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Pequeno bar produzido pela Móveis Cimo em  ambiente contemporâneo da Desmobília é  prova de que a linguagem da marca nunca fica velha. Fotos: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo
Pequeno bar produzido pela Móveis Cimo em ambiente contemporâneo da Desmobília é prova de que a linguagem da marca nunca fica velha. Fotos: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo| Foto: Gazeta do Povo

“Quando você acha que conhece todos os modelos, sempre aparece mais um”, brinca o designer industrial da Desmobília João Livoti enquanto mostra o mais novo achado da Móveis Cimo que garimpou: uma poltrona com inspiração escandinava desenhada e comercializada pela própria empresa catarinense.

Foi essa derradeira paixão pelo vintage brasileiro que levou Livoti a devorar tudo que um dia já foi pesquisado sobre a moveleira fundada em 1921 na minúscula Rio Negrinho, no norte de Santa Catarina, transformando o designer em uma sumidade quando o assunto é Móveis Cimo.

Catálogo da catarinense que anunciava móveis para a casa toda. Repare no home bar que também aparece ao lado.
Catálogo da catarinense que anunciava móveis para a casa toda. Repare no home bar que também aparece ao lado.| Gazeta do Povo

Referência histórica máxima do design brasileiro de móveis, a Companhia Industrial de Móveis, apelidada de Móveis Cimo, nasceu primeiramente para reaproveitar as sobras de imbuia da serraria familiar que produzia caixas.

A partir de então, os irmãos Jorge e Martin Zipperer começaram a fabricar pés de cadeiras e logo em seguida se dedicaram a desenvolver diferentes móveis, e souberam preencher com sabedoria e disciplina germânica o vácuo moveleiro que existia no país. Na época, não havia empresas que produzissem móveis de boa qualidade em escala industrial, mas existiam cada vez mais lugares que precisavam ser equipados, como casas, cinemas, repartições públicas e escolas.

Logo da unidade curitibana da empresa.
Logo da unidade curitibana da empresa.

Para a artista plástica e designer Angélica Santi, professora aposentada da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo, e júri de diversas edições do Prêmio Design do Museu da Casa Brasileira, é difícil pensar peças com mais clareza.

“São móveis de uma linguagem simples, mas não gratuita. Essa forma reflete a matéria prima utilizada e os meios de produção empregados”, destaca Angélica. “Vale lembrar que eles não eram consumidos pela elite. Tinham muito claramente a função social de equipar os espaços coletivos.”

A fábrica fisgou o gosto do brasileiro pelas primeiras cadeiras que produziu. Fotos: Divulgação
A fábrica fisgou o gosto do brasileiro pelas primeiras cadeiras que produziu. Fotos: Divulgação

Em seu momento áureo, entre as décadas de 1940 e 1960, a Móveis Cimo chegou a fabricar 10 mil cadeiras de madeira maciça por mês, vendidas para todo o Brasil. Hoje essas peças são disputadas por todo o país e no exterior, como raridades do modernismo brasileiro.

“Eles [os irmãos] eram superantenados, faziam visitas ao exterior com frequência, e produziam peças seriadas de qualidade, casando uma estética atraente, típica do pós-guerra, com formas mais confortáveis e ergonômicas, em madeira maciça ou laminados curvados”, explica Livoti. “Eles também exploravam bastante as diferentes tonalidades das madeiras em um mesmo móvel, o que era algo superavançado para a época, configurando uma linguagem essencialmente moderna.”

Cômoda Cimo com a linguagem clássica moderna adotada pela empresa; Cadeira Xerife, inspirada nos antigos filmes Western, com mecanismo giratório e madeira compensada curvada; Banco Cimo com as curvas características da marca na madeira. Fotos: Divulgação.
Cômoda Cimo com a linguagem clássica moderna adotada pela empresa; Cadeira Xerife, inspirada nos antigos filmes Western, com mecanismo giratório e madeira compensada curvada; Banco Cimo com as curvas características da marca na madeira. Fotos: Divulgação.

As formas curvas que proporcionavam esse diferencial só foi possível porque os irmãos Zipperer importaram de Hamburgo, na Alemanha, a tecnologia de laminação da madeira a vapor. Foram os primeiros no Brasil a fazer isso. “Eles atendiam todos os gostos e isso não é dito, mas vê-se nas primeiras criações muita influência daquele mobiliário de xerife dos filmes preto e branco”, conta o designer.

Depois da década de 1960, com a morte da dupla criadora, a empresa quis mudar sua linguagem e acabou perdendo identidade. Foram contratados diversos designers holandeses e franceses, responsáveis por munir os móveis com uma roupagem mais neoclássica. Mas a ideia não pegou.

Barzinho Andorinha, em referência à forma dos pés, com design bem moderno; Cômoda Cimo com bolinhas amarelas; Balanço Imbuia para ambientes residenciais; Armário com gavetas bastante utilizado em repartições públicas.
Barzinho Andorinha, em referência à forma dos pés, com design bem moderno; Cômoda Cimo com bolinhas amarelas; Balanço Imbuia para ambientes residenciais; Armário com gavetas bastante utilizado em repartições públicas.

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