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Minimalismo, niksen, hygge, urban jungle: decoração afetiva que traz conforto para dentro de casa

  • PorIsadora Rupp*
  • 28/01/2020 09:00
Foto: Letícia Akemi/HAUS
Foto: Letícia Akemi/HAUS| Foto: Leticia Akemi

A intensa urbanização criou a necessidade de refúgios, rituais e outros hábitos para tentar escapar do estresse e do excesso gerado por esse desenvolvimento sem precedentes. Essa mudança influencia diversas áreas da vida, e a arquitetura e a decoração não ficam imunes. O que se vê é uma busca por tornar nossa casa mais confortável, um espaço de reconexão com nós mesmos, a natureza e os entes queridos.

Conceitos como o niksen, influência holandesa que exalta o “fazer nada”; o hygge, que se pronuncia “rúga” e preza pelo conforto e bem-estar), além dos já mais conhecidos minimalismo e o urban jungle – a tendência de ter muitas plantas dentro de casa – estão cada vez mais presentes nos projetos arquitetônicos e dentro do lar, mesmo que não seja de forma literal. “Vivemos em uma época que buscamos a ideia do conforto em casa por uma questão de bem-estar. Nos anos 1970, ele era deixado de lado em nome da estética, enxergávamos isso na própria Bauhaus. Hoje, ele não é mais uma coisa
secundária”, acredita a business designer, especialista em design emocional e pesquisadora de macrotendências, Glaucia Binda.

Aprenda com os escandinavos

Mesmo com um clima hostil e de pouquíssimo sol, a Dinamarca é o segundo país mais feliz do mundo, segundo relatório do World Hapiness Report 2019, que avalia uma série de fatores sociais e econômicos para chegar ao “IDH da felicidade”. A sensação de segurança, apoio social e percepção de liberdade são os principais fatores para se chegar a esse resultado, mas os dinamarqueses também incorporam truques em seus lares para se manterem bem-humorados – mesmo com a falta de luz solar. Por isso, candelabros, luminárias e elementos que remetem ao aquecer (como as mantas, por exemplo) , são usados na decoração hygge. “Há designers no país que ficaram famosos pela criação de lâmpadas e candelabros. É algo que eles usam muito”, conta Glaucia.

Foto: Bender Arquitetura/Divulgação
Foto: Bender Arquitetura/Divulgação| Nenad Radovanovic

Outra característica forte do conceito é reunir pessoas, transmitir aconchego aos seus amigos e familiares e ter locais na casa que promovam essa união. É o caso das cozinhas abertas e incorporadas
ao ambiente da sala. No Brasil, exemplifica Glaucia, a churrasqueira é algo que está ligado ao movimento dinamarquês, pois o ritual envolve reunião de mais pessoas, dedicação do anfitrião e o calor promovido pelo fogo. No caso do niksen, a tendência é comportamental apenas, explica a designer. “Na Holanda, que é o país de onde vem esse conceito, a produtividade é uma das maiores do planeta. Em função disso, se tem a ideia de que é necessário parar um pouco, respirar e olhar o nada até alcançar uma atividade cerebral mínima. E isso a gente consegue fazer em qualquer lugar, não só em casa. Mas, claro, fazer isso em casa é muito melhor”.

A própria Glaucia tem um momento niksen todos os dias: gosta de tomar o seu café da manhã contemplando a Praça do Japão (no bairro Água Verde, em Curitiba,onde mora) da sacada do apartamento. Logo, ensina ela, é possível reservar um espaço do lar para esse ritual, e ligar um local/objeto com esses minutos de ócio.

Foto: Fernando Zequinão/HAUS
Foto: Fernando Zequinão/HAUS| Fernando Zequinão

Na opinião do arquiteto e professor do Centro Europeu, Felipe Bender, essas concepções sempre estiveram presentes, mas a maior necessidade de reconexão e busca por conforto veio depois do uso intenso dos smartphones, das redes sociais e de aplicativos de trocas de mensagens como o Whatsapp, que acabaram criando um senso de urgência para todas as tarefas cotidianas. “Não nascemos usando o celular. Esses estilos estão mais fortes porque as pessoas estão dando menos valor ao material e mais importância a ter tempo, estar em casa, controlar a ansiedade. Por isso, os profissionais da arquitetura precisam olhar cada vez mais para as pessoas, e não só para a questão estética”.

Arquitetura afetiva

Ouvir as demandas dos clientes e deixar presente no lar os hobbies e gostos pessoais, além de trabalhar texturas, plantas e cores que remetam a elementos da natureza, são alguns aspectos da chamada arquitetura afetiva, que tem como principal objetivo criar um local que traga felicidade ao morador, o que se conecta diretamente ao hygge. O apartamento garden de 262 m² e 13 ambientes integrados, projetado pela arquiteta Alessandra Gandolfi, é um bom exemplo. Na área social externa, a profissional criou espaços de convívio como horta e local para as crianças brincarem, além de unir churrasqueira, sala de jantar e estar. “Espaços integrados e presença de plantas e jardins são demandas cada vez mais frequentes entre os clientes. Todo mundo quer aconchego, vivemos em um mundo atribulado. Em casa, você quer se reconectar com a família, com o parceiro” fala Alessandra. A iluminação indireta e outros elementos confortáveis na decoração do apartamento, como as mantas nos sofás, também remetem ao estilo escandinavo.

