Projeto que cria design nas favelas é premiado como um dos mais importantes do mundo

Design Meets Fa.vela desenvolve identidade visual para marcas de empreendedores de comunidades de Belo Horizonte com o objetivo de fomentar o crescimento dos negócios

Foto: Reprodução

por Sharon Abdalla

01/10/2019

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Que o design tem um papel transformador ninguém duvida. E isto fica ainda mais evidente quando ele está alinhado a projetos que fazem da criatividade e do talento dos profissionais a chave para alavancar causas e impactar comunidades inteiras. É o caso do Design Meets Fa.vela, projeto brasileiro que figura entre os cinco premiados do iF Social Impact Prize, braço do iF Design Awards (considerado o Oscar do design mundial), que duas vezes por ano celebra projetos que contribuem para melhorar a vida em sociedade.

Desde 2017, ano de criação do prêmio, 776 projetos de mais de 50 países foram inscritos na premiação, cujas categorias estão alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (Organização das Nações Unidas). Além do projeto brasileiro, outros quatro foram premiados na primeira rodada de 2019 com a quantia de 5 mil euros, são eles: o Bee My Job (projeto de apicultura com refugiados, Itália), Nashulai Maasai Conservancy (conservação de reserva natural, Quênia), End FGM once and for all (luta contra a mutilação genital feminina) e The Echo-Hub-Leros (centro comunitário para refugiados, Grécia).

Imagem: reprodução

O case brasileiro

Criado em 2016, o Design Meets Fa.vela nasceu da parceria entre o Greco Design, estúdio de design gráfico, e a Fa.vela, primeira aceleradora de base do Brasil que atua no desenvolvimento do ecossistema de empreendedorismo, tecnologia e inovação nas comunidades de baixa renda, ambos de Belo Horizonte (MG). Assim, o objetivo do projeto está focado na criação da identidade visual destes negócios, contribuindo para que eles cresçam e prosperem.

O processo de desenvolvimento das marcas é feito de forma colaborativa entre os empreendedores das comunidades assistidos pelo Fa.vela — e cujo desempenho se destaca dentro dos programas de aceleração e os designers do estúdio e convidados, que trabalham de forma voluntária. Isso garante que a linguagem e a estética das marcas mantenham as características relacionadas à realidade das comunidades, ao invés de aproximá-las às dos grandes centros urbanos.

“Não era nossa intenção a estetização da pobreza com parâmetros visuais distantes e estranhos aos donos das marcas. Era fundamental que essas pessoas se sentissem parte daquilo que nascia. Para os pontos de contato das marcas, por exemplo, foram mantidos materiais simples e muitas vezes utilizadas gambiarras características da cultura brasileira nas soluções de design. O design aqui trata muito mais de materialização de sonhos e pertencimento do que de acabamentos elaborados e repetidamente finalizados. É o design em sua essência de transformar o mundo a sua volta“, comenta, em nota, Gustavo Greco, diretor da Greco Design.

Assista ao vídeo do projeto:

Cerca de 30 designers já participaram do Design Meets Fa.vela, que até agora desenvolveu a identidade visual de pelo menos 90 marcas tocadas por 167 empreendedores, entre salões de beleza, escolas de música, cafés e produtos hidropônicos, todos eles localizados em comunidades da Grande Belo Horizonte (MG). A cidade é a quinta maior do Brasil em número de habitantes e a terceira com o maior número de favelas do país. No total, mais de 2,6 mil pessoas já foram impactadas pelo projeto, que se subdivide em dois programas: o Corre Criativo, realizado com empreendedores jovens, e o Pipa, voltado ao público sênior (60+), que empreende há muitos anos.

“O fato de poder visualizar a marca por meio da identidade visual torna tangível aos empreendedores muito do que fazemos [nos programas de aceleração], e que vai além de entender como os negócios funcionam”, avalia João Souza, um dos fundadores, presidente e responsável pelas ações de inovação e educação do Fa.vela.

Segundo Gustavo, não há planos para que a iniciativa seja replicada em comunidades localizadas fora de Minas Gerais. Ele destaca, também, que a premiação recebida do iF Social Impact Prize foi integralmente destinada ao Fa.vela, que utilizou o recurso na ampliação do atendimento que o projeto oferece após o processo de aceleração das empresas.

A premiação do iF Social Impact Prize é realizada duas vezes por ano. As inscrições para a segunda etapa estão abertas e podem ser realizadas até o próximo dia 20 de novembro pelo site.

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