i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
As mulheres no design

“Aqui não bordamos almofadas”: a história do design feita também por mulheres

  • PorRafaella de Bona e Stefany Santana, especial para HAUS*
  • 28/08/2020 08:00
Chaise-longue LC4 teve a designer Charlotte Perriand, do ateliê de Le Corbusier, como uma de suas principais criadoras. Foto: reprodução
Chaise-longue LC4 teve a designer Charlotte Perriand, do ateliê de Le Corbusier, como uma de suas principais criadoras. Foto: reprodução| Foto:

Através de um estudo sobre a relevância de Le Corbusier e do modernismo nos dias de hoje, provocamos a reflexão a respeito da existência de modernismos obscurecidos que precisam vir à tona e serem abordados no momento presente.

Ao conhecer cada vez mais a fundo a vida e as obras de Corbusier, torna-se indiscutível sua influente importância na arquitetura moderna. No entanto, devemos considerar a relevância do modernismo na atualidade sem que seja necessário, ao mesmo tempo, anular nomes que por serem femininos nasceram para serem esquecidos – principalmente na cultura e época em questão.

Siga a HAUS no Instagram

Dessa maneira, quanto mais fundo submergimos na história do arquiteto, mais claro se torna o risco de estudar sua narrativa por uma só perspectiva. Entendendo também os coadjuvantes por trás do suntuoso nome de Le Corbusier, levantamos uma discussão sobre a diferença de gênero que decorreu na aparição de vários modernismos.

Além de um grande arquiteto, Le Corbusier teve sua presença marcada no design de produto. Em seu ateliê trabalhava Charlotte Perriand, uma designer modernista muito importante para o período. Contudo, antes que isso sequer fosse uma possibilidade, vale destacar a emblemática frase dita por Le Corbusier quando a designer demonstrou interesse em participar de seu ateliê: “Aqui não bordamos almofadas”. Essa foi, então, a imagem motriz da análise que demonstra o apagamento das mulheres na história.

 Charlotte Perriand no Japão em 1954. Foto: Wikimedia Commons/Reprodução
Charlotte Perriand no Japão em 1954. Foto: Wikimedia Commons/Reprodução

Naquela época era inesperado que uma mulher fosse capaz de criar com materiais não efêmeros, como concreto e metal. As mulheres bordavam almofadas e desenvolviam artefatos com papel e tecido, materiais que se perdem ao tempo, não deixando registro de suas obras.

Ao analisar o artigo ‘Corpos, cadeiras, colares, um paralelo da Charlotte Perriand e Lina Bo Bardi’, a autora Silvana Rubino, professora do Departamento de História da Unicamp, deixa claro que essas duas mulheres eram símbolos de resistência entre um modernismo elitista e predominantemente masculino.

Nesse cenário, contra a corrente, Perriand protagonizou a criação de um dos itens mais emblemáticos da coleção LC, de Le Corbusier: a chaise-longue LC4, um ícone do design. Da mesma forma, com o seu diploma de “arquiteto” e suas obras como ‘A casa de vidro’, o ‘SESC Pompeia’ e a ‘cadeira Bardi’s Bowl’, Lina Bo Bardi foi e continua sendo um exemplo de resistência e de ruptura ao se tornar um ícone do modernismo brasileiro.

Lina Bo Bardi foi uma das maiores arquitetas do mundo. Foto: reprodução
Lina Bo Bardi foi uma das maiores arquitetas do mundo. Foto: reprodução

Dessa maneira, discutir a prática de artistas modernistas no contexto contemporâneo vem com total relevância, percebendo-se o quanto o modernismo internacional serviu como meio de fragmentação social, transformando uma diferença de gênero em desigualdade ao consolidar uma cultura de elite, formada quase que totalmente por homens.

Deve-se dirigir o olhar à diferença e existência de vários modernismos, onde mulheres, mesmo sendo minoria, conseguiram dar um grande passo na tomada desse espaço. Porém, enquanto uns são enaltecidos, outras ainda continuam desvanecidas e, na história, é preciso se atentar a todos os pontos de vista. Será que continuamos a escrever de uma só perspectiva?

*Rafaella de Bona é graduanda em Design de Produto na UFPR e vencedora do iF Design Talent Award 2019. Stefany Santana é designer pela UFPR.

Conteúdo editado por:Luan Galani
Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 0 ]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Política de Privacidade.