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Marca abrirá uma loja modelo em Curitiba em 2022.
Marca abrirá uma loja modelo em Curitiba em 2022.| Foto: Divulgação

Uma empresa familiar com meio século de história é também a primeira marca brasileira do segmento de mobiliário de luxo a obter o selo de carbono zero. E, agora, ela chega a Curitiba. A Breton anunciou recentemente a inauguração de sua primeira loja na cidade já no próximo ano, em 2022. A grife de mobiliário chega à cidade no primeiro semestre, com uma boutique pop up e, até o final do ano, prevê inaugurar um showroom completo na região da Alameda Carlos de Carvalho, com projeto a ser assinado pelo escritório Jayme Bernardo Arquitetura.

Em visita à fábrica da marca em São Paulo, a convite da própria, HAUS conversou com André Rivkind, CEO da Breton, e Daniel Pegoraro, diretor de produto, estilo e imagem da empresa, sobre os planos para a nova unidade em Curitiba e sobre a preocupação com a sustentabilidade e a inovação que a companhia vem apresentando nos últimos anos. Confira!

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A Breton já é uma marca consolidada no país e em Curitiba não é diferente. Agora, o que vocês podem adiantar da chegada da marca com loja física à cidade?

André: A empresa vem crescendo bastante. Nos últimos anos, fez um reposicionamento de marca importante, e nesse crescimento a gente vem buscando os mercados mais fortes do país para entrar. Acredito que Curitiba seja o mais forte em que ainda não estamos. Estamos estudando a entrada na cidade há bastante tempo, mas é um movimento que envolve pessoas, local, e eu acredito que agora chegou o momento. Ainda não posso falar sobre endereço porque a parte contratual não está finalizada. Mas vamos alugar um terreno ali nas proximidades da Carlos de Carvalho. Será uma loja grande e um ponto de referência da decoração e da arquitetura em Curitiba, na região Sul do país. Será uma loja modelo até mesmo para a nossa marca. Contudo, é uma loja que vai ter que ser construída do zero, teremos que demolir o prédio atual do terreno e fazer uma construção, e isso demora pelo menos cerca de dez meses.

Enquanto isso, vamos alugar um espaço de 250 m² para montar uma boutique, uma pop up. Neste espaço, iremos começar a receber os profissionais, os clientes, e começar uma história em Curitiba. Lá, vamos colocar as peças que são os diferenciais da Breton, as peças de designers brasileiros, o acabamento diferenciado da Breton, para que o público e os profissionais de Curitiba tenham um contato e comecem a sentir o gostinho da marca.

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Peças assinadas e com acabamento de alto padrão farão parte do mix de produtos da loja de Curitiba.| Divulgação

Como será a loja e qual a previsão de inauguração?

André: A boutique no começo do ano, e a loja para setembro. É uma loja de mais de 1.500 m². A Breton tem uma pegada de sustentabilidade muito forte, então, como vamos construir do zero, a ideia é fazer uma loja totalmente autossustentável em termos energéticos e hídricos.

Daniel: Tenho certeza de que vai ser uma experiência única, uma loja modelo para nós da Breton, com muita experiência de produto, sensorial, arte, gastronomia, um modelo diferenciado, no qual os curitibanos terão excelência no atendimento. Sabemos que a pessoa não entra na loja apenas para comprar uma cadeira ou um sofá, ela quer comprar a casa dela. A casa que ela vai levar para os filhos, o lar que ela vai criar, os valores que quer vivenciar. E essa experiência tem que ser deliciosa. Hoje, um cliente passa três, quatro, cinco horas, às vezes o dia todo dentro da loja. Então, tem que ser uma experiência especial.

Vocês também pensam em levar uma operação gastronômica junto da loja?

André: Tudo demanda aprovação, mas a ideia é ter um rooftop na loja com uma operação gastronômica. Ainda estamos estudando alguns parceiros. A ideia é ser um ponto de referência em Curitiba, um lugar para as pessoas frequentarem.

