Gestão estratégica traz eficácia, agilidade e qualidade aos escritórios de arquitetura
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Muito mais do que de conhecimento técnico e criatividade se faz um escritório de arquitetura. Um bom processo de gestão é indispensável não somente para o crescimento e a saúde financeira do negócio, mas também para aprimorar a qualidade das entregas e, consequentemente, a satisfação dos clientes, sem que isso leve ao esgotamento das equipes.

Quem afirma é a arquiteta Adriana Toledo, professora da FIA (Fundação Instituto de Administração) e consultora organizacional sistêmica. Em evento paralelo da 19ª Expo Revestir 2021, realizado de forma remota nesta terça-feira (23), ela destacou que, apesar de imprescindível, a gestão estratégica ainda está fora do raio de boa parte dos escritórios de arquitetura e que o motivo disso é o pré-conceito que ronda o tema.

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"Existe a crença de que a gestão é algo que impede a atividade do escritório. Como se a ela, ao invés de ajudar, seja algo que vem para atrapalhar, burocratizar, algo que tira o profissional do escritório, daquela atividade para a qual ele foi treinado, capacitado e que é a atividade que ele ama", aponta.

Na opinião dela, isso ocorre pela falta de conhecimento, de experiência do processo que envolve colocar em prática um modelo que funcione e responda às necessidades daquela empresa e, principalmente, pela crença de que a gestão é algo burocrático.

"Essa é uma ideia ainda presente em nossas mentes: de que a gestão é um processo de ficar preenchendo papelada. A gestão é algo absolutamente diferente da burocracia. Ela só faz sentido se for para trazer eficácia, agilidade e mais qualidade para o projeto, e não para burocratizar, emperrar e trazer ainda mais problemas", defende.

E na visão de Adriana, a habilidade em olhar para o todo que o arquiteto já possuem coloca-os à frente e em uma posição mais confortável para trabalhar com gestão quando comparado aos profissionais de outras áreas. Para isso, no entanto, é preciso que ele se abra à mudança, à adaptação, além de manter o foco, ter inteligência emocional para lidar com os percalços e diferentes pontos de vista.

Como fazer?

A partir daí, o primeiro passo para elaborar um projeto de gestão estratégica é ter clareza sobre qual é a intenção do escritório com a implantação do modelo de gestão (e não pular etapas).

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"A primeira delas é definir o como e o porquê do escritório, o que se quer fazer dele. Depois, faz-se o diagnóstico da situação atual, em que momento o escritório se encontra, os pontos fortes e fracos", ensina. Para a consultora, é importante que a equipe de colaboradores participem deste diagnóstico para, então, desenharem em conjunto uma visão de futuro para o trabalho. "Essa visão de futuro ajuda as pessoas a se unirem em torno de um objetivo", destaca.

Em seguida, vem a etapa da definição de metas de curto, médio e longo prazos e, na sequência, a avaliação dos resultados obtidos, para que possíveis ajustes e correções de rota sejam realizados.

"A gestão deve ser inteligente, e não engessada. Não estamos buscando um novo modelo de gestão organizacional. Isso não existe. A busca é por um escritório inteligente que aprende e se transforma. Um modelo de gestão não é estático, pronto. Ele está eternamente em construção. Precisa ser revistado a todo tempo. Funcionou? Está servindo? O modelo de gestão se adapta às necessidades de uma organização, e não o contrário", aponta.

Com o plano de gestão estratégica traçado, aí sim é o momento de estendê-lo e incorporar nele os demais fluxos de gestão, como da comunicação, de gerenciamento de pessoas, de marketing e comercial, por exemplo, para dar continuidade ao processo que, uma vez implementado, demandará menos esforço e atenção e contribuirá para os resultados do escritório.

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