Foto: Guilherme Pupo/ Divulgação BRDE
Foto: Guilherme Pupo/ Divulgação BRDE| Foto:

Curitiba tem atualmente 70 bens tombados como Patrimônio Estadual, uma fatia importante de um total de pouco mais de 200 do Estado do Paraná. De imagens, obras de arte e acervos de museus até regiões inteiras - como a Serra do Mar - passando por prédios, casas e igrejas, o catálogo de bens tombados pelo Patrimônio vem sendo formado no Estado há pelo menos 40 anos.

Mas a preocupação dos paranaenses com seus bens coletivos começou antes disso, na década de 1930, quando o interventor federal Manoel Ribas foi o primeiro a publicar uma legislação dedicada à preservação das propriedades históricas, como explica o historiador Aimoré Índio do Brasil Arantes, que atua no Conselho de Patrimônio Histórico do Paraná. “Dois anos antes do decreto federal, foi criada uma lei estadual, a lei 38 de 1935, que cria o Conselho do Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná. Entre os organizadores dessa instituição estão nomes como Romário Martins, pessoas que hoje já viraram nome de rua, prédio e galeria”.

Já em 1948, veio a lei que criou a Divisão do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Estado do Paraná. Em 1979, com a criação da Secretaria de Estado da Cultura também nasceu a Coordenação do Patrimônio Cultural e, em Curitiba, o Decreto Municipal 1547/1979, encabeçado pelo então e atual prefeito Rafael Greca de Macedo, propõe o tombamento de 586 bens.

Retrato histórico do Palacete dos Leões, tombado como patrimônio do Paraná. Foto: Divulgação/ Fundação Cultural de Curitiba
Retrato histórico do Palacete dos Leões, tombado como patrimônio do Paraná. Foto: Divulgação/ Fundação Cultural de Curitiba

Dadas as ferramentas e o respaldo para a preservação do patrimônio histórico e cultural, seja ele material ou imaterial, cabe às autoridades e à sociedade civil o trabalho de mapear estes bens e tradições que são símbolos da região.

Quando se trata de edificações, é comum que, antes de serem tombadas, sejam decretadas Unidades de Interesse de Preservação (UIP) - que, segundo a secretaria de Urbanismo de Curitiba, são “imóveis, particulares ou públicos, os quais o Município tem interesse em preservar e conservar por seu significativo valor histórico, arqueológico, artístico, arquitetônico, etnográfico, natural, paisagístico ou ambiental”.

Você conhece a origem do termo “tombamento”?

De acordo com o arquiteto Cláudio Forte Maiolino, tudo começou porque os portugueses registravam todas as suas conquistas e seus bens ao redor do globo em um caderno de registro chamado “Livro do Tombo”. “Era lá que Portugal anotava tudo, suas colônias, suas terras conquistadas, suas províncias na África... Então nós adquirimos esse hábito e tudo aquilo que é importante para a coletividade, acaba sendo registrado como algo que pertence a todos, a toda a sociedade”.

Um processo longo, mas necessário

O engenheiro civil Sergio Marcos Krieger, chefe da Coordenação do Patrimônio Cultural (CPC) da Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura do Paraná, explica que é a relevância nas áreas de arquitetura, história e cultura que dita quando um edifício pode ser tombado, mas não é fácil determinar esta importância.

Leões que durante anos ornamentaram a entrada principal do Palacete dos Leões são de origem portuguesa, da cidade de Vila Nova de Gaia, Porto. Detalhes ajudam a compor o cenário que faz de um imóvel um patrimônio. Foto: Rafael Dabul/ BRDE
Leões que durante anos ornamentaram a entrada principal do Palacete dos Leões são de origem portuguesa, da cidade de Vila Nova de Gaia, Porto. Detalhes ajudam a compor o cenário que faz de um imóvel um patrimônio. Foto: Rafael Dabul/ BRDE

“Precisa ser feito um estudo pelos técnicos da CPC, cujo papel é preservar e conservar testemunhos dos diferentes períodos da história do Paraná, como forma de tornar esse conhecimento acessível a todos os cidadãos, para posteriormente ser referendado como patrimônio cultural pelo Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico - CEPHA”, explica.

Uma das propriedades que integrava a lista do decreto de 1979 e que passou pelo processo de avaliação para se tornar um bem tombado foi o prédio do atual Espaço Cultural BRDE - Palacete dos Leões. O palacete foi propriedade da família Leão, dos fundadores da Matte Leão, até os anos 80, quando foi adquirido pela IBM. A empresa construiu um segundo prédio nos fundos do terreno e promoveu uma restauração na construção original, que data de 1902, antes de passar a propriedade ao BRDE.

Foto: Guilherme Pupo
Foto: Guilherme Pupo

“Essa construção, projetada e construída pelo eminente engenheiro civil e futuro prefeito de Curitiba, Cândido de Abreu, acabou se tornando um dos últimos remanescentes da arquitetura eclética em Curitiba. Pela sua imponência e localização privilegiada, a Secretária da Cultura em 2000, Lúcia Camargo, acolheu a ideia da Coordenação do Patrimônio Cultural para prosseguimento dos estudos e posterior tombamento desse importante bem cultural”, recorda Krieger.

Além de ser um exemplar da arquitetura eclética, o Palacete Leão Jr. também reflete a riqueza da arquitetura dos ervateiros e havia passado por um grande restauro pouco mais de uma década antes, de forma que estava em excelente estado de conservação, o que contribuiu para o processo de tombamento, que se deu em 2003.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]