Foto: Fernando Zequinão/HAUS
Foto: Fernando Zequinão/HAUS| Fernando Zequinão

Os objetos afetivos – aquele móvel que era da sua avó – ou itens de decoração que se relacionem com experiências importantes também pertencem ao modo hygge de viver. Em um projeto residencial da Bender Arquitetura, Felipe deixou em destaque e valorizou a estante do apartamento, que exibe várias lembranças que a sua cliente traz de suas viagens pelo mundo. “É possível fazer isso de um modo contemporâneo e contemplar esses elementos, como um móvel que foi da avó, dentro do projeto. As cores que víamos muito em banheiros de vó, como rosa, azul e verdes claros também estão fortes, e se relacionam com essa parte afetiva”, ressalta Filipe.

Objetos afetivos, como um móvel herança da família, são valorizados no hygge. Felipe Bender valorizou na sala a estante da cliente, repleta de lembranças de viagens pelo mundo. Crédito: Bender Arquitetura/Divulgação.
Objetos afetivos, como um móvel herança da família, são valorizados no hygge. Felipe Bender valorizou na sala a estante da cliente, repleta de lembranças de viagens pelo mundo. Crédito: Bender Arquitetura/Divulgação.| Nenad Radovanovic

O essencial

Ter o mínimo de roupas e objetos é atônica do minimalismo, movimento que tem se tornado popular, seja entre os milionários do Vale do Silício, os nômades digitais ou mesmo na vida de pessoas comuns, que aos pouco passam a aplicar esse conceito ao seu dia a dia.

Em sua definição estrita, o minimalista não tem nada além do que precisa (mesmo). Na arquitetura e no design, se olhado de forma rígida, peças únicas, linhas geométricas e ambientes monocromáticos contemplam essa estética, esclarece Felipe Bender. Porém, o minimalismo vem sendo aplicado em apartamentos e casas de uma maneira menos radical: é possível ter uma casa menor e com menos objetos e, ao mesmo tempo, gostar de móveis e elementos rústicos, por exemplo. “Isso é mais contemporâneo”, ressalta o professor.

Foto: Fernando Zequinão/HAUS
Foto: Fernando Zequinão/HAUS| Nenad Radovanovic

Em um trabalho de seu escritório para um jovem casal, a linha minimalista foi seguida por Bender, mas com toques de cor em móveis e alguns poucos itens decorativos. “Há 10 anos se alguém falasse que vivia em um apartamento de 35 m² geraria uma certa estranheza. Hoje, é uma realidade. Os jovens não estão preocupados em ter tantas coisas, querem qualidade de vida, mesmo que em um espaço reduzido”, pontua o arquiteto.

Trazer tranquilidade e equilíbrio, principalmente pela decoração, são os principais aspectos observados pelo arquiteto Sérgio Valiatti, do escritório Valiatti e Patrão, quando a demanda é por um projeto minimalista. “Partimos do conceito que a cidade já tem muita informação e que as pessoas já chegam em casa cansadas. Essa é uma tendência em alta, as pessoas querem uma morada que traga tranquilidade”.

Foto: Fernando Zequinão/HAUS
Foto: Fernando Zequinão/HAUS| Leticia Akemi

Bases monocromáticas, mobiliário em linhas retas, textura trazida apenas pela madeira e ambientes multifuncionais são outros elementos trabalhados pelo arquiteto. “O contraste excessivo acaba incomodando as pessoas” acredita. “Eu vejo o minimalismo como uma tendência inconsciente. Nosso modo de vida é tão acelerado que faz com que o cliente peça, mesmo sem perceber, ambientes com equilíbrio e limpeza visual. E isso sem deixar de trazer qualidade de vida, objetos emocionais, plantas. Não tem nada de frio no minimalismo, é uma valorização do que realmente importa”, ressalta Valiatti.

A pesquisadora de macrotendências Glaucia Binda prefere chamar essa nova demanda de essencialismo, adaptando a realidade e desejos de cada um. Isso vem ao encontro do “ficar com o que te traz alegria”, bordão da personal organizer japonesa e fenômeno mundial Marie Kondo. A profissional estimula as pessoas a manter apenas coisas que realmente amam, para deixar a vida mais organizada e fugir do caos causado pelo exagero. Mas isso não significa viver com o mínimo. “Vamos caminhar para isso [essencialismo]. É difícil ter uma cultura essencialmente minimalista, em que não se tem absoluta-mente nada extra em casa”, opina Glaucia.

