15 salas lindas e práticas decoradas com estantes multiuso

Aliada na organização da casa, a peça mantém tudo no lugar e ainda ajuda a contar a história dos moradores

Diante de um armário embutido em madeira nobre caviúna, Maurício Arruda resolveu reaproveitar o móvel e criar uma estante a partir dele. “É uma forma de preservar a memória do local.” Feita em MDF revestido em madeira natural ebanizada, com sete metros de comprimento e nichos para os dois lados, ela atende a sala e a cozinha. Foto: Fran Parente/Divulgação

Diante de um armário embutido em madeira nobre caviúna, Maurício Arruda resolveu reaproveitar o móvel e criar uma estante a partir dele. “É uma forma de preservar a memória do local.” Feita em MDF revestido em madeira natural ebanizada, com sete metros de comprimento e nichos para os dois lados, ela atende a sala e a cozinha. Foto: Fran Parente/Divulgação

por Mariana Domakoski*

03/03/2018

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Uma estante cresce sobre qualquer parede a fim de quebrar a monotonia minimalista, esvaziar baús e mostrar a cara de quem mora ou usa o lugar em que ela está. Às vezes, ela sozinha, cheia de design e bossa, decora um ambiente, transformando sofás e mesas em coadjuvantes. Mas, de fato, não há como renegar seu talento principal – a organização.

Segundo a escritora japonesa e consultora em arrumação Marie Kondo, autora do bestseller Isso me traz alegria – Um guia ilustrado da mágica da arrumação, a vida só começa, de fato, depois que você organiza sua casa. E nada melhor do que uma estante para ajudar na tarefa, afinal, ela agrega tudo em um mesmo lugar, separa por categorias e deixa as coisas ao alcance dos olhos. “Elas permitem restringir o mobiliário ao necessário, porque aceitam vários tipos de objetos”, afirma a arquiteta Ana Carolina Boscardin.

Para acertar na escolha e na decoração da estante e tirar o maior proveito de suas capacidades funcionais, é preciso definir qual será seu papel decorativo, separar ambientes ou servir de apoio, por exemplo. Aí vêm as tarefas de escolher o que se deseja mostrar, esconder e definir por meio de uma brincadeira volumétrica, espaços para as coisas. “Além da estrutura da estante, caixas, gaveteiros e outros móveis soltos acabam virando parte da peça”, comenta o arquiteto Tiago Campetti.
Outra questão é avaliar o local onde a estante será colocada: é um ambiente espaçoso ou um cantinho? Deve-se considerar também os acabamentos, para que não haja conflito. “A estante geralmente é grande. Por isso, considere o revestimento de grandes áreas, como piso e paredes”, aconselha o arquiteto Maurício Arruda.

Como testemunha

Mas além de organizar os objetos do dia a dia, as estantes são boas companhias na hora de cada um falar de si mesmo, funcionando como suportes para todo esse universo. Ao olhar para um porta-retrato com foto da família em outro país, um boneco de madeira que foi presente de um amigo ou mesmo um vaso com as flores preferidas, a mente imediatamente revisita momentos e sensações. Para compor, o segredo é não ter medo – nem vergonha – de fazer combinações com esses pedaços de vida. “É mais interessante trabalhar com esses objetos mais simbólicos, que têm mais para contar, do que ficar decorando a casa com artigos que não fazem parte da nossa história”, reflete Arruda. É por esse mesmo motivo que o arquiteto Edgard Corsi nunca finaliza uma decoração. “É legal deixar espaço para que o cliente traga suas coisas para o projeto”.

Na parede toda

Muitas coisas para organizar e guardar pedem estantes com espaço generoso. E, ao invés de ter várias delas, há projetos que trazem apenas uma, ocupando paredes inteiras de um único ambiente ou mesmo extravasando os limites desse ambiente, atendendo mais de um cômodo de uma vez.

O piso térreo de um apartamento duplex em São Paulo ganhou cara nova depois que o arquiteto Guilherme Torres resolveu “vestir” o lugar com uma estante de parede inteira. Feita em MDF e revestida com folha de carvalho, com nichos abertos e fechados, ela atende e integra cozinha e sala de jogos. Foto: Denilson Machado (MCA Studio)/Divulgação

O piso térreo de um apartamento duplex em São Paulo ganhou cara nova depois que o arquiteto Guilherme Torres resolveu “vestir” o lugar com uma estante de parede inteira. Feita em MDF e revestida com folha de carvalho, com nichos abertos e fechados, ela atende e integra cozinha e sala de jogos. Foto: Denilson Machado (MCA Studio)/Divulgação

Para comportar o acervo de livros de um escritório de advocacia, as arquitetas Olga Bergamini, Karin Neitzke e Danielle Bragagnolo desenharam essa estante em MDF de parede inteira, com volumes e profundidades variadas. Foto: Marcelo Stammer/Divulgação

Para comportar o acervo de livros de um escritório de advocacia, as arquitetas Olga Bergamini, Karin Neitzke e Danielle Bragagnolo desenharam essa estante em MDF de parede inteira, com volumes e profundidades variadas. Foto: Marcelo Stammer/Divulgação

Um mundo de coisas

Espaços diferentes para objetos e necessidades diferentes. De tudo um pouco em um mesmo móvel. Essa é a premissa de estantes que possuem aberturas diversas, capazes de abraçar desde livros e vasos até gaveteiros e adegas. E se engana quem pensa que elas precisam ser altas.

