Salas secretas explodem como tendência nos projetos de escritórios dos Estados Unidos

EUA assiste a boom de cantinhos secretos sendo projetados nos espaços corporativos para trazer lazer e relaxamento em áreas VIP

Uma parede pivotante com estante e livros esconde uma sala secreta no escritório da Macmillan Publishers, em Nova York. Foto: Jeenah Moon/The New York Times

por New York Times

01/09/2019

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A transparência é uma das maiores tendências no design de escritórios modernos: andares sem divisórias, menos escritórios, paredes e portas de vidro. E, em uma época em que o movimento #MeToo tem chamado a atenção para as coisas sórdidas que podem acontecer por trás de portas fechadas, existe certo conforto em ter tudo e todos à vista.

Os cantinhos secretos, contudo, ainda exercem fascínio. Eles marcaram presença ao longo da história, desde as passagens secretas dos castelos medievais até os estabelecimentos clandestinos dos anos 1920 e 1930 que vendiam bebida alcoólica durante a Lei Seca, nos Estados Unidos.

Sala de mármore que foi antigo cofre secreto em Nova York virou sala de reunião VIP. Foto: Jeenah Moon/The New York Times

Hoje em dia, as salas secretas se espalham pelos ambientes corporativos e outros estabelecimentos comerciais, oferecendo a emoção de ver um cômodo se materializar inesperadamente, sem falar do apelo de estar em um espaço reservado apenas para pessoas VIP.

“Eles trazem um elemento surpresa ao local de trabalho – tanto para empregados quanto para visitantes. Tem uma aura descolada e divertida”, descreveu Samantha McCormack, diretora de criação do TPG Architecture, escritório de arquitetura responsável por construir salas secretas em escritórios de clientes.

Estantes de livros podem se abrir como em um truque “abre-te, Sésamo”. Para o escritório de Los Angeles da empresa de marketing Weber Shandwick, o TPG projetou uma estante de livros que cobre toda a extensão da parede, com uma seção que, ao ser empurrada, dá acesso a uma sala estilo tecnavapor, reservada para trabalhos que demandem silêncio.

Bar escondido em quartinho secreto na agência de publicidade Deutsch, em Los Angeles. Foto: Hunter Kerhart/The New York Times

Na Maison de la Luz, um hotel butique em Nova Orleans, os hóspedes podem acessar um salão privado através de uma estante de livros. O Google tem uma área de leitura escondida também atrás de uma estante na matriz da Costa Leste, em Nova York.

As salas secretas ajudam a empresa a transformar os locais de trabalho em objeto de desejo, o que ajuda no recrutamento e na retenção dos profissionais, explicou David Ballard, diretor de psicologia aplicada da Associação Americana de Psicologia. Elas também funcionam como uma resposta aos escritórios sem divisórias. “Algumas dessas salas traduzem uma necessidade legítima de ambientes reservados em locais de trabalho para que as pessoas possam escapar da bagunça”, continuou Ballard.

Editora Macmillan: uma sala para palestrantes convidados

Foto: Jeenah Moon/The New York Times

Quando a editora Macmillan contratou o TPG Architecture para projetar os novos escritórios no Edifício Equitable, no centro financeiro de Manhattan, o plano era convidar autores visitantes para dar palestras no espaço do café, no 25º andar. Por isso, uma sala próxima do café, inicialmente o depósito, foi rebatizada de sala verde. Ela se transformou em um lugar onde os palestrantes podem “socializar” antes de uma apresentação, disse Andrew Weber, chefe de operações da empresa para publicações globais.

Foto: Jeenah Moon/The New York Times

Foi do escritório TPG a ideia de conferir uma atmosfera de mistério ao local. Para isso, a entrada foi disfarçada com uma estante de livros semelhante às prateleiras que percorrem os corredores do escritório. “É um momento de deslumbramento”, disse Weber.

Foto: Jeenah Moon/The New York Times

A sala é mobiliada com assentos estofados confortáveis. Os editores frequentemente usam o espaço para reuniões ou recepções para celebrar os lançamentos de seus autores.

Shutterstock: uma biblioteca silenciosa para um pouco de solidão

A matriz da Shutterstock, no prédio do Empire State, no coração de Manhattan, foi projetada pelo escritório de arquitetura Studios Architecture. Assim como nos amplos escritórios sem divisórias de muitas empresas, existem salas reservadas para uma grande variedade de atividades, como pingue-pongue, ioga e amamentação. Por isso, não é de surpreender que a empresa também tenha uma biblioteca secreta. Esta é acessada através de uma porta escondida, coberta por uma folha de vinil na qual foram impressas imagens de prateleiras de livros.