Pensando no mercado de Curitiba, como a Breton se posiciona e qual seria seu diferencial, ou seja, o que irá fazer com que ela se sobressaia no nosso mercado?

André: A Breton se propõe a ser a melhor loja do país, de móveis de alto padrão, para área interna, externa e acessórios de decoração. Dentro dessa proposta, ela se propõe a ter o melhor custo-benefício para o cliente. Isso é um diferencial de mercado muito grande, além de produtos exclusivos, com design próprio e [assinado] por designers renomados, arquitetos e estilistas, com acabamentos exclusivos e diferenciados. Tudo isso é o diferencial que a Breton oferece.

Daniel: Cada vez mais, eu acho que principalmente depois desse momento que todo mundo viveu muito dentro de casa, as pessoas começaram a dar um outro valor para o “estar” em casa. Não é só o olhar estético, é o olhar do respeito que a casa tem que ter. Um grande diferencial da Breton são sistemas sustentáveis, a busca por matérias-primas, fábricas, madeiras, couros, tecidos, tudo certificado. É todo um conjunto que carrega esse valor, para as pessoas estarem olhando a sua casa sabendo que há esse cuidado especial. Isso vai estar na minha casa, eu vou levar isso para a educação dos meus filhos, é uma preocupação não só com a casa interna, mas com a casa-planeta, onde todos nós vivemos. Isso se perpetua em todos os detalhes. O curitibano vai poder ter a experiência do jeito Breton de receber.

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A busca por matérias-primas certificadas e sustentáveis está entre os diferenciais da Breton.| Divulgação

Pode comentar um pouco mais sobre as possibilidades de customização da marca? Sabemos que os profissionais encontram certa dificuldade ou, como alguns pontuaram, um investimento muito mais elevado do custo dos projetos para conseguir concretizar isso para o cliente. A Breton tem uma forma diferente de lidar com essa questão da customização e uma abertura maior para isso? Por que vocês investiram nisso e por que é importante?

André: A Breton foi a primeira empresa do país a customizar produtos, isso já há muito tempo. Acreditamos que o cliente, quando está montando uma casa, ou um profissional, quando está executando um projeto, têm que incutir o DNA, o sonho e o desejo deles nesse projeto, e nós estamos aqui para servir, para entregar esse sonho e desejo, e não o contrário. Então, o cliente visita o showroom, ele gosta daquela peça, mas ele quer em outra cor, em outro tamanho, às vezes é redonda e ele pede para fazer oval; enfim, queremos que o cliente realize aquilo que ele planejou, e aí internamente a gente se desdobra para entregar o sonho do cliente.

Para isso, vocês têm uma produção fabril, em série, mas sem deixar de lado o trabalho artesanal. Percebemos que em toda a planta da fábrica, em todos os setores, tem o fazer manual, o toque humano nas etapas de produção da peça. Por quê?

André: Por mais tecnologia que tenha na fábrica, o nosso produto é extremamente artesanal. Ele passa pela mão de pelo menos trinta, quarenta pessoas, até ficar pronto. A tecnologia serve para ganhar precisão e um pouco de produtividade, mas o diferencial do produto está na mão do marceneiro, na mão do pintor, ele é muito artesanal e por isso investimos muito nessas pessoas.

Breton

Vocês também comentam bastante sobre o talento e a qualidade do design brasileiro. A Breton tem uma carteira grande de designers já assinando peças para a marca e ela vem crescendo cada vez mais. Como vocês avaliam o design brasileiro, hoje?

André: O brasileiro costuma ter o complexo de que o que é de fora é melhor. Isso não é só no design, isso é em todas as áreas. Você vê na moda os estilistas brasileiros darem um show, não ficam devendo nada para os italianos, para ninguém. Cada um tem seu estilo. Isso acontece no design também. Acho que há cinco, dez anos, o pessoal despertou para isso e começou a ver que existem talentos incríveis aqui dentro, dos nossos designers e arquitetos. Lá fora, o pessoal já olhava. Agora nós começamos a olhar para isso e investir nesse pessoal, porque eles têm uma capacidade criativa imensa, e nós temos que entender que cada local tem a sua característica. Um não é melhor que o outro. O produto brasileiro, hoje, é visto com bons olhos no mundo inteiro porque o design brasileiro está dando um show.

