Solução para obras públicas, concurso de arquitetura chega ao setor privado para renovar as cidades

Seleção pública de projetos é aposta da incorporadora curitibana Weefor para diversificar a arquitetura e deixá-la "na mão dos arquitetos". Primeiro concurso será lançado em 7 de janeiro

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

por Aléxia Saraiva

03/01/2019

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Como dar novos ares aos imóveis que estão sendo construídos nas cidades? Esta é a pergunta que norteou a criação da nova incorporadora curitibana Weefor, que traz em seu projeto de estreia uma resposta audaciosa: por meio dos concursos públicos de arquitetura.

Tão solicitados pelos profissionais do setor, que veem na seleção uma alternativa promissora no que se refere ao custo-benefício que eles trazem às cidades quando o assunto são as obras públicas, os concursos chegam à esfera privada com esta inciativa inédita, que deve movimentar Curitiba já neste início de ano.

Isso porque o primeiro empreendimento da empresa será construído a partir do projeto vencedor do concurso Weefor Arq, que terá seu edital lançado já no próximo dia 7 de janeiro. Realizado em parceria com a Associação Paranaense dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA/PR), ele será aberto à toda a comunidade arquitetônica nacional. Ou seja: qualquer escritório ou profissional interessado poderá inscrever seu projeto.

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“Arquitetura na mão dos arquitetos”

A sócia-proprietária da Weefor, Maria Eugenia Fornea, explica que a ideia surgiu de um incômodo. “O principal slogan do mercado imobiliário é baseado na busca por um imóvel ‘exclusivo’. A gente quis uma proposta inclusiva, que traga mais pessoas para todo o processo. Para isso, a gente quer fazer todo o processo da incorporação de forma diferente”. Formada em Engenharia, Maria Eugênia começou a trabalhar na área aos 16 anos na construtora do pai, Ennio Fornea.

Maria Eugenia Fornea busca conciliar sua experiência com construtoras à inovação nos projetos. Foto: Divulgação

Ela destaca, ainda, que normalmente é muito difícil contratar um escritório de arquitetura que não tenha um portfólio de casas ou prédios, e o concurso resolve esse problema, já que o melhor projeto será escolhido pelas qualidades e às cegas — o nome do escritório não aparece no momento da avaliação.

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“A gente quis dar oportunidade para pessoas talentosas que não têm acesso a esse mercado tão fechado. Quem constrói a cidade são os incorporadores, que dão [aos arquitetos contratados] um briefing bastante engessado. Nós queremos deixar a arquitetura na mão dos arquitetos“, afirma Maria Eugenia. A ideia é que todos os empreendimentos da Weefor sejam feitos por meio de concursos.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

O concurso

Maria Eugenia adiantou alguns dos detalhes essenciais que devem moldar o primeiro projeto da incorporadora. O empreendimento será um edifício residencial no Água Verde, com área de aproximadamente 5.250 m², em um terreno de 1.383,60 m². Ele deverá ter um mínimo de 51 unidades — metade com área privativa entre 50 m² e 55 m² e metade entre 70 m² e 75 m².

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O concurso irá selecionar as três melhores propostas, sendo o primeiro lugar contratado para o desenvolvimento do projeto executivo de arquitetura do empreendimento.

O edital será lançado no site da incorporadora no dia 7 de janeiro. O envio dos projetos acontece dos dias 10 a 17 de março. Depois disso, um banco de jurados especializado avaliará os trabalhos. O resultado será divulgado no dia 12 de abril e a previsão é a de que a construção do empreendimento comece no início de 2020.

Todo o processo é organizado pela AsBEA/PR. Os valores das inscrições serão revertidas em doações para a ONG TETO, que ajuda a promover a independência de comunidades carentes a partir da construção de uma infraestrutura, como com casas emergenciais.

Pintura das casas na comunidade A Favorita, em Araucária (PR), construída pela ONG Teto. Foto: Flickr/Comunicação Teto PR

Os projetos serão avaliados por seis profissionais: Lua Nitsche, sócia do escritório Nitsche Arquitetos Associados; Fernando Mungioli, editor da revista Projetos; Pedro Wada, editor do ArchDaily Brasil; Keiro Yamawaki, ex-presidente da AsBEA/PR; Luiz Augusto Brenner Rose, diretor da Imobiliária Lopes; e Maria Eugenia Fornea, representando a Weefor. “Teremos um equilíbrio entre a área técnica, criativa, de mercado e da incorporadora”, avalia Maria Eugenia.

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