Designers curitibanos entram para a lista da Forbes de jovens talentos e colecionam prêmios internacionais

Apaixonados por design e comprometidos com a criação de produtos disruptivos, Mauricio Noronha e Rodrigo Brenner são os nomes por trás da Furf Design, marca que levou o nome de Curitiba para o mundo

Foto: Daniel Katz

por Luciane Belin*

14/01/2019

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A máxima do escritor e ator francês Jean Cocteau que diz “não sabendo que era impossível, foi lá e fez” poderia facilmente ter sido inspirada na dupla Mauricio Noronha e Rodrigo Brenner, criadores da Furf Design Studio e de tudo o que veio com ela desde que foi fundada, há quase oito anos. Os jovens curitibanos formados em Desenho Industrial pela PUCPR e pelo Politecnico diTorino, na Itália, são especializados naquele tipo de ideia que desperta a sensação de “por que ninguém pensou nisso antes?”.

Com 28 e 27 anos, respectivamente, Mauricio e Rodrigo viram seus nomes figurarem na revista Forbes de janeiro, na lista de profissionais de relevância e influência com menos de três décadas de idade, a “UNDER30”. Quem acompanha o trabalho dos dois, no entanto, não se espantou com o reconhecimento. Desde 2017, a Furf Design ganhou o mundo e colecionou premiações, criando o único produto até hoje a receber os três mais importantes prêmios de design: o best of the best no alemão Red Dot Design Award, o iF Product Design Award e o Leão de Cannes em Product Design.

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Foto: Divulgação

A criação da Furf Design responsável por este feito foi a Confete TT, uma capa adaptável para próteses de perna projetada para quem tem amputação transtibial – ou seja, abaixo do joelho – que pode ser produzida em massa e em diversas cores. Seu design inteligente faz com que ela seja altamente adaptável e bem mais barata: chega a custar 80% menos do que alternativas disponíveis no mercado.

Além da Confete, a Furf também tem entre seus projetos de maior destaque a Caravela, desenvolvida em parceria com o pesquisador em qualidade ambiental Bruno G. Libardoni.

Foto: Divulgação

Definida por Rodrigo como “uma intervenção urbana que purifica água através da biorremediação e gera como subproduto biomassa”, a Caravela contribui com 11 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS) e também obteve sua fatia de reconhecimento: “Com mais de 2 mil indicações de 30 países, a Caravela foi um dos 10 vencedores e o único projeto da América Latina premiado no World Eco-Design Conference em Guangzhou, China. Foi uma honra receber o convite de irmos pessoalmente participar da cerimônia e evento, especialmente palestrarmos para a United Nations Industrial Development Organization (Unido), a divisão de desenvolvimento industrial da ONU”, conta Rodrigo.

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O que une os dois projetos – e tantos outros da Furf Design – é, segundo Mauricio, um impulso por dar ao design o que é dele. “Gostamos de pensar que o design é uma ferramenta para a humanização, que pode tanto transformar a vida de uma massa ou simplesmente tocar um coração. Somos completamente apaixonados por isso”.

Olhares disruptivos

O motivo pelo qual o trabalho de Rodrigo e Mauricio atrai tantos olhares no mundo todo é a inventividade que empregam para trazer soluções inesperadas, porém palpáveis, para questões pontuais. Algo que está no cerne do conceito do design, que é o de unir forma e função a serviço da sociedade.

Foto: Brunno Covello

O que a dupla da Furf consegue fazer é lembrar ao mundo que, por meio dessa pequena palavra, é possível transformar vidas. Com projetos que circulam por diversas áreas – médica, têxtil, de joalheria, design de impacto social e também em sustentabilidade – eles propõem o que Rodrigo chama de “produtos disruptivos”. “Somos especialistas em não sermos especialistas. Assim provocamos o diálogo entre áreas inusitadas por meio de uma expansão de consciência: a partir do momento em que conhecemos realidades diferentes, desejamos servir de alguma forma”.

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Como o design pode fazer isso, afinal? Deixando de lado as desculpas, segundo ele, para agregar experiências e trazer ciência e poesia para um mesmo lugar. “O nosso processo é tão poético quanto científico. Quando temos um desafio, convidamos um especialista para participar pontualmente da equipe, gente de áreas diferentes, e mergulhamos em pesquisa. Só assim conseguimos criar algo que vai dialogar e criar conexões. A gente só pega no lápis para fazer o primeiro traço depois de já saber o que vamos fazer”, diz Rodrigo.

Projeto em parceria com a National Geographic para incentivar o uso de cinto de segurança em crianças, desenvolvido no início deste ano. Foto: Divulgação

Mauricio complementa: “Tudo o que criamos tem a forma como mero resultado, um veículo que materializa toda uma bagagem intangível. O mais importante para nós é o que de fato estamos trazendo ao mundo. ‘Será que isso merece existir?’ é um questionamento constante”. Essa forma de trabalho, que eles hoje chamam de Método Furf, é algo que fazem questão de compartilhar, seja por meio de cursos e workshops, seja no curso de especialização em Design — Soluções de Impacto do Futuro, que criaram e hoje coordenam no Centro Europeu de Curitiba.

A iniciativa é parte da necessidade de redesenhar o futuro que a Furf propõe: um que “não precisa de mais objetos, mas pede por mais poesia, romantismo, autoestima, amor, propósito. E através de um produto podemos trazer isso ao mundo, em grande escala”, completam os designers.

*Especial para Haus

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