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Memória afetiva

Rendas brasileiras eternizadas viram peças de design de marca consagrada

  • PorSharon Abdalla
  • 04/06/2020 10:09
Mesa Raíz, com rendas autorais. Foto: Divulgação
Mesa Raíz, com rendas autorais. Foto: Divulgação| Foto:

Seja de bilro ou de crochê, o trabalho artesanal das rendas tem o poder de acionar o emocional, a memória afetiva que perpassa a história de boa parte das famílias e, porque não dizer, da população brasileira.

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E foi um acervo particular com mais de 50 delas que deu origem à coleção Rendas, mais novo trabalho assinado pelo designer Pedro Franco e apresentado em primeira-mão pela HAUS. À frente da A Lot of Brasil, indústria de design referência em pesquisa e tecnologia e única brasileira a expor no hall 20, o mais concorrido do Salão do Móvel de Milão, Franco planejava o lançamento para a edição 2020 do evento, mais importante do design mundial, que foi cancelada devido à pandemia do novo coronavírus. Desta forma, apresenta o conceito que fundamenta a coleção em uma espécie de pré-lançamento, uma vez que todas as peças estarão reunidas para lançamento oficial na 60ª edição do Salão do Móvel, que será realizada em abril de 2021.

Sofá Rendeiras. Foto: Divulgação
Sofá Rendeiras. Foto: Divulgação

A referência ao trabalho artesanal que envolve a produção das rendas, exaltadas em todas as mais de 20 peças que integram a coleção, não resulta apenas do garimpo feito pelo designer em feiras de artesanato e viagens de trabalho realizadas durante anos por diferentes regiões do país. Mais do que isso, é uma provocação no sentido de promover a intersecção entre dois mundos, o tecnológico e o dos trabalhos e saberes manuais.

Luminária Saia Rendada, em crochê enrijecido com amido de milho, pela artesã Maria de Fátima. Foto: Divulgação
Luminária Saia Rendada, em crochê enrijecido com amido de milho, pela artesã Maria de Fátima. Foto: Divulgação

"Essa coleção nasceu quando voltei de Milão no passado, onde vi três ou quatro marcas lançando produtos com a estética final sendo dada pela inteligência artificial. Aquilo me incomodou muito, porque o mundo não é só isso, ele não pode ser levado só pela tecnologia. Não posso negar a tecnologia, nós fazemos pesquisas tecnológicas, mas não pode ser a tecnologia pela tecnologia, que promove um crescimento sem sustentabilidade. Tem de existir outros valores", argumenta o designer. "[Na coleção], fiz o contraponto no sentido da rede, da malha manual, e não só a malha da matrix, dos algoritmos", acrescenta.

Mesa de Jantar FlaFla, com tampo em pedra Perla Santana, do interior do Ceará, usinada em renda em baixo relevo. Foto: Divulgação
Mesa de Jantar FlaFla, com tampo em pedra Perla Santana, do interior do Ceará, usinada em renda em baixo relevo. Foto: Divulgação

Modos de fazer

Essa dualidade e complementariedade entre artesanal e manual aparece em todas as peças da coleção Rendas, que engloba de cadeiras, armário, aparador, poltronas e sofás à mesas, luminárias, tapetes e revestimentos cerâmicos (algumas assinadas em collabs), e tem na eternização seu grande destaque.

Cadeira Fla, com encosto em renda eternizada em edição limitada. Foto: Divulgação
Cadeira Fla, com encosto em renda eternizada em edição limitada. Foto: Divulgação

A técnica consiste em um banho de metal no qual as rendas, feitas por diversos artesãos de diferentes partes do país, são mergulhadas para que se metalizem e enrijeçam. Assim, são usadas como encosto nas cadeiras e apoio nas mesas, ambas com edições limitadas.

As peças produzidas em escala industrial, por sua vez, recebem encostos e tampos em aço com banho de cobre recortado a laser, reproduzindo rendas autorais assinadas por Franco, com desenhos originados da fusão dos presentes em rendas produzidas por todo o país.

Cadeira Fla, com encosto em renda autoral assinada por Pedro Franco e corte a laser. Foto: Divulgação
Cadeira Fla, com encosto em renda autoral assinada por Pedro Franco e corte a laser. Foto: Divulgação

A dualidade nas formas de produzir também está presente no aparador Renascença. Isso porque uma de suas versões tem o trabalho das rendas usinado em chapa melamínica de MDF tingida na massa, enquanto a segunda é esculpida manualmente pela artesã Fafá Escultora. "Ambas trazem o mesmo desenho, das rendas autorais, mostrando que é linda a peça feita à maquina, mas também linda a feita à mão, com suas imperfeições", avalia o designer.

Aparador Renascença. Foto: Divulgação
Aparador Renascença. Foto: Divulgação

Uma das peças-ícone da A Lot of Brasil, a poltrona e sofá Underconstruction, que se mimetiza a cada nova coleção, não ficou de fora da "Rendas" e ganhou revestimento em tecido desenvolvido em collab para a Texion e aplicações de flores em ponto-cruz bordadas pela artesã baiana Ana Caires. A Bahia, aliás, é a cidade-tema de apresentação da coleção, cujas rendas são a base de renda de muitas famílias.

Poltrona Underconstruction. Foto: Divulgação
Poltrona Underconstruction. Foto: Divulgação

"É o design como plataforma de amplificação do trabalho dos artesãos, o que ajuda a eternizar nossa iconografia, e de valores, pensamentos e leituras antropológicas que fazemos da sociedade", resume Franco. "O design tem que ser encarado como um grande manifesto, e é o que procuro nesta coleção. Quando você tem uma relação emocional, aí sim falamos de atemporalidade de um produto, de sustentabilidade. Dentro de todos os setores, a partir do momento em que se traz e valoriza a nossa cultura, o artesão, nossa história, uma região, estamos transformando o design neste grande manifesto. Não podemos esquecer que desenhamos para seres humanos, que o design é criado para as pessoas", conclui.

Armário Rendeiras. Foto: Divulgação
Armário Rendeiras. Foto: Divulgação
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