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Entrevista

Do plástico à sustentabilidade: Lorenza Luti fala sobre o futuro da Kartell

  • PorPor Fernanda Massarotto, especial para HAUS
  • de Milão
  • 24/07/2020 16:23
Cadeiras Masters, da Kartell. Foto: Divulgação
Cadeiras Masters, da Kartell. Foto: Divulgação| Foto:

Arquitetura ou economia? Design ou moda? Questionamentos constantes permearam a vida de Lorenza Luti, herdeira da Kartell, a marca que democratizou o design usando uma matéria-prima especial: o plástico. De primeira qualidade, é claro. A menina que cresceu brincando nos jardins da sede da empresa, em Noviglio, nos arredores de Milão, e na adolescência passava horas atendendo clientes no estande da Kartell durante o Salão do Móvel, chegou a pensar em uma carreira na moda. “Queria experimentar algo novo. E meu pai também viveu esse ambiente por muitos anos até que resolveu tomar as rédeas da empresa do meu avô materno”, esclarece a diretora de marketing e varejo da Kartell que, após o colegial, titubeou em ingressar na faculdade de Arquitetura.

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Venceu a razão e um certo incentivo paterno pela área econômica e administrativa. Lorenza Luti se formou na prestigiosa Universidade Bocconi de Milão, a mais renomada da Itália para os cursos de economia e administração. A incerteza em seguir os passos do pai levaram a italiana a trabalhar na grife Ermenegildo Zegna até que as lembranças da infância e da adolescência – e um sábio conselho de Anna Zegna – fizeram com que a filha retornasse à casa.

Lorenza Luti, diretora de marketing e varejo da Kartell. Foto: Tommaso Gesuato
Lorenza Luti, diretora de marketing e varejo da Kartell. Foto: Tommaso Gesuato

Hoje, ela faz parte do primeiro time da Kartell e é sem dúvidas o braço direito do pai. Em meio a reuniões, a empresária e diretora de marketing e varejo da marca italiana nos recebeu para um bate-papo em seu escritório na sede da empresa.

São três gerações. Seu avô, seu pai e agora você. Como foi crescer com Kartell?

Tenho lembranças maravilhosas. A primeira: as festas que se realizavam aqui na sede em Noviglio, área metropolitana de Milão. Ainda me recordo quando a empresa patrocinava eventos esportivos e todos nós vestíamos camisetas com o logo da Kartell. Eram momentos de alegria. Outro, com certeza, é o Salão do Móvel, quando meu pai nos levava, eu e meu irmão, para a feira. Eu tinha uns cinco ou seis anos e ficava admirada com os produtos. Na adolescência, era convocada para trabalhar. Ficava atrás do balcão e recebia os clientes, jornalistas, convidados e parceiros. Crescer com a empresa foi um prazer em todos os sentidos. Divertimento quando criança, carreira profissional em idade adulta.

Terceira geração Castelli-Luti no comando da Kartell. Poucos sabem, mas a sua grande paixão e a sua primeira experiência profissional foi no universo fashion. Assim que terminou a faculdade de Economia, na Universidade Bocconi, você foi trabalhar com Anna Zegna, da grife Ermenegildo Zegna. Por que a moda antes do design? Temia comparações com seu pai?

Para dizer a verdade e usar a sua afirmação “poucos sabem”... meu pai também começou com a moda. Ele trabalhou vários anos para Gianni Versace. Acho, então, que é de família: primeiro a moda, depois o design. Tudo aconteceu meio por acaso. Anna Zegna havia trabalhado com meu pai, aqui na Kartell, e estava lançando uma linha feminina de luxo dentro da empresa, a Agnona. Ela me convidou e eu aceitei. Foi uma aventura incrível. Éramos poucas pessoas e eu estagiária participava de reuniões importantes. Foi uma segunda escola: aprendi tudo sobre varejo, comunicação e vendas. Depois de um ano e meio, Anna me disse: ‘o que você está fazendo aqui? Vá trabalhar na tua empresa’. Eu vi aquele empurrão como um bom conselho e decidi que era hora do bom filho retornar à casa. Sem medo de comparações ou privilégios, pelo contrário, meu pai sempre foi muito exigente e severo, e conosco, filhos, muito mais ainda.

Pode contar um pouco do seu percurso profissional na Kartell?

Depois do “pito” da Anna Zegna e da experiência adquirida em uma importante grife, achei que era hora mesmo de trabalhar com meu pai. O primeiro passo foi começar na nossa loja/showroom, de Milão, na via Turati. Era setembro de 2003 e éramos só dois funcionários, eu e o gerente da loja. Eu vendia, compunha as vitrines, preparava os layouts, participava das reuniões de logística e de distribuição. E o mais importante: passei a conhecer todos os produtos a fundo. De lá fui para Paris, um dos mercados mais importantes para a Kartell. Recebia clientes importantes e cheguei até a fazer assessoria de imprensa. Em 2006, voltei para integrar o staff de confiança do meu pai. Dei os primeiros passos na comunicação e de lá passei para a direção de marketing e varejo. Hoje, toda a parte de e-commerce e mídias sociais também estão nas minhas mãos.

Cadeira Louis Ghost, do designer Philippe Starck, um clássico da marca. Foto: Divulgação
Cadeira Louis Ghost, do designer Philippe Starck, um clássico da marca. Foto: Divulgação

Claudio Luti, seu pai, revolucionou o setor com o lançamento de peças de mobiliário e acessórios em plástico. Nascia, assim, o design democrático de Kartell que no ano passado comemorou 70 anos. Como você define a Kartell hoje?

