Aprenda as técnicas do aquapaisagismo: a arte de transformar aquários em jardins submersos

Decoração e paisagismo se unem e levam a natureza para dentro de casa em composições impressionantes

Aquapaisagismo traz técnicas que transformam aquários em ecossistemas cheios de vida e alegria para a casa ou escritório. Foto: Albari Rosa / Gazeta do Povo

por Luciane Belin*

31/08/2019

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Além da contribuição para o bem-estar – já que pode ajudar a reduzir os níveis de estresse e ansiedade – ter um aquário dentro de casa tem se convertido em um elemento importante do paisagismo, já que incorpora diferentes tipos de vegetação, rochas e raízes em sua composição.

Mas não foi assim que tudo começou. Segundo o arquiteto Lucas Issey, da Y Arquitetos, os aquários ganharam espaço nas casas na década de 1920. “O Brasil ainda importava os gostos e maneirismos europeus e norte-americanos. Os cassinos, as grandes galerias, as mansões europeias foram carregadas pelo simbolismo e a cultura do excesso. Transportar todo um ecossistema para dentro de sua casa era um artigo de luxo.”

No projeto dos arquitetos Rodrigo Ramos e Marcia Bushinelli, o aquário é um objeto de contemplação que se contrapõe à paisagem urbana vista pela janela. Foto: Leandro Farchi / Divulgação

É mais recente o movimento que deu mais espaço aos aquários, agora com uma nova pegada, a do aquapaisagismo. Nele, “os peixes são coadjuvantes, eles têm que compor a paisagem”, explica Luca Galarraga, arquiteto e sócio da Aquabase, especializada neste tipo de paisagismo.

São centenas de opções e variedades de plantas em cores e tamanhos distintos, que podem ser aliadas a rochas, pedras e outros itens, criando composições. Quem opta por um aquário planejado a partir deste tipo de paisagismo seleciona um local de destaque, respeitando algumas exigências. “O aquário tem algumas limitações, como não ficar em locais muito claros. Devem ser usadas luminárias específicas, porque a iluminação interfere e pode trazer algas indesejadas.”

O aquário do médico Nelson Sales tem dois metros de comprimento e 700 litros de água, pesando cerca de uma tonelada. Fotos: André Rodrigues / Gazeta do Povo

Com isso em mente, o arquiteto Rodrigo Ramos, da Habitat Projetos Inteligentes, sugeriu a localização da peça em um dos projetos que assinou com Marcia Bushinelli. Sobre um móvel projetado para ocultar os equipamentos de manutenção, um aquário marinho de 1,7 m de largura se tornou a grande atração do espaço. “O cliente queria um elemento de contemplação da natureza dentro de casa, então instalamos o aquário do lado da porta de entrada, em uma altura confortável para quem está de pé. O espaço gourmet do apartamento tem uma vista bem urbana e a sala ganha aconchego com o aquário”.

Um ecossistema para chamar de seu

Em seu aquário de água doce, Dimitri Wiberg contempla uma grande variedade de plantas e peixes como o disco e o acará bandeira. Foto: Albari Rosa / Gazeta do Povo.

Muitos aspirantes a aquaristas começam sua procura pelo item pensando na versão com água salgada, mas os altos custos financeiros e de tempo dispensa dos com a manutenção podem ser um impeditivo. O sócio da Aquabetta, Mario Faria Jr., estima que, atualmente, não mais do que 15% dos seus clientes sejam adeptos dos aquários marinhos. “A água salgada impressiona mais, porque os animais são muito mais coloridos, mas este tipo de aquário costuma custar até quatro vezes mais do que os de água doce”.

A diferença se deve à maior quantidade de equipamentos para manutenção da salinidade da água, conforme explica Galarraga. “Nos aquários marinhos, quase tudo é criado artificialmente pelo aquarista – ele precisa fazer a água salgada através de sais e de filtros. E o aquário de água salgada é um meio mais instável” diz ele, exemplificando que, caso fique sem energia elétrica por cerca de quatro horas, os peixes podem começar a morrer. “Quando acaba a energia, as bombas de circulação que movimentam a água param de funcionar, então começa a não ter mais a oxigenação natural”.

Muito verde na composição dentro do aquário. As plantas são a base do aquapaisagismo, mais até do que os peixes. Foto: Divulgação / Aquabase.

Há, no entanto, quem encare o desafio, como o médico ortopedista Nelson Sales, que começou a apreciar o aquarismo marinho há mais de três décadas, mas que somente nos últimos sete anos pode manter o hábito, graças a uma mudança para uma nova casa. Hoje, seu aquário de 700 litros tem peixes compatíveis com corais, anêmonas, alguns caranguejos paguros, três tipos de corais, anêmonas e crustáceos, como o camarão. “É um hobby bastante prazeroso, que traz paz e, sem sombra de dúvida, compõe um ambiente muito bacana, apesar de ser caro e de demandar dedicação”.

Já o aquário de água doce tem na vegetação e na variedade de opções um de seus grandes diferenciais. Segundo Faria, há quase uma dezena de modelos possíveis. “Há diferentes condições físico-químicas na água entre um rio e outro, por isso, há grupos de peixes com necessidades diferentes, há os que gostam de água mais ou menos ácida, mais ou menos alcalina, por exemplo”.

A botânica é presença forte neste projeto assinadopela Aquabase, no qual o aquário de água doce é objeto de contemplação. Foto: Divulgação / Aquabase.

As espécies também variam entre opções como os peixes jumbo, king e os asiáticos, além de outras como as que o biólogo e aquarista Dimitri Wilberg tem em casa. “Temos várias plantas, todas naturais, e peixes acarás bandeiras, acarás discos e outros peixes pequenos”, conta. O aquário de dois metros de comprimento fica na sala, onde a peça pode ser vista logo que se entra na casa.

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*especial para a Gazeta do Povo

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