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Arranjos de flores secas estão em alta.
O trabalho com as flores desidratadas demanda paciência e delicadeza.| Foto: Samambaia do Brasil/Divulgação

Cultivar flores e folhagens dentro de casa não é mais tendência e sim moda consolidada. Mas nem todo mundo tem tempo (ou jeito!) para atender às necessidades das plantinhas — afinal, não basta apenas expô-las à luz e regá-las com frequência, é preciso saber as necessidades de cada espécie. Para quem deseja trazer a beleza das plantas, mas sem dispor do tempo que elas demandam, os arranjos secos são uma ótima opção. E não apenas por isso: entre os seus trunfos estão as possibilidades de customização e a longa duração. “Um arranjo natural vai ficar bonito por até uma semana, já os arranjos secos podem durar mais de um ano”, explica a florista Nati Nicz, que trabalha com arranjos de flores naturais, desidratadas e frescas.

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Para a florista, o crescente resgate dos arranjos desidratados emerge junto a um movimento de consumo consciente. “Você faz um evento, usa várias flores, mas o que será feito com elas depois?”, questiona Nati. O trabalho com as variedades desidratadas, então, possibilita o reuso dessas plantas — e a criatividade é o limite. Além de ficarem lindas em vasos, priorizando o volume ou na forma de uma única folha ou flor, elas podem ser transformadas em quadros, compor redomas de vidro, ser usadas em ramos soltos em bancadas ou paredes, em forma de cortina pendente e mais. Além das cores naturais, também é possível comprá-las tingidas, criando arranjos monocromáticos, multicoloridos, da forma que melhor combinar com a sua proposta de decoração.

Cuidados especiais

Ainda que demandem poucos cuidados, as flores desidratadas também têm algumas exigências: precisam ficar em espaços com pouca luminosidade e umidade. Assim, é desaconselhado usá-las em banheiros ou espaços com luz direta, tanto natural quanto artificial. “Isso faz com que as plantas percam a cor com mais rapidez”, explica Ana da Mata, proprietária da Lippia Flora, em São Paulo. Na loja, virtual e física, seu principal produto são os quadros feitos com plantas desidratadas. “A pergunta que mais me fazem é: quanto tempo dura o quadro?”, conta Ana. “Ele dura a vida toda. A questão é a cor. A gente não controla a natureza, então mesmo desidratada ela tem seu processo de decomposição, no qual as plantas vão perdendo a cor”.

Flores desidratadas pedem cuidados especiais.
Para manter a cor das plantas desidratadas, o segredo é deixá-las longe da luz direta, seja no processo de secagem ou no armazenamento.| Lippia Flora/Divulgação

Maryângela Negrão, design floral e proprietária do Samambaia do Brasil, atenta ainda para outra questão: o clima de Curitiba é naturalmente úmido, o que favorece o aparecimento de fungos e bolores. “Ela tem que estar em um lugar superventilado e a pessoa precisa estar atenta, observar se não há microorganismos”, pontua.

Tendo cuidado com o ambiente e atenção constante, as plantas desidratadas demandam pouca manutenção. Podem, inclusive, ser usadas em ambientes comuns, como hall de entrada, portaria e salões de festas em condomínios. Mas sua vocação parece mesmo ser contar histórias, criando, dentro de casa, uma decoração personalizada e cheia de afeto.

Diferentes flores compõem os arranjos.
O arranjo seco de Nati Nicz combina a beleza de diferentes flores.| Fernando Zequinão

Decoração afetiva

Na Lippia Flora, a maior parte das vendas são por encomenda — e a cada pedido os clientes trazem também uma história de vida. “Sempre tem uma história por trás. Uma cliente quer um quadro com orquídea porque foi a avó quem deu a flor, ou porque a planta fazia parte da infância, ou porque lembra alguém querido. E eu preciso criar um produto que proporcione bem-estar, leveza e faça sentido na vida dela”, explica Ana. Essa é outra vantagem das plantas desidratadas: a possibilidade de eternizar momentos, transformando uma memória, como um buquê de noiva, por exemplo, em uma peça de decoração afetiva.

Além disso, Maryângela aponta que ter em casa um pedacinho da natureza em outro ciclo é reverenciar a própria vida. “Quando a gente admira a natureza neste novo ciclo, também estamos nos autoadmirando. Filosoficamente, a flor desidratada para mim é uma ressignificação”, comenta a designer.

Processos

O tempo de desidratação de cada planta varia conforme o método: no micro-ondas, as flores podem secar em menos de 1 minuto, ao passo em que de forma natural, podem levar meses, dependendo da espécie desejada — uma costela de adão, por exemplo, pode demorar mais de 60 dias. Existem, ainda, outros métodos que usam areia, sílica gel, prensa, forno, entre outros. O que todos têm em comum é o zelo com a matéria-prima, que exige delicadeza no manuseio, um cuidado que reflete diretamente na qualidade do trabalho.

Processo de desidratação pode demorar meses.
Alcachofras em processo de desidratação no atelier de Maryângela Negrão. Ela explica: “nós comemos as alcachofras antes que floresçam”.| Samambaia do Brasil/Divulgação

Para quem deseja se aventurar no processo de desidratação em casa, a artesã Ana da Mata ensina algumas dicas.

Dicas para desidratar em casa:

Por Ana da Mata, da @lippia.flora

Dicas para desidratar flores.
Os quadros da Lippia Flora, realizados por Ana da Mata, emolduram elementos que remetem à decoração afetiva. A cada pedido há uma história entre o cliente e a flor escolhida.| Lippia Flora/Divulgação
  • Comece com plantas naturalmente mais secas, como avenca, eucalipto e lavanda;
  • Escolha um espaço arejado e escuro, como um lavado subutilizado;
  • Nesse espaço, faça um varal e coloque as plantas penduradas de ponta-cabeça. De longe, espirre spray fixador de cabelo para que a planta mantenha sua forma original e não desmonte;
  • Mantenha a planta desidratando por cerca de duas semanas, observando diariamente sua evolução. Quanto menos luz no ambiente, mais ela irá preservar sua cor;
  • Caso queira colorir artificialmente, busque tintas para plantas em lojas especializadas.
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