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Estudantes brasileiros criam biotecido a partir da kombucha e ganham “Oscar do design”
| Foto: Intervém Design

Os designers de produto Gislaine Lau, 22, e Felipe de Carvalho Ishiy, 24, ambos recém-egressos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), acabam de ser laureados com o iF Design Talent Award 2021, prêmio alemão considerado o "Oscar do design" para jovens talentos. Eles são os únicos da América Latina a ter um projeto reconhecido nesta edição. A dupla conseguiu impressionar os jurados com um biofilme resistente e biodegradável criado a partir de bactérias e fungos, utilizando como substrato para os micro-organismos a kombucha, um tipo de chá fermentado organicamente, o café e a cana-de-açúcar.

A dupla de designers, que agora está à frente do escritório Intervém Design, competiu com outros 5,3 mil projetos submetidos de 49 países diferentes. Desse total, apenas 86 foram premiados. O júri internacional de 43 especialistas considerou o projeto brasileiro “bem pensado, inteligente e inovador, bastante útil na vida real”, nas palavras dos jurados, que publicaram um feedback oficial.

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| Intervém Design

O biotecido nasceu na busca por uma alternativa para o couro natural, que gera impactos ambientais a partir da exploração animal. “A gente queria fazer algo relacionado aos animais. Algo que ajudasse a causa do meio ambiente. Fazer algo em que a gente acredita que possa melhorar o futuro”, relata Felipe.

A técnica do biotecido não é nova. Mas os designers criaram seu próprio processo em que resíduos de café, cana-de-açúcar e kombucha servem de matéria-prima para os micro-organismos construírem o biofilme dentro dos moldes desejados de tamanho e forma. “Depois a gente coloca para secar e dá a textura que a gente desejar para o material”, explica Gislaine.

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O produto final adquire um aspecto bem similar ao couro, bastante resistente e ultrafino, com poucos milímetros de espessura. O trabalho contou com a supervisão da professora da UFPR Elisa Strobel e com consultas a especialistas em nanocelulose.

Segundo os designers, o tempo de cultivo, independentemente do tamanho do biofilme, é o mesmo: cerca de duas semanas para a colônia de bactérias e leveduras virar um ‘tecido’.

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Mas será que eles continuam vivos depois da secagem e quando privados de substrato? Felipe e Gislaine foram atrás dessa resposta e tentaram fazer um biofilme seco crescer novamente. A matéria cresceu pouco e levou muito tempo para aparecer novas estruturas, o que leva à conclusão de que as bactérias e leveduras morrem depois desse processo. “Temos um biofilme de teste há dois anos e ele está intacto”, atestam.

Além do material, a criação dos designers inclui uma poltrona. Batizada de ‘Não Fere’, a peça de silhueta animalesca avermelhada foi pensada em metal, para ser leve, e para aproveitar alumínio reutilizado em sua fabricação. “O estofado seria em algodão orgânico”, detalham.

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Os designers chegaram até a convidar pessoas para testar o material em comparação com o couro natural. “A gente ia fazendo perguntas sobre qual cheira melhor, qual é mais macio etc. Fizemos isso com vários materiais, até couro sintético. E na maioria das vezes o nosso material ganhou”, diz Gislaine.

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