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Por décadas a HM foi ponto de visita obrigatória nas noites de Natal. Foto: Arquivo
Por décadas a HM foi ponto de visita obrigatória nas noites de Natal. Foto: Arquivo| Foto:

Você se lembra de uma loja de departamentos no centro de Curitiba, que ficava na Rua Barão do Rio Branco? Dependendo da sua idade, talvez sua primeira bicicleta tenha vindo de lá. Mas é mais provável você lembrar do mágico Natal da Hermes Macedo. Entre os anos 1940 e 1990, a HM se vestia religiosamente para a festa.

O arco que conectava as duas calçadas da Barão do Rio Branco era destaque da decoração. Foto: Letícia Akemi/Reprodução
O arco que conectava as duas calçadas da Barão do Rio Branco era destaque da decoração. Foto: Letícia Akemi/Reprodução| Foto Reprodução Leticia Akemi

Tudo era de encher os olhos, para crianças e adultos. Os corredores ganhavam enfeites e uma Gruta Encantada era montada no setor de brinquedos, no subsolo da loja, onde meninos e meninas escolhiam os presentes que gostariam de ganhar. Um presépio mecanizado, que era ícone da HM, completava o clima. A rua virava extensão da festa. “O arco de Natal causava acidentes: motoristas passavam por ali, ficavam encantados com o brilho e acabavam batendo o carro”, conta Sinval Martins, 83 anos, que foi chefe de propaganda da Hermes Macedo por mais de 20 anos, sobre o enfeite que conectava as duas calçadas da Barão do Rio Branco em frente à loja.

Foto: Letícia Akemi/Reprodução
Foto: Letícia Akemi/Reprodução| Foto Reprodução Leticia Akemi
Foto: Letícia Akemi/Reprodução
Foto: Letícia Akemi/Reprodução| Foto Reprodução Leticia Akemi
Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo
Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo| Gazeta do Povo

Um desfile com direito a carros alegóricos e funcionários fantasiados acompanhava a chegada do Papai Noel à loja, passando por ruas importantes do centro. Em certa ocasião, ele chegou de helicóptero com toda pompa e circunstância ao estádio Couto Pereira. “Queríamos que Curitiba tivesse a grande festa do ano durante o Natal. Por isso, decidimos criar um ponto de referência na cidade, algo que as pessoas não deixassem de ver”, explica.

Foto: Letícia Akemi/Reprodução
Foto: Letícia Akemi/Reprodução| Foto Reprodução Leticia Akemi
Foto: Letícia Akemi/Reprodução
Foto: Letícia Akemi/Reprodução| Foto Reprodução Leticia Akemi

A decoração foi ficando cada vez mais complexa, e os bonequinhos de gesso deram lugar a figuras que se mexiam sozinhas. “Nós, que só começávamos a elaborar as ideias em julho, passamos a iniciar os preparativos em janeiro. A Móveis Cimo, as Lojas Prosdócimo, a HM da Barão e a casa de Hermes Macedo formavam o circuito de decoração que as pessoas não podiam deixar de ver no fim de ano”, diz Raul Janz, 68 anos, que trabalhou no departamento de decoração da loja entre 1969 e 1994, projetando e dando forma a toda essa operação natalina.

Foto: Letícia Akemi/Reprodução
Foto: Letícia Akemi/Reprodução| Foto Reprodução Leticia Akemi
Passarela da loja Hermes Macedo, que atravessava a Rua Barão do Rio Branco. Foto: Letícia Akemi/Reprodução
Passarela da loja Hermes Macedo, que atravessava a Rua Barão do Rio Branco. Foto: Letícia Akemi/Reprodução| Foto Reprodução Leticia Akemi
Foto: Letícia Akemi/Reprodução
Foto: Letícia Akemi/Reprodução| Foto Reprodução Leticia Akemi

O químico e representante comercial José Amaral, 57 anos, concorda. “Todo dia 24 de dezembro, por volta das 19 horas, meu pai levava minhas irmãs e eu para passear pela cidade e ver as decorações de Natal de todos esses lugares. E minha mãe aproveitava para colocar os presentes embaixo do pinheirinho. Quando voltávamos, diziam que o Papai Noel havia passado ali”, lembra.

No Natal da  HM de 1967, José Amaral, com 8 anos,   e as irmãs Bernadete (13) e Elizabeth (18). Foto: Arquivo/ José Amaral
No Natal da HM de 1967, José Amaral, com 8 anos, e as irmãs Bernadete (13) e Elizabeth (18). Foto: Arquivo/ José Amaral

E hoje

Janz recorda que, naquela época, era difícil encontrar artigos para a decoração natalina. “Já fui com minha esposa ao Paraguai só para encontrar luzinhas de Natal. Voltei com o carro carregado e com medo de ser parado na estrada pela fiscalização”, diverte-se. Com a dificuldade, poucas casas e comércios se enfeitavam, por isso o alvoroço era tão grande. “As decorações de ruas e lojas eram um acontecimento. Grandes e iluminadas, feitas com capricho”, diz Amaral.

Hoje tudo é mais fácil. Mas por que nos sentimos saudosistas? Até mesmo quem não presenciou os Natais da HM parece sentir falta deles. Talvez porque, segundo Amaral, além de criar uma atmosfera lúdica, eles reforçavam as características únicas do entorno. “Na rua, as lojas estão localizadas perto de ou em edifícios que mostram a arquitetura do lugar e ajudam a contar a história da cidade.”

* especial para a Gazeta do Povo

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