O tema sustentabilidade está sendo muito discutido e as empresas têm apresentado alternativas para reduzir o impacto negativo de suas produções. Vocês já vêm nesse movimento de longa data, com resultados concretos, como o selo carbono zero. Qual é o futuro da Breton nesse sentido da sustentabilidade?

André: O que muda o mundo são as nossas atitudes e as das pessoas que estão à nossa volta. A Breton acredita que é nossa a obrigação de cuidar do nosso planeta. As próximas gerações que virão têm que ter um planeta habitável. Então, lá em 2016, assumimos esta responsabilidade, quando criamos um projeto chamado EcoBreton. Ele se dividiu em três etapas. Primeiro, o Desafio Mobiliza Breton, em parceria com uma ONG chamada Visionários. Promovemos um concurso para criar uma empresa que fosse responsável por promover o reuso de sobras da fábrica e reduzir o descarte e o volume de lixo. Foi muito bacana, essa empresa existe até hoje e usa resíduos na sua produção. Depois, fomos para o desafio de neutralizar o carbono das nossas impressões. Então, toda a propaganda que era feita, era compensada com a plantação de um determinado número de árvores. Logo depois, criamos o projeto Meu Metro Quadrado, que vem desde 2016, em que, para cada pedido, em parceria com a ONG Iniciativa Verde, a Breton refloresta um metro quadrado da Mata Atlântica. Já foram quase 35 mil metros quadrados nesse período. Além disso, também temos um programa de reciclagem, em que toda embalagem que vai para a casa do cliente é trazida de volta e reciclada. Por fim, neste ano, chamamos a ONG The Planet para colocar em prática nosso desejo de ser uma empresa carbono zero. E, para nossa grande surpresa, no processo de reciclagem e no projeto Meu Metro Quadrado nós já neutralizamos todo o carbono emitido. Graças a isso, recebemos o selo Carbono Zero da The Planet.

A partir daí, criamos o projeto Transformação, que é um conjunto de ações a serem implementadas até 2030, que não serão só sobre o carbono. Iremos usar também todos os tecidos, passar tudo isso para a nossa cadeia de fornecimento. Haverá um plano de reciclagem de lixo da casa dos nossos funcionários, para que eles coletem lá dentro e tragam para cá, ou seja, começar a expandir as ações. Acreditamos que, assim, envolvendo os funcionários e suas famílias, conseguiremos reverberar esses projetos.

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Marca abrirá uma loja modelo em Curitiba em 2022.| Divulgação

Na DW! 2021, conhecemos o projeto de peças em couro rastreável. O que significa este termo?

André: A Breton está fazendo uma parceria com a Leather Labs, uma empresa de couro do grupo JBS, que têm um couro rastreável desde o início da vida do boi. Então, ele se chama um couro sustentável porque você tem todo o processo de tratamento, quanto de carbono gastou para fazer aquele couro, você tem toda a rastreabilidade do couro até ele chegar a algum produto.

Na DW! vocês também anteciparam algumas novidades, mas o que mais o público pode esperar da Breton em termos de lançamentos?

Daniel: Os lançamentos da Breton vão acontecer em março, provavelmente no dia 29. Até lá, já teremos tido este primeiro contato com os clientes curitibanos e estaremos com essa nova coleção maravilhosa, realmente reforçando mais ainda o design brasileiro. São colaborações da Glória Coelho, como um preview que a gente trouxe na DW!, e nomes como o arquiteto Diego Revollo, o estúdio Linda Martins, a Choque Design, que vão estrear na marca com muita força, e nomes já consagrados que já colaboram com a Breton, como a Ana Mendes da Rocha, filha do Paulo Mendes da Rocha, Carol Gay, Fetiche Design, que é de Curitiba, e Fernanda Marques.

*A repórter viajou à convite da marca.

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