Como você se sentiu com essa matéria?

  • Carregando...
dia do design italiano 2021 brasil marco sammicheli
Curador de design da TriennaleMilano e superintendente do Museu de Design Italiano, Marco Sammicheli foi o embaixador de 2021 para o Dia do Design Italiano no Brasil.| Foto: Luca Caizzi

"Entre junho e setembro de 1964, Lúcio Costa e outros arquitetos assinaram o pavilhão do Brasil na Trienal de Milão, com violões e redes, e um letreiro bem grande que dizia: 'Descanse!' O design brasileiro ensinou para o design italiano o que é a pausa, o que é tempo livre. E os Irmãos Campana são bons nisso. Eles definiram uma nova ideia de conforto, criaram uma nova forma de produzir sofá e, junto com a Edra, reescreveram um novo paradigma. Eles são a Lina Bo Bardi da Itália", defendeu Marco Sammicheli, curador de design da TriennaleMilano e superintendente do Museu de Design Italiano, em sua fala durante o Dia do Design Italiano no Brasil (IDD, na sigla em inglês) nesta quinta-feira (8).

Criado pelo Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália, o evento chega a sua quarta edição e de forma totalmente digital com apoio do Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro e de São Paulo, da Embaixada da Itália em Brasília, do Istituto Europeo di Design (IED) e do 27° Congresso da União Internacional dos Arquitetos. A conversa foi mediada pela arquiteta Graziela Nivoloni, que leciona no IED.

Siga a HAUS no Instagram

Lina Bo Bardi é uma "extraterrestre"

"Lina Bo Bardi é um ET", brinca Marco, reconhecendo que o olhar sensível de vanguarda da italiana naturalizada brasileira foi essencial para o mobiliário moderno e sua industrialização, sabendo casar o vernacular e o moderno, o regional e o internacional, e justamente por isso homenageada este ano pela Bienal de Arquitetura de Veneza.

"Antes de tudo foi uma mulher de grande coragem, que transforma uma aventura pelo Brasil em uma epopeia. Recupera a cultura vernacular e constrói um novo mundo", explica o curador de design da TriennaleMilano. "Sua arquitetura não era imediatamente compreendida. Parecia que ela tinha vindo de outro mundo. Essa é a característica dos gênios, de prefigurar cenários possíveis."

Poltrona Bowl, criada por Lina Bo Bardi em 1950.
Poltrona Bowl, criada por Lina Bo Bardi em 1950.| Instituto Bardi/Cortesia

Design é mais sobre política e bem-estar social do que estética e formalismo

O lendário designer Enzo Mari (1932-2020) está sendo resgatado e revalorizado pelos italianos. Segundo Marco, a marca de design Arper reeditou peças criadas por Mari e Lina Bo Bardi. "Não pelas cores e função, mas pelo comportamento que incita. Mostra várias formas de sentar: da maneira divertida até a forma desleixada. Não é tanto sobre a estética e o formalismo, e sim mais sobre política e bem-estar social", comenta o embaixador do Dia do Design Italiano no Brasil em 2021.

"Em comum, Enzo e Lina tinham uma criatividade que acarreta uma ética de trabalho, um senso de comunidade. O que é criado não é apenas para você, mas é para todos", sentencia Marco.

O designer Enzo Mari teve peças de destaque, como a bandeja Putrella, a cadeira Delfina e cadeira Mariolina.
O designer Enzo Mari teve peças de destaque, como a bandeja Putrella, a cadeira Delfina e cadeira Mariolina.| Jouko Lehtola/Reprodução

Irmãos Campana são a Lina Bo Bardi da Itália

Para o superintendente do Museu de Design Italiano, o matrimônio entre a italiana Edra e os brasileiros Irmãos Campana inventou uma nova forma de produzir sofá e cadeiras. "Eles definiram uma nova ideia de conforto, um espécie de novo divã. Eles são a Lina Bo Bardi da Itália", descreve Marco, justificando a importância dos irmãos brasileiros para o design Made in Italy.

Irmãos Campana fizeram a diferença também para o design italiano, segundo curador de design da Trienal de Milão.
Irmãos Campana fizeram a diferença também para o design italiano, segundo curador de design da Trienal de Milão.| Leticia Akemi/Gazeta do Povo

Temos que trabalhar a formação dos designers, se não o designer vira apenas estilista

Questionado sobre a formação dos designers e como o design é consideravelmente jovem no Brasil, Marco destaca que é importante trabalhar a formação dos designers. "A escola precisa ensinar consciência de gesto do design e seu impacto na comunidade. O design tem que desenvolver consciência do seu gesto e se enxergar como uma atividade intelectual", alerta.

"Não pode se limitar a materiais, cores, técnicas, softwares. É preciso também estudar política, as mudanças sociais, as várias comunidades religiosas, ter um conhecimento da comunidade dentro da qual se irá operar. Se não, o designer vira estilista."

Design é cíclico?

Vira e mexe o design sempre resgata os grandes mestres do passado. Isso prova que o design é uma arte cíclica? Para o embaixador do Dia do Design Italiano, a história é importante no design, mas não podemos ser reféns dela.

"É um processo de recuo, de ir para trás para avançar e ir para frente. Visitando o Brasil, percebi que existe uma ânsia pelo contemporâneo. Mas posso dizer que nada é mais eterno que o contemporâneo. Se for bom, o contemporâneo se estende para sempre e vira eterno", esclarece.

Confira o evento na íntegra:

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]