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Foto: Guilherme Pupo/Divulgação BRDE
Foto: Guilherme Pupo/Divulgação BRDE| Foto: Guilherme Pupo

Adentrar uma edificação centenária carrega uma sensação de viagem no tempo. Um cômodo, uma característica da construção, um móvel ou elemento da decoração, cada pedaço de um prédio histórico é capaz de transportar o visitante a um determinado momento na História.

Essa sensação é potencializada quando se trata de um exemplar do período eclético, cujas construções têm como característica reunir elementos de diferentes movimentos arquitetônicos.

Situado entre as duas últimas décadas do século 19 e as duas primeiras do século 20, o período eclético tem como uma de suas unidades mais significativas na arquitetura paranaense o Palacete Leão Jr. - agora um local dedicado a exposições e outras atividades culturais, que completa no dia 21 de junho 15 anos como Espaço Cultural BRDE.

Veja o infográfico a seguir para conhecer alguns importantes detalhes da arquitetura e decoração do Palacete Leão Jr. capazes de contar um pouco a história do edifício e da assinatura arquitetônica paranaense do período eclético.

Mais sobre o Palacete Leão Jr.

Em excelente estado de conservação, o mesmo concentra referências que contam belas e importantes histórias. Algumas, justificadas pela funcionalidade prática, outras unicamente estéticas, influenciadas por fases como a barroca, a gótica e a neoclássica.

Exposição Tempo Matéria, de André Nacli. Foto: Divulgação/ André Nacli
Exposição Tempo Matéria, de André Nacli. Foto: Divulgação/ André Nacli

“O professor de história da arte Fernando Carneiro dizia que as formas persistem mesmo depois que as causas que as fizeram surgir desapareceram. Na restauração, a gente precisa entender esse funcionamento e recuperar sua função”, comenta o arquiteto Cláudio Forte Maiolino, um dos profissionais que participaram da primeira grande restauração à qual o Palacete Leão Jr. foi submetido, na década de 80.

Segundo ele, características como as pilastras que marcam a fachada do palacete são apenas decorativas, dialogando com os arcos plenos que remetem ao período neoclássico, enquanto elementos como os gradis de ferro das varandas laterais do prédio demonstram a importância e riqueza da construção para a época.

Foto: Hugo Harada/ Arquivo Gazeta do Povo
Foto: Hugo Harada/ Arquivo Gazeta do Povo

“O palacete é inovador porque as tecnologias estavam mudando. Só vamos começar a ter estrutura autônoma, ou seja, independente da parede, a partir do surgimento do trilho do trem. O metal está em uso na construção, e isso é uma coisa nova também. Até os anos 50 nós não tínhamos metal aplicado nas construções, os primeiros são os trilhos de trem”.

Já no teto do prédio, a platibanda também é testemunha do momento que a construção civil vivia na época. “A primeira fábrica de tijolos foi estabelecida em 1865 em São Paulo, aí é que começa a se estabelecer a platibanda e a calha para recolher a água. Os telhados até 1850 são aqueles que conhecemos da arquitetura luso-brasileira, em que se jogava a água o mais longe das paredes de terra”, explica Maiolino.

No Brasil, o período eclético é marcado também pelo diálogo com a presença mais forte dos elementos pré-fabricados, consequência da ainda recente Revolução Industrial. “Começa-se a ter uma arquitetura feita de elementos pré-fabricados que vai caracterizar o ecletismo como uma arquitetura moderna. Todos esses elementos aplicados na fachada do Palacete, por exemplo, são comprados por catálogo, eles vinham prontos”, detalha.

Foto: Guilherme Pupo/Divulgação BRDE
Foto: Guilherme Pupo/Divulgação BRDE

A arquiteta Giceli Portela, professora de Patrimônio e Restauro da UTFPR, ressalta que, no caso do Palacete Leão Jr., o engenheiro Cândido de Abreu, que assinou o projeto, deu especial atenção ao neoclássico. “Vale a pena lembrar que as obras de Cândido de Abreu, e o Palacete em especial, fazem referência à arquitetura italiana, apesar dos elementos art nouveau  nos vidros das portas e outros ornamentos, a escadaria e as aberturas frontais lembram a simetria imposta pelos arquitetos italianos”.

No projeto Arquivo Arquitetura, que coordena na universidade, Giceli supervisionou suas alunas Clara Ariane, Flávia Tavares, Giulia Mazeto, Mariana Dias e Larissa Terras na pesquisa sobre o Palacete que identificou também alguns aspectos da decoração e referências internas e externas da edificação. “São elementos de revestimento de alto nível de requinte, muitos deles importados, como os tecidos que revestem algumas paredes, os vidros lapidados. Nessa época tínhamos grandes artífices de marcenaria e ladrilhos hidráulicos em Curitiba, mas mesmo assim não eram incomuns as importações de mármores, cristais e tecidos”, reforça.

Detalhe das cortinas do Palacete dos Leões. Foto: Divulgação/BRDE
Detalhe das cortinas do Palacete dos Leões. Foto: Divulgação/BRDE

Outro destaque, segundo ela, é a lareira, em estilo art decó, adicionada mais recentemente, assim como os painéis têxteis localizados na mesma sala, provavelmente instalados na década de 40, no segunda ciclo de moradia do palacete.

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