Grupo no Facebook abre uma janela para a Curitiba do passado

Antigamente em Curitiba faz resgate coletivo das memórias da cidade por meio de fotografias antigas

Mansão da família Leão , vizinha ao Palacete dos Leões , na Av. João Gualberto. Colecionador paulista/Acervo Paulo José da Costa

por Luan Galani

05/04/2016

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A Curitiba dos velhos tempos ganhou mais uma janela. É o grupo do Facebook intitulado Antigamente em Curitiba. Sua descrição é autoexplicativa: “A história de Curitiba contada em fotos e depoimentos. Uma fotografia ou documento numa gaveta pode ter seu fim com o fogo, a água, o inseto ou os parentes desinteressados. Aqui esse material ganhará a eternidade”.

O grupo existe desde dezembro de 2014, mas só no ano passado ganhou visibilidade, e agora movimenta as redes sociais com mais de 19 mil membros, entre espectadores silenciosos e contribuidores assíduos que postam de tudo um pouco. De tampas de bueiros a brinquedos, de partes da cidade em construção a meios de transporte antigos.

A ideia de criar a comunidade foi do colecionador Paulo José da Costa, 65, proprietário da tradicional Livraria Fígaro, depois que ele conheceu grupos similares fundados para fomentar a memória urbana das cidades de Joinville e Blumenau. O que o faz dedicar duas horas por dia de seu tempo para moderar o grupo é sua curiosidade pelo caráter humano das fotografias.

“Muitas pessoas gostam de fotos de prédios antigos, por exemplo. Eu, não”, sentencia. “Prefiro sempre com as pessoas, que dão significado aos lugares.” Enquanto muitos despendem poucos segundos sobre as fotos preto e branco e veem o óbvio, Paulo vai além e fantasia sobre cada registro. “Eu sempre penso sobre as fotografias. O que será que eles falaram antes de tirar esta foto? O que estavam fazendo ali? Como foi depois? Que viagem estavam fazendo?”

Edifício da UFPR em construção em 1912, com uma chácara ao fundo, onde hoje  é o Teatro Guaíra. Volk/Acervo Paulo José da Costa

Edifício da UFPR em construção em 1912, com uma chácara ao fundo, onde hoje é o Teatro Guaíra.
Volk/Acervo Paulo José da Costa

Menino pendurado na rabeira de bonde que circulava pelo Água Verde. Acervo Cid Destefani/Reprodução

Menino pendurado na rabeira de bonde que circulava pelo Água Verde. Acervo Cid Destefani/Reprodução

Mansão da família Leão , vizinha ao Palacete dos Leões , na Av. João Gualberto.  Colecionador paulista/Acervo Paulo José da Costa

Mansão da família Leão, vizinha ao Palacete dos Leões , na Av. João Gualberto.
Colecionador paulista/Acervo Paulo José da Costa

Antigo Teatro Guayra, demolido em 1935, na Rua Nova, atual Dr. Muricy, após ser utilizado como prisão durante a revolução Federalista. Armin Henkel/Acervo Paulo José da Costa

Antigo Teatro Guayra, demolido em 1935, na Rua Nova, atual Dr. Muricy, após ser utilizado como prisão durante a revolução Federalista. Armin Henkel/Acervo Paulo José da Costa

Já no caso do auxiliar administrativo Samuel Mahfoud, 32, outro membro do grupo, o que chama sua atenção são postagens sobre curiosidades, histórias e lendas do Portão, bairro em que nasceu e mora até hoje. A exceção, que também toca seu coração, é o Parque Alvorada: “O parque me lembra a minha infância. Quase todos os domingos meu pai levava eu e meus irmãos para brincarmos nos brinquedos. Ele costumava nos levar ao parque localizado em frente ao Passeio Público, que depois mudou-se para o Parque Barigui, onde curtimos seus últimos anos de vida. Sempre lembro com carinho daquele parque icônico de Curitiba.”

Nostalgia

Para o arquiteto e historiador Irã Dudeque, que leciona no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), o grupo pode fornecer algumas pistas para eventuais debates ou pesquisas, apesar de não seguir o rigor exigido por historiadores.

“É um grupo bem nostálgico. O historiador vê sobre o que vai se debruçar, pega um determinado período e tenta entender o que aconteceu, em termos de costumes e ocupação, por exemplo. Enfileira os dados e analisa. Mas as pessoas fazem de maneira diferente. Vivem um dia após o outro, com ligações emocionais, e essa é a história para eles. Uma memória feita de momentos. E isso se vê bastante nas postagens”, avalia Dudeque.

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