Os 7 melhores projetos brasileiros de arquitetura de 2019

Escritórios Gru.a, Una Arquitetos, Andrade Morettin e GOAA foram os quatro destaques do 6º Prêmio de Arquitetura Tomie Ohtake Azkonobel

A Capela Sacromonte, premiada com menção honrosa, é assinada pelo escritório MAPA Arquitetos e fica nas Serras do Carapé, em Maldonado, Uruguai. Foto: Tati Kimelman/Divulgação

por Aléxia Saraiva

22/10/2019

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São sete os premiados como melhores projetos de arquitetura brasileiros escolhidos em 2019 pelo 6º Prêmio de Arquitetura Tomie Ohtake Azkonobel. A premiação tem como objetivo valorizar formas inovadoras de pensar e construir o espaço social, e avalia critérios como a relação urbana entre projeto e ambiente, o respeito ao terreno do projeto, a sustentabilidade e, claro, a criatividade.

Nesta edição, três projetos levaram o prêmio principal da categoria profissional. Além deles, há ainda quatro menções honrosas. Todos os inscritos tinham como requisitos serem projetos construídos e em uso, mesmo que em caráter experimental, e que tenham no máximo dez anos. Cada premiado ganha uma viagem para Paris.

Casa 239, em São Paulo (SP), dos vencedores Una Arquitetos. Foto: Nelson Kon/Divulgação

Na categoria universitária, inédita na premiação, foi selecionado um vencedor. O estudante ganha uma oportunidade de estágio remunerado em um escritório renomado de arquitetura do país. Neste caso, os projetos — não construídos — deveriam seguir a temática “revitalização, requalificação, renovação”.

A exposição com os quinze projetos finalistas fica aberta no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, até o dia 1º de dezembro de 2019.

Confira abaixo os projetos vencedores!

A praia e o tempo – Gru.a Arquitetos

Instalação “A praia e o tempo”, realizada pelo Gru.a em 2018 na Praia de Copacabana. Foto: Acervo pessoal/Tempo Festival

A instalação “A Praia e o Tempo” assinada pelo escritório carioca Gru.a Arquitetos foi realizada em 2018 em plena Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. O espaço de 1.000 m² foi idealizado para receber performances da coreógrafa francesa Julie Desprairies durante o Festival Internacional de Artes Cênicas do Rio de Janeiro, funcionando como um palco aberto.

Foto: Elisa Mendes/divulgação

O projeto em si demarcou o território e movimentou a areia para criar uma nova paisagem: um quadrilátero com 31 metros de lado e 50 centímetros de altura, marcando a área das apresentações. Ao centro, está um buraco de 4 metros de profundidade.

“Essa obra parte de uma reflexão urbanística: o fato de a praia de Copacabana ter sido resultado de uma grande operação de aterro nos 1970. Essa faixa de areia tão extensa foi viabilizada por essa grande obra que alterou a geomorfologia da cidade, e que são frequentes no Rio de Janeiro”, afirmou o arquiteto Pedro Varella à HAUS em entrevista sobre o Prêmio Début da Trienal de Lisboa, do qual o escritório também foi finalista.

Beacon School – Andrade Morettin Arquitetos e GOAA (Gusmão Otero Arquitetos Associados)

Foto: Nelson Kon/Divulgação

O segundo vencedor da principal categoria do prêmio foi uma escola em São Paulo (SP) construída em 2018 com projeto realizado em parceria pelos escritórios Andrade Morettin Arquitetos e Gusmão Otero Arquitetos Associados. Sua principal característica vem do aproveitamento de galpões que integram o patrimônio industrial da cidade, transformados em um ambiente educacional para mil alunos.

O ponto central do projeto é uma praça com 100 metros de comprimento que articula todos os outros ambientes da escola — o que cria um diálogo entre elementos antigos e novos. Um de seus principais méritos é dar novos usos para a monumentalidade dos antigos galpões, criando um local propício pra receber crianças de diferentes faixas etárias ao valorizar seus espaços de encontro e circulação.

Casa 239 – Una Arquitetos

Casa foi projetada em 2012 e finalizada em 2016. Foto: Nelson Kon/Divulgação

Projetada para uma família em São Paulo (SP), a Casa 239 tem como ponto central uma jabuticabeira de 50 anos de idade. Todos os outros cômodos são voltados para ela: varanda, sala de estar, jantar, cozinha, sala de estudos e quarto, formando dois braços em formato de “L”.