Na sala de jantar dos clientes de Ana Carolina e Corsi, as diferentes alturas das prateleiras garantem funcionalidade total. Os materiais do móvel - ferro e MDF - e do painel ao fundo - madeira de demolição - foram repetidos no outro ponto de fuga do ambiente. Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

Na sala de jantar dos clientes de Ana Carolina e Corsi, as diferentes alturas das prateleiras garantem funcionalidade total. Os materiais do móvel – ferro e MDF – e do painel ao fundo – madeira de demolição – foram repetidos no outro ponto de fuga do ambiente. Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

Para acomodar livros, objetos, equipamentos e eletrodomésticos em uma sala pequena, em que não havia muita distância entre o sofá e a parede oposta, Arruda criou uma estante em MDF laqueado branco de meia parede. “A ideia foi aproveitar espaço não para cima, mas para os lados”, diz. Foto: Victor Affaro/Divulgação

Para acomodar livros, objetos, equipamentos e eletrodomésticos em uma sala pequena, em que não havia muita distância entre o sofá e a parede oposta, Arruda criou uma estante em MDF laqueado branco de meia parede. “A ideia foi aproveitar espaço não para cima, mas para os lados”, diz. Foto: Victor Affaro/Divulgação

Com estrutura de andaime e prateleiras feitas com compensado naval, a estante desenhada pelo Estúdio Campetti tem espaços para diversos objetos e equipamentos, o que facilita o cotidiano em um local de trabalho. O móvel não é fixo, mas encaixado entre o teto e o piso, o que permite que seja desmontado e levado para qualquer lugar. Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

Com estrutura de andaime e prateleiras feitas com compensado naval, a estante desenhada pelo Estúdio Campetti tem espaços para diversos objetos e equipamentos, o que facilita o cotidiano em um local de trabalho. O móvel não é fixo, mas encaixado entre o teto e o piso, o que permite que seja desmontado e levado para qualquer lugar. Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

Organizando tudo

Além de deixar todos os objetos no lugar, as estantes também conseguem organizar espaços. “Em geral pensamos nesse móvel encostado na parede, mas ele pode dividir ambientes, criar privacidade”, afirma Arruda. E as que têm vista para os dois lados são as mais indicadas para a tarefa. Normalmente pensadas para escritórios, adaptam-se a outros ambientes também, como a cozinha integrada ao living.

Neste projeto, Arruda usa a estante para redividir o ambiente. Feita em compensado com revestimento em laminado branco, ela atende a cozinha e a sala do apartamento, formando um limite entre as duas áreas. Foto: Victor Affaro/Divulgação

Neste projeto, Arruda usa a estante para redividir o ambiente. Feita em compensado com revestimento em laminado branco, ela atende a cozinha e a sala do apartamento, formando um limite entre as duas áreas. Foto: Victor Affaro/Divulgação

Fixada no piso e no teto, a estante de vidro e alumínio tem aspecto leve e divide ambientes, como um home office de um living, por exemplo. O laranja confere um elemento surpresa. “O legal é usar cor onde não se espera, como em móveis: uma estante ou uma mesa colorida”, diz Arruda. Foto: Gianni Antoniali/Divulgação

Fixada no piso e no teto, a estante de vidro e alumínio tem aspecto leve e divide ambientes, como um home office de um living, por exemplo. O laranja confere um elemento surpresa. “O legal é usar cor onde não se espera, como em móveis: uma estante ou uma mesa colorida”, diz Arruda. Foto: Gianni Antoniali/Divulgação

Fundos especiais

Estante não é coisa apenas de grandes paredes e ambientes espaçosos. Cantinhos como o final de um corredor ou um hall de entrada também podem receber o móvel e acomodar pequenos objetos. E como o espaço não vai permitir algo grandioso, dê atenção especial ao fundo, usando algum revestimento que destaque toda a estrutura.

