Primeiro sistema construtivo do Brasil, parede de taipa vira revestimento com pegada moderna

Lounge Brasilidades da Casa Cor Paraná 2018 revisita a técnica em homenagem a elementos ancestrais da história do país

Parede feita com a técnica da taipa, ou pau a pique. Foto: Elizeu Santos-Neto/Flickr

por Aléxia Saraiva

30/05/2018

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Se a onda do retrô já era prova de que um ambiente pode ser valorizado pelo que foi usado no passado, o uso da taipa em mostras de decoração só reforça essa ideia. O primeiro sistema construtivo do Brasil, também conhecido como pau a pique, leva na  composição bambu, barro e capim. E é pela sua simplicidade que tem sido protagonista do Lounge Brasilidades da Casa Cor Paraná 2018, assinado pela arquiteta Vânia Toledo Martins.

Ambiente da arquiteta Vânia Toledo Martins para Casa Cor Paraná 2018. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

A proposta era compor um espaço para valorizar elementos ancestrais do Brasil. Assim, a taipa veio como elemento-chave na decoração, revestindo duas paredes internas e uma externa — na técnica original, ela mesma serve como parede. “A minha taipa foi em bambu e barro. A gente usou terra vermelha, e o bairro foi feito na obra, misturando argila e capim”, conta ela. “A malha tradicional do bambu é amarrada, e então se bate o barro no meio. Aqui, a gente pregou os bambus”, explica.

Grade de bambus é o primeiro passo da taipa, e será completada pelo barro. Na foto, início do processo de revestimento do ambiente, que levou cerca de um mês. Foto: Vânia Toledo Martins

Segundo ela, o maior desafio foi aprender qual mistura dava certo e “grudava” na parede e nos bambus, já que é difícil encontrar, em Curitiba, mão de obra que tenha conhecimento da técnica. Foram várias tentativas até chegar ao resultado final.

Depois de várias camadas de barro para preencher as malhas de bambus, foi aplicada uma camada final para padronizar as cores da argila nas paredes.

Várias camadas de barro são colocadas entre os bambus, ficando sólidas conforme secam. Foto: Vânia Toledo Martins

A ideia

Vânia conta que a ideia de revisitar essa técnica partiu das experiências vividas no curso Design Essencial, ministrado por Marcelo Rosenbaum, na escola de Belas Artes, em São Paulo. Na ocasião, a turma visitou o Quilombo Ivaporunduva, no Vale da Ribeira, onde tiveram uma atividade com os quilombolas. “Eles tinham acabado de construir uma casa de taipa, um restaurante para receber turistas. A gente fez uma intervenção em que pegamos objetos deles, e montamos um cenário dentro da casa, e ficou maravilhoso. Ali você vê a elegância do simples, de como você pode transformar o que para muitos é nada em muita coisa”, conta a arquiteta.

Foto: Vânia Toledo Martins

Outros elementos do ambiente procuram valorizar a história do Brasil, como o uso de uma gamela na decoração e o biombo construído por Martins feito a partir de uma palha indígena adquirida por ela em viagem à Floresta Amazônica. Esse é o primeiro produto de uma série que ela pretende produzir, com o intuito de resgatar as origens do país. “Não tem como não reconhecer e ter orgulho dos que já passaram por aqui”, acresenta.

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