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Cerâmica é usada por artesãos para criar peças de decoração, utilitários e bijuterias.
Cerâmica é usada por artesãos para criar peças de decoração, utilitários e bijuterias.| Foto: Rodrigo Ramirez / Divulgação

Se a cidade de Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, é referência quando o assunto é a produção em escala de louça em cerâmica, com cerca de 30 indústrias, Curitiba mostra uma outra possibilidade do trabalho com o material. Por aqui, a cerâmica é usada por artesãos para a fabricação autoral de peças utilitárias, decoração e moda. Um trabalho que tem sido cada vez mais apreciado e valorizado por consumidores em busca de peças exclusivas e que veem na produção artesanal uma forma de trazer arte e design para diferentes momentos do dia a dia.

Vasos, esculturas e peças de decoração transformam ambientes e trazem mais charme para os lares. Os acessórios, como brincos e pingentes, rompem com um padrão de uso de materiais nobres e delicados. Mas são os utilitários, com pratos, canecas, cumbucas e artigos de mesa, que mais atraem artesãos e consumidores. “Você pode fazer o que a tua criatividade permitir”, comenta a arquiteta e ceramista Dani Costa, da Arquitetura da Mesa, sobre as possibilidades que o trabalho com a argila proporciona. Para produzir peças tão diferentes, os profissionais adotam técnicas e processos variados, desde a modelagem à mão até o uso do torno.

O ponto comum é o entendimento de que o processo artesanal resulta em peças singulares, mesmo que os modelos possam ser repetidos, pois deixa marcas no que está sendo produzido – algumas das quais podem até ser transformadas em características de uma linha de peças.

Mercado crescente

O crescimento do mercado da cerâmica artesanal não é fácil de mensurar. Porém, de acordo com quem se dedica à atividade há alguns anos, o "boom” é recente e pode ser notado pela presença cada vez maior de marcas de cerâmica artesanal em lojas de objetos de design, feiras de produtos feitos à mão e também nas redes sociais. “Nos últimos dois ou três anos, apareceu bastante gente produzindo cerâmica e fazendo muita coisa bacana. E isso em um momento em que parecia haver um desinteresse e pouco incentivo”, diz o designer e ceramista Leo Aguiar, da La Oficina Cerâmica. Aguiar refere-se à não realização de eventos como o Salão Paranaense e o Salão Nacional de Cerâmica.

Mesmo com foco na cerâmica artística, eles serviram como incentivo à produção artesanal de artigos a partir da argila. As últimas edições de ambos os salões foram realizadas em 2016, quando também foi promovida a última exposição organizada pelo grupo Cerâmica Contemporânea Curitiba. Mesmo sem os eventos, o trabalho de divulgação da arte da cerâmica relacionado a eles parece ter plantado a semente do movimento visto hoje. Além disso, o crescimento do mercado “feito à mão”, associado a uma maior conscientização sobre consumo e à valorização de produtos locais também ajudou a fomentar o interesse das pessoas em trabalhar com o material e a comprar cerâmica. “Anos atrás, tínhamos um anseio pelos importados. Abriram as importações e fomos bombardeados, passamos a consumir muito mais. Daí veio toda essa questão do consciente, do vegano, da fashion revolution e parece que não queremos mais o industrial, que estamos todos suspirando pelo artesanal, pelo autoral”, reflete a ceramista Márcia Campetti.

Outro ponto entendido como um impulso para o mercado da cerâmica artesanal é o crescimento e a valorização de outros setores que utilizam produtos cerâmicos, como a gastronomia. “Em Curitiba, houve um crescimento no número de cafeterias e da preocupação dos restaurantes com a louça”, avalia a
ceramista Julie Inada.

Conheça (alguns dos) novos ceramistas curitibanos

ÁUREA DESIGN LAB

| Divulgação

Depois de anos trabalhando como analista de marketing, Calla Morais retornou ao design com sua marca de joias cerâmicas. Boa parte delas é feita em porcelana e pertence a alguma linha com características específicas que permitem a repetibilidade – embora, pelo trabalho artesanal, cada peça seja única. Perfil no Instagram: @aureadesignlab

ARQUITETURA DA MESA

| Kelly Gequelim / Divulgação

O nome entrega o foco do trabalho da marca: utilitários de mesa. Há uma linha, a esférica, que é mais “solta” e conta com peças que apresentam marcas da produção, como sobras e marcas de pano. Mas,
em geral, o trabalho segue linhas e formas geométricas mais puras. As peças são feitas em cores desenvolvidas pela própria ceramista Dani Costa. Perfil no Instagram: @arquiteturadamesa

ESTÚDIO BOITATÁ

| Rodrigo Ramirez / Divulgação

Estúdio que foca em peças escultóricas únicas inspiradas na natureza e com ar minimalista (poucas cores, argila aparente), mas produz algumas peças “comerciais” em série e louças mais artísticas para restaurantes. Comandado pela jornalista Dani Carazzai e pelo fotógrafo Rodrigo Ramirez. Perfil no Instagram: @estudioboitata.

ENTORNO CERÂMICA

| Divulgação

A marca trabalha com utilitários, desde os de cozinha até as louças de banheiro e artigos como porta-novelo. Há uma linha básica que sofre modificações – seja em detalhes ou na cor – com o passar do tempo. Julie Inada, que trabalhava como designer de móveis, comanda a produção. Perfil no Instagram: @entornoceramica.

MARTTI CERÂMICA

| Divulgação

A argila é o “material precioso” das joias – anéis, brincos, colares e pulseiras – produzidas pela arquiteta Márcia Campetti. Cada peça é idealizada e, por vezes, pré-projetada, mas o acaso tem papel fundamental na criação delas – e, a partir de então, o processo é repetido para a formação de conjuntos. Perfil no Instagram: @martti.ceramica.

MOSCA CERÂMICA

| Divulgação

A Mosca Cerâmica foca em utilitários de mesa, mas produz também outros produtos como incensário, cinzeiros, vasos para plantas e filtros de água. A marca, que é comandada por Paula Mosca, trabalha com as cores branco, preto, rosa claro e azul. Perfil no Instagram: @moscaceramica.

ROSALINA CORAZZA

| Divulgação

As peças produzidas pela ex-fotógrafa Rosalina Corazza seguem uma linha “utilitária artística”. A ideia é que as peças de mesa também sejam vistas como objetos de arte e apreciadas pela sua singularidade.
Ainda assim, a ceramista está desenvolvendo coleções que reúnem peças com características semelhantes. Perfil no Instagram: @corazzarosalina.

SPIRAL CERÂMICAS

| Divulgação

Cristina Odebrech trocou a medicina veterinária pela cerâmica para fazer vasos para ikebanas e plantas. Mais tarde passou a produzir também utilitários como pratos, cumbucas, açucareiros e moringas. Os produtos são, em geral, modelados à mão, apresentando um formato mais irregular. Perfil no Instagram: @spiralceramicas.

LA OFICINA CERÂMICA

| Divulgação

Sob comando do designer Leo Aguiar, o ateliê foca em utilitários de mesa desenvolvidos a partir de
requisitos e conceitos do design – inclusive a aceitação das marcas dos processos nas peças. Futuramente, deve desenvolver outros tipos de utilitário, como louça para banheiro. Perfil no Instagram: @laoficinaceramica.

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