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Quatro estações do ano em um único jardim: conheça os projetos ousados de Carlo Ratti

Palestra do arquiteto e engenheiro italiano foi a atração mais aguardada do Smart City Expo Curitiba 2018. Confira a entrevista exclusiva com o homem apontado como uma das 50 pessoas capazes de mudar o mundo

“Living Nature”, ambicioso projeto do escritório de Carlo Ratti para o Salão de Milão de 2018. Foto: CRA/Reprodução

por Stephanie D'Ornelas*

01/03/2018

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Não sobraram cadeiras vagas no salão principal do pavilhão da Expo Renault Barigui no primeiro dia da Smart City Expo Curitiba 2018 nesta quarta-feira (28). A maior parte dos participantes esteve presente na conferência de abertura, que contou com a palestra mais disputada do congresso: todos queriam ouvir ele, o arquiteto e engenheiro italiano Carlo Ratti, referência mundial na discussão sobre smart cities. Eleito pela revista Wired como uma das 50 pessoas capazes de mudar o mundo, Ratti tem um currículo de peso. Dirige o Senseable City Lab do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), grupo responsável por estudar as tecnologias capazes de transformar a vida nas cidades. Ratti é atualmente o presidente do Conselho de Agenda Global do Fórum Econômico Mundial sobre Cidades Futuras. É ele o responsável pelo conceito de “Cidades Sensíveis”, que oferece ênfase para o lado humano das cidades mesmo em meio à transformação tecnológica, tema que norteou sua palestra.

Palestra de Carlo Ratti deu início ao congresso do Smart City Curitiba 2018. Foto: Ana Gabriella Amorim

Ratti apresentou os últimos projetos desenvolvidos pelo escritório de design e inovação Carlo Ratti Associati (CRA), do qual é sócio e fundador. Todos eles têm em comum a grandiosidade, o design responsivo e uso da tecnologia como forma de promover a interação com as pessoas e a melhoria do espaço urbano. O mais recente é o 88 Market Street, arranha-céu de 280 metros de altura em Singapura, desenhado em parceria com o conceituado escritório Bjarke Ingels Group (BIG). O edifício terá vegetação abundante em sua fachada e interior. Aletas verticais que acompanham a altura da torre serão abertas em alguns pontos, expondo as plantas tropicais de dentro do prédio. Escritórios dividirão o espaço do edifício com unidades residenciais, criando uma verdadeira comunidade para trabalhar, viver e se divertir, estando na área interna ou externa.

88 Market Street. Foto: CRA/Reprodução

Os projetos desenvolvidos pelo CRA não passam despercebidos. Um exemplo disso será a tecnologia assinada por Ratti e seus parceiros para a Feira Internacional do Móvel de Milão 2018. O escritório irá lançar um jardim dentro de um pavilhão na praça central da cidade italiana, a Praça do Duomo, que irá utilizar o controle do fluxo de energia para permitir que as quatro estações do ano coexistam no mesmo ambiente. “A intenção é trazer a natureza para a cidade e também poder criar microclimas, ter a possibilidade de controlar a luz e o calor. Porque será cada vez mais importante, com a mudança climática, dominar essas habilidades”, explicou para a HAUS. “Mas como fazer isso usando apenas a energia do sol? É este o desafio”, completa.

Projeção da instalação em Milão. Foto: CRA/Reprodução

A HAUS entrevistou o arquiteto durante o evento em Curitiba. Confira a conversa, traduzida do inglês:

Como as novas tecnologias estão influenciando a estética da arquitetura hoje?
Elas nos permitem tornar nossos prédios mais responsivos. Ainda não sei se isso inaugura uma nova estética, mas permite muita experimentação. Permite que os edifícios interajam mais entre si e com as pessoas.

Seus projetos são muito responsivos e permitem uma grande interação com as pessoas. Acha que esse é o futuro da arquitetura?
Acredito que o futuro da arquitetura vai olhar para a tecnologia como um todo, e como podemos interagir com isso. Às vezes as pessoas dizem que a arquitetura é uma terceira pele. Temos nossa própria pele, a pele das nossas roupas e a pele dos edifícios. Mas essa pele sempre foi bem rígida, intransigente. Interessante é que agora os arquitetos estão se tornando mestres da fluidez e incorporando cada vez mais isso aos conceitos e desenhos.

Foto: Ana Gabriella Amorim

Toda cidade pode se tornar uma cidade inteligente? Como?
A primeira onda de inovação urbana, mais ou menos 20 anos atrás, trouxe a digitalização. E desde então todas as cidades aprenderam a usar em seus contextos locais. As soluções de uma para outra serão diferentes, mas a tecnologia por trás é similar.

A partir do seu projeto no MIT, como a big data pode ser usada pelos governos para uma cidade melhor?
Olhando as divisões, separações e segregações dentro da cidade. Então, se você é um governo e tem acesso a isso, pode tomar ações para promover integração. Para nós é uma forma de ajudar o governo a como intervir.

*Especial para a Gazeta do Povo.

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