No terraço, uma piscina proporciona contato direto com a natureza. Madeira e concreto marcam o estilo do projeto, bem como a geometria das edificações que prioriza a entrada da luz natural.

A casa também foi premiada em 2018 pelo Mies Crown Hall Americas Prize.

Menção Honrosa: Capela em Sacromonte – MAPA Arquitetos

Projeto e construção são de 2017. Foto: Tati Kimelman/Divulgação

Com o mínimo de materiais possíveis para seu funcionamento, a Capela Sacromonte corta sutilmente a paisagem das vinhas nas Serras do Carapé, em Maldonado, Uruguai. Sua estrutura é formada por duas placas de madeira CLT (Cross Laminated Timber) pré-fabricadas em Portugal. Inclinadas, elas se apoiam mas não chegam a se tocar, deixando uma fresta de luz passar para o interior da edificação.

Segundo os arquitetos do escritório porto-alegrense, “a capela evoca uma relação direta com a natureza, fazendo das próprias manifestações climáticas um dado à meditação e à transcendência”.

Menção Honrosa Sustentabilidade: Casa das Birutas – Gera Brasil Consultoria e Arquitetura

Foto: divulgação

Localizada em Piracaia (SP), cidade a 90 km da capital do estado, a Casa das Birutas foi desenvolvida pelo escritório Gera Brasil Consultoria e Arquitetura para ser autossustentável. O projeto construído em 2019 gira em torno do respeito e da relação da casa com a natureza: o declive acentuado do terreno foi mantido; foram usados materiais construtivos naturais, como madeira cupiúba e telhado de bambu; parte da matéria-prima foi resgatada de um aterro; artesãos e profissionais locais integraram os trabalhos.

Além disso, a casa é equipada com diversas soluções que diminuem o impacto da construção no meio ambiente — banheiro seco, biodigestor, zona de raízes, captação de água pluvial, aquecimento solar e poço seco, placas fotovoltaicas, agrofloresta.

Menção Honrosa Cor: Sede Castanhas de Caju – Estúdio Flume

Foto: Estúdio Flume/Divulgação

A nova sede para a cooperativa de mulheres produtoras de castanhas de caju na comunidade de Nova Vida, em Bom Jesus das Selvas (MA), foi construída em 2018 a partir de técnicas rápidas, simples e econômicas para manter um baixo custo de manutenção. Assinado pelo paulista Estúdio Flume, o projeto reaproveitou elementos da antiga residência da cooperativa e apostou na alvenaria com tijolos de cerâmica furados e portas pivotantes com venezianas para garantir a ventilação dos ambientes.

Foto: Estúdio Flume/Divulgação

Para resolver a falta de saneamento básico na região, a obra incluiu um biodigestor de fossa séptica para o tratamento do esgoto e um círculo de bananeiras para filtragem de águas cinzas. A casa também foi equipada com marquise e banco de concreto para tornar o espaço público para toda a comunidade.

Categoria Universitários: Da ocupação se faz arquitetura – Francisco Lucas Costa Silva (UFC)

Imagem: Francisco Lucas Costa Silva

Nesta categoria, estudantes de arquitetura deveriam submeter projetos não construídos com o tema “Revitalização, Requalificação, Renovação”. Orientado por Solange Maria de Oliveira Schramm, o estudante da Universidade Federal do Ceará Francisco Lucas Costa Silva propôs um percurso a pé entre as principais edificações abandonadas de Fortaleza (CE).

Cinco edifícios seriam restaurados para receber o programa, criando um eixo entre dois importantes pontos da cidade, a Praça do Ferreira e o Passeio Público. O retrofit propiciaria novos e diferentes usos para os espaços, que aos poucos seriam reapropriados pela população.

Imagem: Francisco Lucas Costa Silva

Segundo o projeto, o Edifício Ventura abrigaria uma escola-oficina, a antiga sede do Banespa abrigaria uma praça vertical, o Edifício Jangada seria uma casa de estadias temporárias, o Palácio do Comércio receberia um salão-mirante e o Excelsior Hotel teria um pavilhão anexo destinado a ensaios e pequenos espetáculos.

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