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O projeto do escritório Moribe + Valente Arquitetura contou com a consultoria de especialistas em acústica, para garantir a qualidade e o isolamento do som.| Foto: Eduardo Macarios

Não basta apenas ser bonito. Tem que ser muito funcional. Essa máxima vale em dobro para ambientes que serão usados para instrumentos musicais. Sejam estúdios isolados, um cantinho na sala de estar ou dividindo a atenção com um espaço gourmet, os cantinhos para música precisam refletir a pegada do instrumento, seja ele mais clássico ou descolado, mas também garantir que o som seja reverberado com qualidade e isolamento-- ainda mais se fizerem parte de um apartamento.

É por isso que além de saber a potência e característica de cada instrumento, é preciso que o profissional que está projetando o ambiente também se atente as intenções de quem vai usá-lo. É o que defende a arquiteta Bruna Moribe, do escritório Moribe + Valente. Para a especialista, diferenciar o uso do espaço por profissionais e para hobby impacta diretamente no orçamento e forma de conceber o projeto.

"É preciso saber qual é a vontade e o real uso que o cliente fará daquele espaço, isso determina por exemplo, um investimento maior ou menor em acústica", esclarece a arquiteta.

| Eduardo Macarios

Como exemplo, Bruna Moribe cita um dos projetos recentes do escritório, um apartamento duplex em Curitiba, da década de 1980, que foi inteiramente reformado. O morador, fã de bateria, não economizou para criar um estúdio especial para o instrumento.

"Neste caso trabalhamos em conjunto com uma empresa especialista em acústica, por ser um instrumento com bastante reverberação. Então as paredes precisaram ser duplas, o piso e as paredes receberam um tratamento especial emborrachado, foram instaladas duas portas e vidros acústicos, e o forro foi projetado afastado da laje. Tudo para isolar a vibração", explica a arquiteta.

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Diferente da bateria em um estúdio isolado, o piano complementa o charme da sala de estar, criando a ideia de lounge. | Eduardo Macarios

Neste mesmo apartamento, a experiência oposta. Pianista por hobby, o morador escolheu um piano de cauda longa para a sala de estar. "Neste espaço a ideia já foi toda direcionada para criar um espaço de lounge, onde ele pudesse tocar para alguns convidados, como um hobby", exemplifica.

Seja por lazer ou para uso especializado, a HAUS selecionou outros cinco projetos criados para fãs de música para você se inspirar. Confira a seleção:

A Casa Empilhada, por Lazor Office

  • Peter VonDeLinde's pictures
  • Peter VonDeLinde's pictures
  • Foto: Peter VonDeLinde's pictures

O escritório norte-americano Lazor Office é responsável pelo conceito e projeto desta casa, que eles mesmos definem como uma pilha de blocos. A ideia era criar um espaço íntimo, com grandes espaços abertos, que podem ser preenchidos com a música. Por isso, uma das peças centrais é um imponente piano de cauda longa.

"Os clientes estavam interessados ​​em encher sua casa com música e solicitaram um espaço para hospedar recitais em sua casa. Isso criou uma oportunidade única de explorar o potencial da música e do som como um princípio de design", escreveu o arquiteto Charlie Lazor.

O Pianista, por XS Studio

  • Foto: Amit Gosher
  • Foto: Amit Gosher
  • Foto: Amit Gosher

O escritório israelense XS Studio foi desafiado por um talentoso pianista a criar um apartamento inspirado no instrumento musical. Na sala principal, por exemplo, em vez da televisão, o piano é o centro focal, uma forma de garantir as atenções durante um recital. Rodas nos sofás e mesa permitem que durante esses eventos o morador possa mudar a disposição da sala facilmente. Outro destaque é a íntima sala de composição.

"O desafio era criar um espaço flexível, adequado para entretenimento, que se prestasse a uma variedade de cenários de hospitalidade e atividades musicais colaborativas", explica o arquiteto responsável, Ofer Rossmann.

Living com espaço gourmet, por Studio Baza

O projeto assinado por Ismael Zanardini e Thatiane Botto de Barros mescla uma série de propósitos para o mesmo ambiente, sem deixar de colocar a música no centro das atenções. A vitrola de mais de 50 anos é apresentada logo na entrada do ambiente, criado para reunir a família e amigos, conciliando assim a ideia de um espaço para se ouvir boa música, conversar confortavelmente e também cozinhar.

"Peças de design como os bancos DC 3, da Fahrer Design e as poltronas Kazz, de Luan del Savio foram mescladas com móveis planejados. As banquetas de ferro, revestimento de concreto na parede e o detalhe do forro, revestido em MDF com lâmina natural, ficam em evidência graças a iluminação indireta, proveniente da sanca e das arandelas instaladas no plano horizontal", explica Zanardini.

Quarto de música, por Joia Bergamo

  • Foto: Martin Szmick
  • Foto: Martin Szmick
  • Foto: Martin Szmick

Também aliando o conceito de gastronomia e música, esse ambiente gourmet criado pela arquiteta e designer de interiores Joia Bergamo comporta uma banda inteira e tem uma acústica própria. Localizado em São Paulo, o espaço foi criado sob medida para o dono, que desejava um lugar para receber amigos e ensaiar.

Para quem quer projetar um espaço semelhante, a profissional recomenda que as necessidades estejas bem definidas no início do projeto. "Crie soluções acústicas de acordo com valor disponível para isso. Hoje existem diversas opções no mercado", aconselha.

Ambiente para baterista, por Giseli Koraicho

O isolamento acústico é o ponto focal deste projeto, assinado por Giseli Koraicho. O teto foi rebaixado com gesso, e forrado com lã de rocha, assim como as paredes. No piso, em cima do porcelanato, foi colocado um tapete de borracha para evitar incomodar os vizinhos.

"A linguagem da decoração foi baseada nos clássicos do rock e em relíquias automobilísticas. Utilizamos os espelhos redondos com alturas diferentes para dar movimento, assim como a música e os carros. Os materiais como couro e as cores em tons de cinza e o preto também fizeram parte do contexto do cliente, um empresário solteiro e sem filhos, que ama música", explica a profissional.

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