Designer “recicla” restos de peixes para criar nova alternativa ao plástico

Vencedora do prêmio James Dyson, a designer britânica Lucy Hughes criou o bioplástico Marinatex a partir de resíduos de peixes descartados pela indústria da pesca. Material se decompõe em até seis semanas

A designer britânica , de 24 anos, recebeu o prêmio James Dyson pelo Marinatex, material que desenvolveu a partir de resíduos de peixes. Foto: divulgação

por Gazeta do Povo

22/11/2019

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Reduzir o uso do plástico e, ao mesmo tempo, reciclar resíduos de peixes. Essa é a dupla solução oferecida pelo MarinaTex, novo bioplástico produzido a partir de pele e escamas de peixes que venceu, nesta semana, o prêmio internacional James Dyson. Quem assina a criação é a designer britânica Lucy Hughes, de 24 anos, estudante da Universidade de Essex.

O bioplástico é feito exclusivamente de materiais naturais. Ele é apresentado em folhas flexíveis e transparentes que podem substituir o plástico em diversos usos, principalmente quando ele é utilizado apenas uma vez – como em sacos de pão ou embalagens de sanduíches. Mas, mas do que isso, seu trunfo está no descarte: o material se degrada naturalmente entre 4 e 6 semanas.

Novo material é ideal para substituir o plástico em situações em que ele só é usado uma vez. Foto: divulgação

“Tudo começou olhando para o setor de pesca. 50 milhões de toneladas de resíduos são produzidas por ano pela indústria global. Eu acreditava que há valor no desperdício e os recursos podem ser renováveis”, afirma a designer no memorial do prêmio. “Como o material utiliza resíduos da pesca, isso ajuda a fechar o ciclo para um design mais circular”.

Produção sustentável

Para chegar ao resultado final, Hughes estudou mais de 100 possibilidades de combinação de materiais e refinamento de processos. Para isso, ela começou seu trabalho indo direto à fonte: uma fábrica local de processamento de peixe.

Lá, identificou que os resíduos descartados eram compostos por exoesqueletos, crustáceos, moluscos, peles e escamas de peixes, entre outros elementos. “Depois de pesquisar os resíduos, descobri que as peles e as escamas dos peixes tinham o maior potencial, devido à sua flexibilidade e força”, completa a designer. Ela assegura que o material é mais forte e mais seguro do que o plástico convencional.

O James Dyson Award premia o vencedor com 30 mil libras, o equivalente a R$ 163 mil. Depois de obter financiamento, os planos da designer incluem aprofundar sua pesquisa e escalar a produção.

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