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Designers famosos criam peças para casa usando plástico reciclado

Galeria Rossana Orlandi criou o projeto Guiltlessplastic para estimular o reúso do plástico na indústria do design e direcionar a discussão contra o desperdício

Mesinhas modulares feitas de bioplástico da Kartell. Foto: Divulgação

por HAUS*

17/04/2019

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O assunto esteve nos projetos experimentais de estudantes, na produção de jovens designers e de profissionais estrelados, nos lançamentos da indústria e nas instalações patrocinadas por marcas de diferentes segmentos. Produzir móveis e objetos com plástico reciclado ou substitutos biodegradáveis entrou de vez na mira dos expositores da Semana de Design de Milão, que chegou ao fim no último domingo (14) na cidade italiana.

 

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Uma das personalidades mais influentes do design italiano, a galeria Rossana Orlandi organizou duas ações envolvendo o tema. No Museu Nacional de Ciência e Tecnologia Leonardo da Vinci, ela convidou designers e arquitetos conhecidos para criarem peças com plástico reutilizado.

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Participaram da mostra nomes como Patricia Urquiola, Marcel Wanders e Piero Lissoni. O espanhol Jaime Hayon mostrou uma tapeçaria multicolorida feita com fio de poliéster fabricado com a reciclagem de garrafas plásticas. O material foi desenvolvido pela marca têxtil centenária Bonotto, parte do grupo Ermenegildo Zegna.

 

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“O plástico se tornou odiado, mas ele é um material que oferece muitas possibilidades de transformação”, disse Orlandi, na abertura da exposição, um dos primeiros eventos da Semana de Design, no dia 8 de abril. A mostra faz parte do projeto Guiltlessplastic, criado por ela para estimular o reuso do plástico na indústria do design e direcionar a discussão contra o desperdício –e não contra o material em si.

Reutilização de plástico

Em outro endereço, um anexo de sua galeria na zona Tortona, Orlandi promoveu um concurso entre designers, chamados a apresentar produtos feitos com a reutilização de plástico. Ela recebeu 300 projetos vindos de 50 países e selecionou 82 finalistas em quatro categorias –cada vencedor levou € 10 mil.

Primeiro lugar na categoria design, o alemão Alexander Schul mostrou uma coleção com cadeira, mesa lateral e luminária feita com potes de iogurte reciclados, que deram o aspecto branco marmorizado das peças. O material foi criado pela empresa britânica Smile Plastics, que comercializa plásticos reciclados em forma de painéis.

Schul aquece as chapas, molda os componentes e os parafusa. “Além de bonito, o material tem potencial para criar estruturas bem firmes, por meio da termoformação. As formas são estáveis, leves e fáceis de serem produzidas”, explica o designer de 25 anos. Outra vantagem é que os parafusos podem ser removidos para que o transporte dos itens ocupe pouco espaço.

Criador dos painéis, Adam Fairweather pesquisa a reutilização do plástico há 15 anos. O painel Alba, usado por Schul, é vendido no tamanho 200 x 100 cm, em espessura à escolha do comprador. Cada chapa pode equivaler a até 5.000 potes de iogurte.

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“Olhar para a história do produto está no futuro das preferências dos consumidores. Os materiais vão se tornar cada vez mais importantes para os humanos”, afirma Fairweather.

Na categoria têxtil para uso doméstico, venceu o estúdio egípcio Reform Studio com uma cadeira revestida de Plastex, a trama que as fundadoras Hend Riad e Mariam Hazen criaram com sacolas plásticas descartadas e técnicas artesanais de tecelagem.

A discussão de alternativas ao plástico convencional ou a sua reutilização também teve espaço no Salão do Móvel, feira que é o evento âncora da semana milanesa. A gigante italiana Kartell, que foi pioneira nos anos 1990 na utilização de policarbonato transparente em mobiliário, apresentou uma linha de mesinhas modulares fabricadas com bioplástico.

 

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A coleção é o primeiro resultado da parceria anunciada em 2018 com a empresa Bio-on, fabricante italiana de plástico com recursos naturais renováveis e biodegradáveis, como descartes agrícolas de beterraba, cana-de-açúcar, frutas e batatas.

Já a americana Emeco lançou uma linha de cadeiras e bancos feitos com 70% de plástico de garrafas recicladas, 10% de pigmento e 20% de fibra de vidro. A coleção é assinada pela dupla britânica Barber & Osgerby.

 

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A entrada da grande indústria na discussão vai além da intenção de exibir o “selo verde” para os consumidores. Reflete também o cerco ao plástico que a União Europeia vem promovendo.
Em março, o Parlamento Europeu aprovou o veto de descartáveis (copos, pratos e talheres) a partir de 2021 e a obrigatoriedade de as garrafinhas terem 25% de material reciclado em sua composição até 2025, percentual que subirá para 30% cinco anos depois.

Encontrar alternativas, então, é uma prioridade para a indústria e uma boa notícia para designers e consumidores interessados no tema. “Quanto maior a escala, mais esse tipo de material se torna disponível e barato e mais plástico é reciclado. Espero que isso aconteça nos próximos anos”, diz Schul.

*Com Folhapress.

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