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Limpeza doméstica
| Foto: Pexels

Quem não gosta da casa limpinha logo depois de uma boa faxina? Além da sensação de bem-estar e do famoso “cheirinho de limpeza”, manter os ambientes limpos e organizados evita doenças causadas por sujeiras, fungos e bactérias. Mas é preciso tomar alguns cuidados na hora da faxina para evitar riscos de intoxicações, alergias ou outros acidentes com produtos de limpeza.

Os mais convencionais deles possuem substâncias químicas que podem ser nocivas à saúde se não forem utilizados adequadamente. Misturas de dois ou mais produtos, por exemplo, podem gerar vapores tóxicos extremamente perigosos e causar até explosões.

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Selecionamos alguns cuidados para manter a casa limpa sem colocar a saúde em risco. Confira:

1. Não misture produtos

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Muita gente acredita que misturar diferentes produtos de limpeza torna- os mais “potentes”, mas não é bem assim: além de poderem perder a eficácia, unir produtos químicos pode criar compostos extremamente nocivos. “Não há nenhuma evidência de que o poder de limpeza dos produtos será somado e isso tornará a faxina mais fácil. Em casos de alergia, é ainda maior a dificuldade para identificar o produto responsável pelo problema de saúde”, adverte Marcos Casado, CEO da Healthy Building Certificate (HBC) no Brasil, empresa especialista em consultorias e certificações de construções e produtos saudáveis.

Um exemplo do que não deve ser feito é misturar álcool em gel com água sanitária, produtos que se tornaram protagonistas na higienização de superfícies neste período de pandemia. Se misturados, tanto o hipoclorito da água sanitária quanto o álcool do álcool em gel são destruídos, anulando o efeito sanitizante. Além disso, a mistura forma um composto tóxico, o acetaldeído, que pode causar irritações e queimaduras na pele. A água sanitária também não deve ser misturada com outras substâncias, como amoníaco, vinagre ou água oxigenada — juntos, esses elementos produzem vapores tóxicos.

Produtos de limpeza podem ser misturados com outras substâncias ou diluídos apenas se essa indicação constar no rótulo do produto saneante.

2. Cuidados com o álcool 70%

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Além de ser um poderoso aliado no combate ao coronavírus para a desinfecção das mãos, o álcool etílico 70% passou a fazer parte da rotina de limpeza doméstica de muitos brasileiros, em especial para a desinfecção de superfícies que pessoas tocam com frequência, como maçanetas, pias e interruptores. Há cuidados necessários para o uso do produto, entretanto: apesar do poder de combustão do álcool 70% ser menor do que o de grau 92%, ele pode causar intoxicação e queimaduras graves. Em forma líquida, o álcool 70% deve ser manipulado com atenção redobrada. Para evitar risco de explosão, mantenha-o longe de fontes de calor e evite deixar o produto dentro de veículos fechados.

Existem três tipos de álcool produzidos sob normas e registros diferentes na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): saneantes, cosméticos e medicamentos. O saneante, descrito nas embalagens como “desinfetante de uso geral”, deve ser usado apenas para a limpeza de superfícies, e nunca das mãos — de acordo com informações da Fiocruz, além de não ser eficaz, a versão saneante pode causar alergias. Para a higienização da pele e das mãos, deve ser utilizado o álcool em gel na versão medicamento ou cosmético.

3. Água sanitária

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A água sanitária é um dos coringas da limpeza doméstica, já que serve para limpar, tirar manchas e até desentupir pias e ralos. Mas é preciso atenção na utilização do produto, que pode causar reações alérgicas, intoxicações e ferimentos na pele. O primeiro passo é diluir a água sanitária, utilizando uma parte do produto para nove partes de água potável (ou conforme as instruções do fabricante descritas no rótulo).

Utilize luvas durante a manipulação para evitar o contato do produto com a pele e prevenir ressecamento, irritações e dermatites. Mesmo com luvas, lave bem as mãos com água e sabão após a utilização.

Allan Lopes, fundador e diretor global da HBC, afirma que o produto sanitizante não deve ser aplicado em ambientes fechados e com pouca ventilação. A água sanitária contém hipoclorito de sódio, que mesmo em baixa concentração, libera o gás cloro, que pode provocar irritação das vias aéreas, lacrimejamento e dores de cabeça, além de piorar um quadro asmático já existente. “A água sanitária deve ser empregada com cautela e seguindo à risca as orientações do fabricante que estão presentes no rótulo”, orienta. Em ambientes com pouca ventilação, como banheiros, usar máscara pode ser uma boa opção.

4. Nunca compre produtos clandestinos

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Antes de serem comercializados, os produtos de limpeza devem ser aprovados por um rigoroso controle de qualidade da Anvisa, que exige que as empresas desenvolvam produtos seguros e que dêem bom resultado. Produtos saneantes clandestinos, que são vendidos sem a permissão do Ministério da Saúde, podem causar sérios danos à saúde, além de não cumprirem o que prometem. Eles geralmente são vendidos por ambulantes ou em lojas de artigos para limpeza por preços mais baixos do que o valor de mercado. É o famoso caso do barato que sai caro.

“Os produtos saneantes clandestinos geralmente têm cores bonitas e atrativas, principalmente para crianças, e costumam ser vendidos em embalagens reaproveitadas de refrigerantes, sucos e outras bebidas. Esses produtos, quando ingeridos, podem causar sérios danos à saúde e até a morte”, alerta a Anvisa em cartilha informativa. Se estiver em dúvida sobre a autenticidade de um produto, confira se o rótulo contém a notificação da Anvisa ou número do registro no Ministério da Saúde.

5. Busque alternativas naturais

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Existem opções de desinfetantes biodegradáveis no mercado, que são menos agressivos para a saúde e para o meio-ambiente. “Eles são produzidos, em sua maioria, a partir de plantas, não oferecem prejuízos à saúde, são sustentáveis e responsáveis com os impactos no ciclo produtivo, que engloba desde as etapas de fabricação até a utilização em cada casa”, afirma Lopes.

Produtos orgânicos e naturais, como bicarbonato de sódio, vinagre branco, álcool e sabão de coco, também são alternativas para uma faxina mais segura. Para limpar vidros e espelhos, por exemplo, é possível utilizar 250 ml de água, 200 ml de álcool e 1 colher de sopa de vinagre branco. Para desengordurar superfícies, a prescrição é adicionar 500 ml de água, 2 colheres de sopa de vinagre e 5 colheres de sopa de bicarbonato de sódio.

Dicas extras:

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  • Guarde produtos de limpeza longe de alimentos, bebidas e medicamentos. 
  • Mantenha os produtos de limpeza fora do alcance de crianças e animais domésticos.
  • Siga as normas de segurança presentes nas embalagens.
  • Sempre armazene seus produtos em recipientes originais, com seus respectivos rótulos.
  • Utensílios domésticos (como colheres, copos e xícaras) só podem ser utilizados como medida para produtos de limpeza se forem reservados apenas para esse fim.
  • Produtos de limpeza devem ser utilizados em ambientes claros e arejados; alguns devem ser manipulados com luvas, máscaras e óculos de proteção.
  • Enxágue superfícies após a limpeza; caso contrário, os produtos químicos continuam agindo, o que pode desgastar ou danificar a área em que foram aplicados. 
  • Em caso de acidentes com produtos de limpeza, siga as orientações de socorro presentes no rótulo do produto. É importante levar o rótulo do produto ao médico.
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