Foto: Fernando Zequinão/HAUS
Foto: Fernando Zequinão/HAUS| Leticia Akemi

Selva Urbana

A memória de infância mais antiga que a arqueóloga Tatiana Weska tem é da sala de casa: sua mãe tinha samambaias e muitas violetas espalhadas pelo cômodo. “A minha lembrança é de que a sala era uma selva.” A primeira planta que comprou na vida adulta foi em 2008, quando morava no Rio de Janeiro. Levou uma palmeira em miniatura comprada em um supermercado, e a planta não sobreviveu. “Por muito tempo achei que eu não tinha o que as pessoas chamam de ‘dedo verde’ [tido como um dom para cuidar de plantas]”.

Alguns anos depois, começou a trazer cactos e suculentas para casa, compradas na Rua das Flores do Rio, caminho entre a sua então casa e o trabalho. Antes de vir para Curitiba, em 2016, ela doou sua coleção, mas a refez nos últimos anos, no apartamento onde vive atualmente: são 230 plantas espalhadas pelo imóvel de 80 m² – há verde em todos os cômodos, mas as espécies se concentram sobretudo na sala e na sacada.

Foto: Letícia Akemi/HAUS
Foto: Letícia Akemi/HAUS| Leticia Akemi

Garimpar itens de decoração em feiras e visitar lojas especializadas em plantas são alguns dos rituais seguidos por Tatiana; aguar as plantas logo pela manhã depois que passa o seu café é outro momento sagrado. “É um compromisso diário. Muita gente vem falar comigo, dizer que quer uma sala como a minha, mas eu indico começar aos poucos”, diz ela, que divide as informações sobre as plantas e cuidados na sua contado Instagram (@lalawsk).

Para ser considerada uma urban jungle, ou seja, selva urbana, não há um número mínimo ou máximo de plantas. “A ideia é que, quando a pessoa entrar no ambiente, ela se sinta conectada com a natureza”, define a proprietária da Borealis, Patrícia Belz. A loja especializada em plantas para espaços internos, aberta em 2015, atende a um nicho crescente de pessoas que desejam ter muito verde dentro de casa. Assim como Tatiana, Patrícia indica parcimônia no início – comprar de duas em duas espécies é o ideal. Adaptar a planta a sua rotina é outra dica. “Você não tem tempo de cuidar de uma planta todos os dias? Então não pode ter uma samambaia. Esquece muito de dar água? Comece por um cacto” ensina Patrícia.

Foto: Letícia Akemi/HAUS
Foto: Letícia Akemi/HAUS| Leticia Akemi

Mesmo com o cuidado relativamente extenso exigido pelas plantas, Tatiana garante que vale a pena. “A casa às vezes vira só o lugar onde você vai dormir. Ter um cantinho é importante, e as plantas agregam qualidade de vida. O verde e o cheirinho de mato são estímulos muito positivos. Ter plantas em casa é para todos, basta disposição”.

Como aplicar

Na prática, é possível colocar elementos de cada uma das tendências comportamentais em sua decoração:

Hygge: preza pelo conforto, aquecimento e convívio social. Mantas em sofás, luz indireta e candelabros fazem parte da decoração. Ambientes integrados para receber amigos e familiares em casa é outro aspecto fundamental, bem como objetos afetivos (aquela cômoda da avó, ou as louças descortinadas herdadas e/ou garimpadas em momentos como viagens).

Niksen: é a “arte de não fazer nada”. Não se aplica diretamente com a decoração, mas é possível adotar o momento de ócio destinando um local da casa específico para não pensar em nada. Pode ser uma rede na sacada, ou, um canto para meditar.

Minimalismo: ambientes monocromáticos e sem excessos dão a tônica da estética clean, que é também um estilo de vida. Mantenha  em sua casa o essencial, e fique somente com objetos dos quais goste muito.

Urban jungle: para ter plantas dentro de casa, é preciso dedicação. Por isso, comece aos poucos por espécies fáceis (como a jiboia). Reunir um maior número de plantas num só cômodo ajuda na sensação de “selva”, mas tente ir levando elas para os demais ambientes. Se informe sobre os cuidados necessários nas lojas, e e busque informações e inspirações na internet. Procure comprar em locais de boa procedência e “teste”elas nos ambientes. Ou seja, uma planta que não se comporta bem em um cômodo pode se desenvolver muito mas em outro, e vice-versa.

Pondere

Antes de adotar um dos estilos para a sua casa, pare e pense: o que de fato tem a ver comigo? O que consigo manter dentro da rotina? “Muitos clientes chegam cheios de referências, com fotos do Pinterest. Mas, nem sempre, o que achamos bonito é viável para o nosso dia a dia. Por isso, é importante se perguntar também o que você não gosta” orienta Felipe Bender.

*Especial para HAUS

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