Roteiro inédito traz detalhes de 28 edifícios projetados pelo arquiteto do Teatro Guaíra

Livro sobre Rubens Meister, que revela segredos do acervo do engenheiro, será lançado no próximo dia 28 no Centro Politécnico

Meister foi um grande especialista em projetar auditórios. Sua obra-prima foi o Teatro Guaíra, cuja linguagem arquitetônica e qualidade acústica é admirada até hoje. Foto: Arquivo/Gazeta do Povo

por Luan Galani

19/03/2019

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O acervo gigantesco e intocado do engenheiro Rubens Meister (1922-2009), grande nome do modernismo paranaense e autor de projetos emblemáticos como o Teatro Guaíra, a Rodoferroviária e o Centro Politécnico, foi completamente esmiuçado pela primeira vez pelos arquitetos Paulo Chiesa, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e Fábio Domingos Batista, da Grifo Arquitetura e da FAE, e pela historiadora Deborah Agulham Carvalho.

O resultado depois de três anos de pesquisa é um livro inédito sobre 28 edifícios de Meister, que será lançado oficialmente no próximo dia 28, a partir das 19h, no Auditório Léo Grossmann, da UFPR.

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Batizado de “Rubens Meister: Projeto e Obra”, o livro de mais de 300 páginas foi publicado por meio do programa de mecenato municipal a Prefeitura de Curitiba, com incentivo da Caixa Econômica Federal. Ao todo os autores contabilizaram mais de 400 obras criadas pelo engenheiro, principalmente no Paraná e Santa Catarina, e mais de 13,6 mil documentos em seu acervo.

“Ele materializou a paisagem de Curitiba como a conhecemos hoje a partir de 1950, o que o torna o primeiro grande escritório de projetos da cidade. Na época, as construtoras tinham seus próprios profissionais, e ele ousou criar um escritório separado”, explica Batista.

Foto: Nicolie Duarte/Divulgação

“Meister coloca o Paraná dentro da arquitetura nacional quando desenha o Teatro Guaíra com esse comprometimento com a plástica modernista. Isso gerou polêmica, pois os teatros eram em sua maioria projetados com a linguagem mais clássica do eclético”, explica Chiesa, que já gestava o projeto do livro desde a década de 1990.

“Ele tinha uma visão de cidade sem igual. Em 1966 foi demandado pela Prefeitura de Curitiba para opinar se o poder público deveria fazer um viaduto em frente à Praça Tiradentes para desviar o tráfego do centro da cidade. Ao contrário do que se imaginava na época, ele foi contra”, conta o professor da UFPR.

Poltronas do Teatro Guaíra, também projetadas por Meister. Foto: Arquivo/Gazeta do Povo

Quando foi construído em 1956, o Centro Politécnico da UFPR se tornou a maior obra de uma universidade brasileira. Arquitetos visitantes até hoje deliram com os edifícios interligados que foram levantados para promover encontros entre professores e alunos.

“Hoje ele não é usado adequadamente como previsto. A ideia era, por exemplo, existir o bloco de matemática, onde estudantes de engenharia civil estudariam com alunos de outras engenharias, de física, de arquitetura, o que fomentaria um diálogo maior entre as áreas”, explica Batista, que valoriza o diálogo com a paisagem e a permeabilidade urbana sempre presente nos projetos de Meister.

Entre suas obras mais importantes, amplamente detalhadas no livro, estão o Terminal do Guadalupe, o Edifício Atalaia, o Edifício Avenida, Casa Rosenmann, entre outros.

Detalhe do Centro Politécnico da UFPR. Foto: Arquivo/Gazeta do Povo

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