto” que até então norteava a construção civil mundo afora. Com mais de 300 metros de altura e pelo menos 70 andares, eles apostam nas inovações tecnológicas, de sustentabilidade e no design para se tornarem verdadeiros ícones dos tempos modernos.

A causa do Bom Retiro

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

O Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (CMPC) indeferiu em agosto a ação administrativa que pedia o tombamento da área do antigo Hospital Psiquiátrico Bom Retiro, proposta pelo movimento popular “A Causa Mais Bonita da Cidade”, que pleiteava a criação de um parque público no local. O indeferimento não significa, necessariamente, o fim da ideia do parque, uma vez que tanto a Federação Espírita do Paraná (FEP) quanto o Grupo Angeloni, proprietários da área, já manifestaram a intenção de doar a área de bosque ao município.

Reconhecimento

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Em 2018, HAUS estreou no universo das premiações com duas celebrações que reconheceram o trabalho dos profissionais no estado e que tiveram a chancela da marca. Na 1ª edição do Prêmio Casa Cor & Haus, 16 categorias foram premiadas por meio de votos populares, da diretoria da mostra e do júri técnico convidado. Já no Prêmio Bom Gourmet, quatro categorias destacaram os projetos, e os profissionais que os assinam, dos restaurantes, bares, cafés/empórios e vilas gastronômicas da cidade.

Ancestral

Foto: Divulgação

A cor mais antiga do mundo é o rosa choque. A afirmação é dos cientistas da Universidade Nacional da Austrália (ANU, na sigla em inglês) em parceria com pesquisadores dos Estados Unidos e do Japão, que descobriram pigmentos de fósseis moleculares extraídos de rochas com mais de 1,1 bilhão de anos da Bacia de Taoudeni, na Mauritânia, no deserto do Saara. Até então, a ciência só conhecia pigmentos com 500 milhões de anos.

Ele não para

Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Com 81 anos celebrados no último dia 17 de dezembro, o arquiteto e urbanista Jaime Lerner segue em plena atividade criativa e com muitos motivos para celebrar o ano de 2018. Eleito o segundo maior urbanista do mundo pela revista norte-americana Planetizen, que reuniu uma lista dos 100 mais influentes de todos os tempos, ele entregou a Porto Alegre o projeto de revitalização da Orla do Guaíba, que traz bares, arquibancadas, restaurante panorâmico, quadras, ciclovias e pistas de caminhada em 1,3 Km de extensão com vista para o famoso pôr do sol da cidade. Outro projeto que leva sua assinatura é o do plano de reurbanização de União da Vitória, que trata de questões como mobilidade urbana, gestão e projetos estratégicos pensados para os próximos 30 anos da cidade. Vida longa, dr. Jaime!

Projetos para a cidade

Foto: Daniel Castellano/SMCS

Curitiba se despede de 2018 com propostas que prometem mudar a cara da cidade e revisitar o conceito da ‘capital ecológica’. Uma delas é a da reurbanização das vilas da área do Caximba, que pretende transformar o local do antigo lixão no mais novo bairro ecológico da cidade, que deve começar a tomar forma em 2021. Já na região central, o destaque ficará por conta da Fazenda Urbana de Curitiba, projeto que ocupará uma área de 4,4 mil m² ao lado do Mercado Regional do bairro Cajuru a partir do primeiro trimestre de 2019.

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