Economista Pedro Malan
O economista Pedro Malan em live da Expo Revestir 2021, sobre cenário econômico.| Foto: Reprodução

A recuperação econômica - seja do Brasil ou em outros países do mundo - está atrelada sobretudo a uma vacinação em massa e rápida. Esse é um dos fatores elencados pelo economista Pedro Malan em live sobre o cenário macroeconômico na programação da Expo Revestir 2021, maior feira de arquitetura do ramo que, este ano, ocorre totalmente online.

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Doutor em Economia pela Universidade da Califórnia, Berkeley, Pedro Malan foi Presidente do Banco Central entre 1993 e 1994, época da implementação do Plano Real no Brasil, e Ministro da Fazenda nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso (de 1995 a 2002). Foi ainda negociador-chefe da dívida externa (1991-1993) e representante do Brasil na Diretoria Executiva do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington.

Durante a live, Malan explicou que a recuperação econômica do Brasil deve ser lenta e durará anos: para este ano, o crescimento deve ser de pouco mais de 3,20%. Em 2022, de acordo com o economista, as perspectivas não são melhores e o avanço deve ficar em 2,4%. Malan chamou a atenção ainda para a pressão inflacionária, que segundo ele pode chegar a até 7% em julho desse ano, o que aumenta o grau de incerteza da economia.

Segundo ele, a demora no auxílio emergencial e a falta de comunicação clara com a população brasileira são outros aspectos que atrapalham o avanço.

No entanto, o economista frisou que a demora das negociações na compra de vacinas - realizada tanto por países desenvolvidos como por emergentes no ano passado - é o que mais vai atrapalhar a recuperação. "Parte do mundo fechou contratos ainda em 2020. Um bom exemplo na América Latina é o Chile, que já vacinou uma parte expressiva de sua população. Não haverá recuperação significativa de qualquer economia sem que haja disseminação da vacina em uma parte expressiva da população".

Pedro Malan salientou ainda que a demora pela vacinação pode prejudicar o trânsito de brasileiros pelo mundo, já que existe uma preocupação global sobre a variante do coronavírus gerada no Brasil; hoje o país e considerado o epicentro da pandemia. "Quem está tentando viajar para fora sabe do receio de transmissão dessa cepa no resto do mundo".

Apesar do cenário macro desfavorável, Malan acredita que o setor de arquitetura e design continuará se beneficiando de novas tecnologias e do avanço do comércio digital. "Há uma inclusão de pequenos e médios varejistas, além de clientes. Temos pessoas muito competentes na área de tecnologia no Brasil, assim como empresas que estão investindo. O Brasil mesmo com eficiências viu o quanto o seu sistema de saúde é eficiente, e que já vacinou mais de 2 milhões de pessoas por dia. Temos estrutura para isso".

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