Foto: Jeenah Moon/The New York Times

O espaço interior, alinhado por prateleiras com livros reais, foi inspirado no estilo das bibliotecas da década de 1940. “Ele foi criado com o propósito de ser um lugar secreto aonde as pessoas podem ir para desfrutar de algum tempo sozinhas e relaxar. É quase uma viagem ao passado; você pode ter uma ideia de como era o Empire State antigamente”, afirmou Lisa Nadler, diretora de recursos humanos da Shutterstock.

Foto: Jeenah Moon/The New York Times

Embora todos os funcionários saibam da existência da sala, ela não é usada com tanta frequência como se poderia esperar, contou Nadler. Mesmo assim, a empresa não planeja fazer modificações no local. “Pode não ser a maneira mais eficiente de usar esse espaço, mas é o que o torna único”, ponderou.

Foto: Jeenah Moon/The New York Times

Kang Modern: o escritório de mármore de F. W. Woolworth

O escritório que já pertenceu a F. W. Woolworth, fundador do império dos descontos e dos preços baixos, era certamente luxuoso. Um espaço no 24º andar do Edifício Woolworth, construído no centro financeiro de Manhattan em 1913, tinha teto artesoado elaborado e paredes de mármore.

F. W. Woolworth, que venerava Napoleão, tinha cadeiras douradas no estilo do trono do imperador francês e um grande retrato de seu herói pendurado na parede. Com o passar dos anos, entretanto, essa grandeza se esvaiu e a sala foi incorporada ao escritório.

An area of the marbled offices that once belonged to F.W. Woolworth, which architect Kang Chang restored for his firm Kang Modern, in New York, Aug. 9, 2019. Secret rooms are popping up in workplaces. (Jeenah Moon/The New York Times)

Quando o arquiteto Kang Chang, diretor da Kang Modern, visitou o local em busca de um espaço para o escritório da empresa, o teto artesoado não existia mais, o gesso estava aos pedaços e faltavam maçanetas.

Chang aproveitou a oportunidade para ter “algo que ninguém mais teria”. Trabalhou com um empreiteiro contratado por Witkoff, o proprietário do edifício, e reformou a sala para ele e seus colegas trabalharem. O carpete, que tinha sido colado ao chão de mármore original, foi arrancado, e as portas, que tinham sido lacradas, foram reabertas e revelaram o antigo cofre de Woolworth; dentro dele, estavam as maçanetas que faltavam, com a insígnia W.

Foto: Jeenah Moon/The New York Times

Para que a sala de tamanho descomunal ficasse funcional, Chang projetou uma divisória independente e dividiu o espaço ao meio sem descaracterizar a estrutura original. De um lado, há uma grande mesa de conferência e cadeiras para reuniões; do outro, onde está a lareira de mármore de Woolworth, há uma área de espera para os clientes visitantes.

Foto: Jeenah Moon/The New York Times

Deutsch: um lugar para celebrar as grandes vitórias

A grande e bem-iluminada sala de reuniões de produção da agência de publicidade Deutsch, localizada em Los Angeles, está do outro lado da rua do imóvel onde estão os escritórios da empresa. No fundo, há uma parede coberta com feltro cinza. Ali, os profissionais da equipe podem afixar o trabalho criativo durante as apresentações para os clientes.

Se a equipe consegue a aprovação do cliente para uma campanha publicitária, a agência celebra de uma maneira especial. Um membro da equipe que fechou o negócio enfia uma chave na fechadura localizada na parede de feltro.

Foto: Hunter Kerhart/The New York Times

Foto: Hunter Kerhart/The New York Times

Em seguida, uma porta, até então escondida, se abre e revela uma sala com pouca luz e teto baixo. Projetada pela HLW International, que equipou todo o escritório de produção, o salão em estilo retrô, das décadas de 20 e 30, esconde um bar abastecido e um letreiro de neon vintage resgatado de um bar local que já não existe mais.

Foto: Hunter Kerhart/The New York Times

“Nós a usamos para as grandes vitórias, para os grandes momentos com nossos clientes”, disse Kim Getty, presidente do escritório de Los Angeles, acrescentando que, em alguns casos, a equipe responsável por vender a ideia pode fazer os drinques. “É divertido convidá-los para entrar e fazer um brinde.”

Foto: Hunter Kerhart/The New York Times

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