Crianças encantam com versões miniatura de casas tradicionais polonesas

Depois de visitar exposição, uma professora do 5º ano da Escola Municipal dos Vinhedos teve a ideia de incentivar a confecção das casas por seus alunos de 9, 10 e 11 anos

Alunos do 5º. ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal dos Vinhedos, de Santa Felicidade, empenharam-se na tarefa de resgatar a tradição polonesa de construção. O resultado é uma exposição que pode ser visitada até esta sexta-feira (11) no Edifício Delta. Foto: Letícia Akemi / Gazeta do Povo

por Carolina Werneck*

10/08/2017

compartilhe

Uma exposição da Escola Municipal dos Vinhedos, de Santa Felicidade, está chamando a atenção no Edifício Delta, no Centro Cívico de Curitiba. Coordenados pelas professoras Márcia Hampe Mafra e Nanci Vinhas Pohl, os alunos dos 5º. anos construíram com suas famílias 80 miniaturas de casas polonesas.

Alunos do 5º. ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal dos Vinhedos, de Santa Felicidade, empenharam-se na tarefa de resgatar a tradição polonesa de construção. O resultado é uma exposição que pode ser visitada até esta sexta-feira (11) no Edifício Delta. Foto: Letícia Akemi / Gazeta do Povo

Alunos do 5º. ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal dos Vinhedos, de Santa Felicidade, empenharam-se na tarefa de resgatar a tradição polonesa de construção. O resultado é uma exposição que pode ser visitada até esta sexta-feira (11) no Edifício Delta.
Foto: Letícia Akemi / Gazeta do Povo

Tudo começou quando a professora foi convidada a visitar a exposição “Casas da Polônia“, do artista Sérgio Serena. Observando a empolgação dos estudantes com as casinhas, Nanci não teve dúvida. “Na hora, me deu uma coisa e perguntei se as crianças gostariam de fazer igual. Elas toparam e, depois, os pais também abraçaram a ideia”, conta. A professora queria juntar as famílias em torno de um objetivo comum: resgatar a história da imigração polonesa na região de Curitiba. Pais informados, ela deu um prazo de 15 dias para a confecção das casinhas.

Exposição de cerca de 80 minicasas polonesas, construídas por alunos da Escola Municipal dos Vinhedos, de Santa Felicidade. Eles contaram com a ajuda dos pais em um trabalho que surpreendeu os professores. Foto: Letícia Akemi / Gazeta do Povo

Exposição de cerca de 80 minicasas polonesas, construídas por alunos da Escola Municipal dos Vinhedos, de Santa Felicidade. Eles contaram com a ajuda dos pais em um trabalho que surpreendeu os professores.
Foto: Letícia Akemi / Gazeta do Povo

Embora Santa Felicidade seja um bairro tradicionalmente italiano, a cultura dos povos eslavos foi muito importante para a colonização do ParanáJussara Valentini é arquiteta e autora do livro “A arquitetura do imigrante polonês na região de Curitiba“, de 1982. Ela explica que as conhecidas casas polonesas têm um tipo próprio de arquitetura. “É uma forma de construir com troncos de madeira encaixados, sem a utilização de pregos. Essa técnica faz parte da cultura milenar desses povos e foi trazida pelos imigrantes para o Brasil.” Para ela, conectar as crianças com essa cultura é fundamental para que ela se torne mais próxima da realidade deles. “Ainda que não sejamos descendentes de poloneses, ucranianos e outros povos eslavos, esse conhecimento faz parte da nossa cultura. É muito importante que eles vivenciem e sintam esse tipo de conhecimento.”

Alunos do 5º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal dos Vinhedos, de Santa Felicidade. Foto: Letícia Akemi / Gazeta do Povo

Alunos do 5º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal dos Vinhedos, de Santa Felicidade.
Foto: Letícia Akemi / Gazeta do Povo

Com apoio das famílias e uma boa quantidade de pesquisa envolvida, o projeto tomou forma e pode ser visitado até sexta-feira (11). Nanci conta que o próprio Serena foi um dos visitantes da exposição. “Ele veio prestigiar e disse que não vai mais fazer casinhas, porque as das crianças ficaram melhores que as dele”, diz, rindo. Outro dos objetivos do projeto, a colaboração entre pais e filhos foi ainda mais forte do que ela previa. “Os pais pegaram fogo. O máximo, para mim, foi ver o o projeto de um dos meninos, cujo avô é descendente de poloneses. Acontece que o pai do menino é construtor de casas. Eles juntaram um conhecimento com o outro e o resultado foi sensacional.”

Confira mais fotos das pequenas casas

Como bônus, Nanci conseguiu atrair a atenção dos pequenos para outra tradição esquecida: a pesquisa em enciclopédias. “Meus alunos não sabiam o que era uma enciclopédia. Busquei uma no Farol [do Saber], abri, mostrei como era fazer uma pesquisa ali. Eles ficaram loucos com a novidade”, diverte-se ela. Além de todo o conhecimento que trouxe para os alunos, ela avalia que o projeto também contribuiu em outros aspectos. Segundo a professora construir as maquetes elevou a autoestima de muitos deles. “Eles se sentiram valorizados e capazes. Essas iniciativas são importantes porque muito da nossa cultura é baseada nas tradições dos imigrantes. Foi ótimo para as crianças se localizarem e entenderem essas raízes.”

Serviço

Exposição das miniaturas de casas polonesas feitas pelos alunos da Escola Municipal dos Vinhedos. Até sexta-feira (11/08), Edifício Delta – Avenida João Gualberto, 623 – Centro Cívico

*Especial para a Gazeta do Povo.

LEIA TAMBÉM

Receba nossas notícias por e-mail

Inscreva-se em nossas newsletters e leia em
seu e-mail os conteúdos de que você mais
gosta. É fácil e grátis.

Quero receber

8 recomendações para você