Somos uma marca de lifestyle e design. Gosto sempre de ressaltar que não somos uma empresa só de móveis. Nossos produtos possuem alguns diferenciais: inovação, pesquisa, novos materiais, tecnologia, qualidade, grandes nomes do design e produção industrial. Tudo isso combinado ao uso de cores. Oferecemos ao público peças icônicas que conseguem unir qualidade e preço. E, em nosso catálogo, há um pouco de tudo: poltronas, sofás, mesas, luminárias, acessórios para casa e até utensílios. Brinco com meu pai que só faltam armários e camas.

Você tem uma peça favorita da Kartell?

Eu cheguei para trabalhar na Kartell quando houve o “boom” da transparência. Meu pai havia introduzido essa tendência que revolucionou o mercado em 1999, com a cadeira La Marie, desenhada por Starck. Quem poderia imaginar que uma peça de policarbonato pudesse cair no gosto do público internacional. E a partir daquela época, começamos a lançar outros produtos. Tenho um carinho especial pela Louis Ghost, do Starck, lançada em 2002, um mix de cadeira e poltrona, com suas formas barrocas em estilo Luís XV e que detém o recorde de venda: mais de três milhões de peças. Outra peça que gosto muito é a cadeira Masters, que é uma homenagem inteligente a três cadeiras-símbolo, revisitadas e reinterpretadas sempre por Starck. Sem falar, é claro, no grande lançamento do ano passado, que é a A.I, uma cadeira desenhada com ajuda de inteligência artificial.

Ursinho TOY: luminária de mesa foi criado por Lorenza em parceria com Moschino e Jeremy Scot. Foto: Divulgação
Ursinho TOY: luminária de mesa foi criado por Lorenza em parceria com Moschino e Jeremy Scot. Foto: Divulgação

Em 2007, você foi responsável por introduzir no catálogo Kartell alguns produtos em parceria com grifes de moda, como as sapatilhas Glue Cinderella, bolsas assinadas pela brasileira Paula Cademartori e luminárias Moschino. Como foi trabalhar unindo moda e design?

Não foi muito difícil. Mas também não tão fácil. Apesar de trabalhar na moda, meu pai comprou a ideia, mas sempre me disse que eram projetos ‘meus’ e que teria de cuidar pessoalmente. Ou seja, além das nossas lojas teria de encontrar outros canais de distribuições como lojas-conceito. Posso dizer que minha intuição deu certo. Nosso primeiro produto foi o ursinho TOY, uma luminária de mesa, concebida em colaboração com Moschino e Jeremy Scott. É uma peça irreverente e colorida. Logo em seguida, foi a vez da coleção cápsula com a La Double J. A jornalista J. J. Martin selecionou no arquivo histórico da Kartell alguns produtos icônicos como a poltrona Clap, da Patricia Urquiola, as mesinhas Tip Top e as cadeiras Madame, de Philippe Starck, para serem revestidas com os tecidos de estampas de inspiração vintage da Double J. E ainda tivemos Dolce & Gabbana, Missoni, Moschino e Burberry que emprestaram talento e criatividade para “vestir” as nossas cadeiras Mademoiselle.

Há algum móvel ou acessório que tenha sido produzido ou que ainda será feito pela Kartell ‘a pedido de Lorenza Luti’?

Acho que vou propor armários e camas (risos). Acho que não é preciso que eu solicite, nosso time é muito criativo. Temos ousado bastante quando o assunto é novos materiais, por exemplo. Em 2017, apresentamos ao mercado alinha Kartell by Laufen, com novas peças de cerâmica, mobiliário e acabamentos especiais. Há alguns anos introduzimos a madeira e agora partimos para o uso do plástico reciclado na produção de nossas peças.

Quem são os seus designers preferidos? E na sua casa, os móveis são todos Kartell?

Mais que designers preferidos, eu diria amigos designers: Piero Lissoni e Ferruccio Laviani, este último diretor-criativo da Kartell. Saímos para jantar e até esquiar. E, é claro, tenho móveis de ambos. Na minha casa, há um pouco de tudo. Tanto que quando a comprei, fui mobiliando aos poucos. Alguns objetos eu herdei, outros foram trazidos de viagens. Meu sofá é uma criação do Piero Lissoni e, ao lado, coloquei duas cadeiras de madeira. Na sala de jantar, tenho uma mesa francesa quadrada de metal com duas cadeiras Masters e duas poltronas Madame Milano, da Kartell. Assim como na moda, onde é fundamental compor ‘looks’, na hora de decorar uma casa o melhor caminho é usar o bom senso e a criatividade.

 Peças da linha Kartell by Laufen, de 2017. Foto: Divulgação
Peças da linha Kartell by Laufen, de 2017. Foto: Divulgação | Torvioll

Você tem duas filhas pequenas. Podemos especular uma quarta geração no comando de Kartell?

Minhas filhas adoram vir até a nossa sede. Eu digo sempre que são embaixadoras da marca. Quando na escola devem preparar um projeto de sustentabilidade ou design, o tema sempre envolve a nossa empresa. A mais velha, que tem 10 anos, por exemplo, faz desenhos e me dá conselhos de como decorar a vitrine das lojas. Acho que posso dizer que a quarta geração Kartell já está a caminho. Mas só daqui a alguns anos, com calma e sem pressão.


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Comentários [ 1 ]

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  • B

    Bundalelê!

    ± 0 minutos

    Excelentes criações! Lembro da era dos "comunistas e socialistas", quando eu tinha trabalho e $ no bolso, mobiliei a casa. Não faltou Kartell. Bons tempos de compras e ida ao exterior com as malas cheias de pendentes, lustres, abajures. Acabou! No máximo troco a lâmpada. Mas o + importante é que tiramos o fantasma do PT (e a lama cobrindo o nariz)............

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