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Arte manual

Fazendo história ponto a ponto: conheça o trabalho de restauração de tapetes

  • PorLuciane Belin, especial para HAUS
  • 10/03/2020 09:02
Foto: Fernando Zequinão
Foto: Fernando Zequinão| Foto: Fernando Zequinão

Lavar, escovar, hidratar. Observar atentamente à procura das falhas, encontrar a cor e a tonalidade correta da lã, refazer cada traço do desenho original, linha a linha, traço por traço. O trabalho de lavagem e recuperação de tapetes orientais realizado pela restauradora Sônia Zibetti Da Rita pode ser
comparado com o de uma restauração de uma pintura ou escultura.

Foto: Fernando Zequinão
Foto: Fernando Zequinão| Fernando Zequinão

É a atenção aos minúsculos detalhes que faz com que o resultado final seja uma peça renovada. Mais do que limpar e consertar, o objetivo é retornar as peças ao seu aspecto original – ou devolvê-las à vida e dar brilho, nas palavras da própria Sônia. Foi assim que a sua empresa familiar, a Pazyryk, conquistou espaço de mercado, não somente em Curitiba e no Paraná, mas em todo o país e até no exterior.

Batizada em homenagem ao tapete mais antigo de que se tem conhecimento no mundo, uma peça persa datada de cerca de 500 anos a. C., a empresa começou com o trabalho autodidata da fundadora, mas se transformou em uma tradição familiar com uma formação inusitada.

Foto: Fernando Zequinão
Foto: Fernando Zequinão| Fernando Zequinão

Com a parte de restauração dividida com o filho Jonas Zibetti Silva, ela compartilha o negócio também com o atual esposo, André Marques Da Rita, e com o ex-marido Cícero Jerônimo da Silva, responsáveis por atividades de logística e higienização das peças de tapeçaria.

Os pontos são desfeitos e refeitos reproduzindo a técnica com que os tapetes foram originalmente construídos. Das primeiras vezes em que manuseou linha e agulha até agora, já se passaram 35 anos. Desse tempo, por uma década ela esteve em Genebra, na Suíça, para onde foi em busca de um período sabático longe dos tapetes, mas acabou por aperfeiçoar as técnicas de restauração que já utilizava por aqui, trabalhando na Baechler, uma das maiores do mundo no segmento.

Foto: Fernando Zequinão
Foto: Fernando Zequinão| Fernando Zequinão

Hoje, tocar em um tapete é suficiente para Sônia saber exatamente de que tratamento ele precisa. “Cada tipo tem uma necessidade de lavagem, cada ponto demanda uma técnica de restauração diferente. Muitas vezes, as peças chegam com algumas falhas e, ao restaurar, encontramos outras, então precisamos primeiro fazer o diagnóstico, encontrar a linha e a cor certas, para então fazer o restauro, mas isso só depois que ele estiver limpo e hidratado”, reforça.

Depois de lavado, o tapete passa por uma centrífuga de 4,5 metros de comprimento que foi projetada pela própria família, a partir de um modelo que André encontrou na Turquia. Mesmo assim, uma peça pode levar de um dia até uma semana para secar completamente, dependendo do clima, do tipo de tecido e do tamanho. Somente depois é que começa a recuperação.

Foto: Fernando Zequinão
Foto: Fernando Zequinão| Fernando Zequinão

As falhas, manchas e buracos, resultados de danos causados por líquidos que não secaram direito, mofo, traças, entre outros, são marcadas por pedaços de fita crepe e é aí que começa a parte mais artística do trabalho. Cortam-se os excedentes, buscam-se as lãs corretas e o tapete é disposto em uma mesa de trabalho em que Sônia refaz os pontos desfeitos, reproduzindo a técnica artesanal com que os tapetes foram originalmente construídos. Os danos mais frequentes, segundo Jonas, são nas franjas e nas laterais dos tapetes, que estão mais vulneráveis ao tempo.

As peças, por sua vez, vêm de todos os cantos e são feitas de todos os tipos: tapeçaria persa, indiana, paquistanesa, chinesa e até mesmo francesa. São tapetes tecidos com pontos que vão do panô bordado nos anos 1950 até o ponto turco, paquistanês ou hamadan, feito mais de cem anos atrás.

Foto: Fernando Zequinão
Foto: Fernando Zequinão| Fernando Zequinão

Do momento em que chegam à empresa até a finalização do trabalho, o restauro costuma levar entre um e dois meses, de acordo com o tamanho e a complexidade. “Para refazer uma falha com cerca de 15 cm eu levo um mês inteiro, trabalhando cerca de seis horas por dia, se for uma trama mais difícil”, conta Sônia .

Foto: Fernando Zequinão
Foto: Fernando Zequinão| Fernando Zequinão
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