Vergalhões de construção fixos no piso e no teto e chapas de compensado naval formam a estante criada pelo Estúdio Campetti. Instalada em uma pequena parede de um porão, foi ambientada como uma sala de música, mas poderia ser uma opção para “um espaço pequeno como um fundo sem uso de corredor”, aponta Tiago Campetti. Por ser um porão, o lugar tinha uma atmosfera fria e pedia um toque de aconchego, garantido pelo painel feito com pastilhas de madeira ao fundo da estante. Outro toque que faz a diferença é a luz vinda de vários pontos. “O jogo de iluminação resultante e os vergalhões criam um clima interessante, muito mais do que se a luz fosse direta”, afirma ele. Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

Vergalhões de construção fixos no piso e no teto e chapas de compensado naval formam a estante criada pelo Estúdio Campetti. Instalada em uma pequena parede de um porão, foi ambientada como uma sala de música, mas poderia ser uma opção para “um espaço pequeno como um fundo sem uso de corredor”, aponta Tiago Campetti. Por ser um porão, o lugar tinha uma atmosfera fria e pedia um toque de aconchego, garantido pelo painel feito com pastilhas de madeira ao fundo da estante. Outro toque que faz a diferença é a luz vinda de vários pontos. “O jogo de iluminação resultante e os vergalhões criam um clima interessante, muito mais do que se a luz fosse direta”, afirma ele. Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

Projetada pelas arquitetas Mariana Stockler e Carolina Posanske, essa estante de madeira feijó foi instalada sobre painel de espelho, para ampliar o ambiente. Foto: Rodrigo Ramirez/Divulgação

Projetada pelas arquitetas Mariana Stockler e Carolina Posanske, essa estante de madeira feijó foi instalada sobre painel de espelho, para ampliar o ambiente. Foto: Rodrigo Ramirez/Divulgação

Desconstrução

Se o espaço é pequeno ou se pede algo mais leve, uma boa opção é a desconstrução da estante. O resultado é uma brincadeira volumétrica entre nichos e armários que, com sutileza, mostram e escondem os itens de acordo com a vontade e necessidade do usuário.

No home-office integrado ao living, a designer Giovana Kimak e o arquiteto Andre Largura retiraram uma parede e desconstruiram a estante para não pesar demais no ambiente pequeno. Os armários fechados servem para guardar o que não se quer mostrar e o apoio fica a cargo da estante em metal de Pedro Useche. Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

No home-office integrado ao living, a designer Giovana Kimak e o arquiteto Andre Largura retiraram uma parede e desconstruiram a estante para não pesar demais no ambiente pequeno. Os armários fechados servem para guardar o que não se quer mostrar e o apoio fica a cargo da estante em metal de Pedro Useche. Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

Estante multifuncional atende o bar e a adega, além de comportar louças e livros. O equilíbrio, segundo Ana Carolina e Corsi, acontece com o fundo, feito em madeira natural, que garante um toque mais sério. Fotos: Eduardo Macarios/Divulgação

Estante multifuncional atende o bar e a adega, além de comportar louças e livros. O equilíbrio, segundo Ana Carolina e Corsi, acontece com o fundo, feito em madeira natural, que garante um toque mais sério. Fotos: Eduardo Macarios/Divulgação

Na sala de estar integrada à de jantar, Ana Carolina e Corsi dividiram a estante em oito partes iguais e suprimiram três, além de instalarem gavetas invisíveis na bancada em MDF, dando leveza e funcionalidade ao móvel.

Na sala de estar integrada à de jantar, Ana Carolina e Corsi dividiram a estante em oito partes iguais e suprimiram três, além de instalarem gavetas invisíveis na bancada em MDF, dando leveza e funcionalidade ao móvel.

Em módulos

Uma das principais características da estante em módulos é a capacidade de se transformar. Ela pode ora estar com todas as partes juntas, formando um conjunto único, ora estar com as partes separadas, por poucos centímetros de distância ou em cantos totalmente opostos do ambiente. Esse desdobramento permite uma infinidade de mudanças, de acordo com as necessidades do usuário.

Todos os livros de um colecionador, cliente de Guilherme Torres, ficam organizados na estante formada por quatro módulos. Com desenho simples, ela também funciona como um pedestal, acomodando as miniaturas dos integrantes da banda norte-americana de rock Kiss. Foto: Lufe Gomes/Divulgação

Todos os livros de um colecionador, cliente de Guilherme Torres, ficam organizados na estante formada por quatro módulos. Com desenho simples, ela também funciona como um pedestal, acomodando as miniaturas dos integrantes da banda norte-americana de rock Kiss. Foto: Lufe Gomes/Divulgação

Composta por três unidades iguais, a estante em MDF e melamínico criada por Ana Carolina e Corsi atua como um elemento vertical em uma sala integrada com predominância de linhas horizontais. Espaços com e sem fundo criam um jogo de relevância no móvel: dependendo da cor do objeto, ganha mais destaque em um nicho ou em outro. A luminária cria efeitos nas prateleiras e na parede. Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

Composta por três unidades iguais, a estante em MDF e melamínico criada por Ana Carolina e Corsi atua como um elemento vertical em uma sala integrada com predominância de linhas horizontais. Espaços com e sem fundo criam um jogo de relevância no móvel: dependendo da cor do objeto, ganha mais destaque em um nicho ou em outro. A luminária cria efeitos nas prateleiras e na parede. Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

* especial para HAUS

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— publicada  originalmente em 17 de fevereiro de 2017. —

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