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Edifício com floresta vertical em construção na cidade holandesa de Eindhoven, onde Boeri aperfeiçoou e barateou soluções inicialmente usadas no Bosco Verticale de Milão, desta vez para habitação social.
Edifício com floresta vertical em construção na cidade holandesa de Eindhoven, onde Boeri aperfeiçoou e barateou soluções inicialmente usadas no Bosco Verticale de Milão, desta vez para habitação social.| Foto: Stefano Boeri Architetti

O arquiteto italiano Stefano Boeri, 64 anos, reconhecido como uma referência mundial que teve um trabalho importante na recuperação das cidades do centro da Itália atingidas pelo terremoto de 2016, anunciou em sua palestra na UIA2021RIO (27º Congresso Mundial de Arquitetos) nesta terça-feira (20) que conseguiu aperfeiçoar e baratear as soluções empregadas no Bosco Verticale, em Milão, prédio que inaugurou a abordagem de florestas verticais e urbanas em 2014. Tanto que agora está em construção na cidade holandesa de Eindhoven um edifício para habitação social que segue o mesmo princípio, mas adaptado ao contexto local.

É o Trudo Vertical Forest, que nasce a partir de uma nova estratégia: tornar essa experiência acessível para qualquer um e não apenas um privilégio de projetos de alto padrão ou luxo, como explica o arquiteto italiano.

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Stefano Boeri é um dos grandes nomes contemporâneos da arquitetura mundial.
Stefano Boeri é um dos grandes nomes contemporâneos da arquitetura mundial.| Salone del Mobile Milano

O empreendimento de 19 andares e 125 unidades vai acomodar jovens casais em flats com aluguéis baratos, mas com uma qualidade de vida altíssima, graças à varanda com 20 tipos de árvores e plantas, bem como pássaros e insetos. A respeito dos custos, as escolhas de Boeri conseguiram com que a obra tivesse uma redução de custo de 44,25%, aproximadamente.

Cada apartamento terá cerca de 50 m² e o edifício chegará a 75 metros de altura. Segundo Boeri, a natureza ali não é meramente decorativa. Ela é um elemento constituinte dessa nova linguagem arquitetônica que ajuda a absorver toneladas de dióxido de carbono emitidos pela cidade.

Planta de uma unidade do edifício que está sendo construído em Eindhoven.
Planta de uma unidade do edifício que está sendo construído em Eindhoven.| Stefano Boeri Architetti

Por mais controversa que seja essa ideia das florestas verticais, Boeri defende a solução porque, segundo ele, as plantas absorvem poluição, reduzem o calor, refletem luz e ajudam na coleta de água. Hoje, novas torres como essa de Eindhoven estão sendo projetadas para Nanjing, na China, e Lausanne, na Suíça.

"No futuro, no centro da cidade não teremos igreja, sinagoga, mesquita, monumento ou praça, mas uma montanha com muita biodiversidade", falou Boeri, instigando que as cidades abracem o verde para atuarem como geradores de biodiversidade, e não como obstáculo para a vida entre homem e natureza.

Perspectiva de como será o prédio de 19 andares no sul da Holanda.
Perspectiva de como será o prédio de 19 andares no sul da Holanda.| Stefano Boeri Architetti

Questionado por uma espectadora sobre como viabilizar essas ideias, Boeri defendeu que o início de uma resposta para isso é fazer todos os interessados conversarem.

"A consciência da urgência de campanhas para cidades mais verdes se tornou muito extensa. E acredito que a pandemia acelerou alguns processos, até em termos de consciência. Estamos agora mais cientes da necessidade de tornar as cidades mais verdes", frisou. "Não existe uma resposta genérica porque existem interesses de todos os tipos, que precisam ser equilibrados. Mas é possível e é importante que tentemos mobilizar as comunidades locais, que são as grandes protagonistas".

O UIA2021RIO segue até esta quinta-feira (22) em formato 100% digital. As inscrições estão abertas. Mais informações podem ser obtidas no site oficial do evento. A palestra pode ser revista por quem já está inscrito na plataforma. Ela permanecerá disponível por dois anos, segundo informações dos organizadores do evento.

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