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Rosto de Maarten Baas. Ele usa um chapeu.
Baas foi um dos principais nomes da programação da Expo Revestir 2022| Foto: Divulgação

É como prestigiado e influente designer que Maarten Baas, um dos principais nomes da programação da Expo Revestir 2022, é conhecido - mas é com a arte que ele se identifica cada vez mais.

Não é à toa. Holandês nascido na Alemanha - ele nasceu em Arnsberg, cidade próxima a Dortmund, em 1978, mas foi para a Holanda no ano seguinte -, Baas sempre desenvolveu trabalhos considerados “fluidos” entre o design e a arte. Basta lembrar que é ele o responsável pela obra “Real Time” (tempo real, em tradução livre), exibida, entre outros lugares, no aeroporto de Schiphol, em Amsterdã (2016).

Em entrevista concedida por e-mail à HAUS na semana de sua participação na fashion week da arquitetura, Baas falou sobre esse crescente interesse na arte, sobre o impulso de criar obras “que agregam” e sobre design, além de comentar a dificuldade que temos para conviver com opiniões diferentes.

O que te leva ao design e à arte? Por quê?

Eu não sei exatamente o que me leva a eles. Somente um impulso interno por me expressar, por inspirar outras pessoas e por fazer algo que eu acredito que agrega alguma coisa ao mundo.

Uma vez li que você pensa que sofás são tediosos. Os convencionais. Mas a maioria das coisas que estão à nossa volta também são. Seria essa uma das missões da sua vida, nos dar um novo mundo de perspectivas? Se sim, por quê?

Sim, como eu já disse: às vezes eu penso que o mundo é muito ditado por eficiência e escolhas seguras. Eu tento esticar um pouco esses limites.

A sua geração de designers está mais disposta a experimentar do que criar coisas bonitas? Se sim, por quê?

Depende um pouco da definição de “coisas bonitas”. Não posso falar pela minha geração, apenas por mim mesmo. E eu não gosto mesmo de fazer apenas uma forma legal, apenas para ter outro objeto legal. Quero dar um passo a mais. Por quê? Apenas porque penso que é uma perda de tempo fazer algo que é somente uma variação daquilo que já conhecemos.

Para você, o que faz um bom design?

Não há apenas uma definição. Muitas coisas podem ser explicadas a partir da natureza. Assim, a sua pergunta seria: “Para você, o que faz uma boa árvore?”. Nós precisamos de todos os tipos de árvore, todos os tipos de animais, todos os tipos de design. Se há um ambiente frutífero para ele, ele é bom.

Há algo no Brasil que te inspire ou o país está fora da sua esfera de influência?

O caráter frívolo, colorido e vívido da cultura.

O que você ainda não alcançou, mas gostaria de alcançar? Criar algo específico, talvez?

Nos meus designs, eu nunca almejei objetivos específicos, exceto conseguir fazer o que eu acredito que é necessário. Os objetivos estão mais relacionados a circunstâncias. Eu trabalho aproximadamente 30 horas por semana agora, meu objetivo é reduzi-las para 20 horas.

Você gosta de reinterpretar o mundo, de dar a ele um toque fantástico e experimentar novas abordagens. Você acredita que isso ainda é o futuro do luxo e do design?

Não posso prever o futuro e não posso falar pelos outros. Pessoalmente, eu nunca me interessei por luxo pelo luxo e também não me interesso mais tanto pelo mundo do design. Desenvolvo meu trabalho cada vez mais no âmbito da arte e, ao mesmo tempo, também estou fazendo outras coisas, como criando espaços artísticos que as pessoas possam visitar.

Na área de FAQ do seu site, há a seguinte pergunta e resposta:

"Você acredita que o design deveria ser mais democrático do que essas peças exclusivas?

A democracia funciona bem como ponto de partida para um sistema político, mas no processo criativo não é uma ideia tão boa. Estamos felizes fazendo coisas para um pequeno e feliz grupo de pessoas que pode pagar pelas peças e, assim, apoiar a realização de novos trabalhos. Todos podem aproveitar os trabalhos de design gratuitamente por meio da internet e de revistas".

Você ainda pensa assim? Considera que o design e a arte têm um papel social?

A citação trazida é exatamente como vejo a questão.

Em 2021, você postou o comercial da Apple “Here’s to the crazy ones”, acompanhado de um texto sobre a nossa “mente aberta limitada” e os diferentes pontos de vista que as pessoas podem ter.

Na sua opinião, qual é a solução para conciliar todas essas opiniões?

Não sei qual o sentimento no Brasil, mas, na Europa, há um tanto de polarização. Acredito que [a conciliação] começa pelo convencimento de si mesmo sobre o fato de que não sabemos a verdade. Mantenha sempre algum espaço para dúvidas e curiosidade. Estamos tão acostumados a pensar dentro da nossa bolha que não sabemos mais como nos comunicar com pessoas que pensam de forma diferente da gente. Isso é reforçado pelo distanciamento físico. Se estivermos cientes de que temos um ponto de vista limitado, já ajuda muito…

A Europa está em guerra novamente, infelizmente. Onde falhamos como seres humanos? Ou não falhamos?

Seguindo minha resposta anterior, posso dizer com total convicção: não tenho ideia.

Há algum material ou técnica que te atrai neste momento? Se sim, por quê - ou, por que não?

Da guerra de volta ao design haha! Não, não há um material específico. Sempre trabalho a partir de ideias, não de materiais ou técnicas. Estou trabalhando em diversos projetos, com várias técnicas.

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