Anúncio de empreendimento imobiliário já “eliminava” prédio que desabou em SP

Descoberta causou furor nas redes sociais, mas não é surpresa. A prática de idealizar digitalmente os arredores dos lançamentos é amplamente difundida entre as construtoras e incorporadoras brasileiras

Fotos: Google Maps e RO Empreendimentos/Reprodução

por Luan Galani

04/05/2018

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Uma imagem meramente ilustrativa de como vai ficar o retrofit do empreendimento residencial ADG83 no centro de São Paulo está dando o que falar nas redes sociais. A polêmica está no fato da renderização ter eliminado digitalmente o prédio vizinho, o Edifício Wilton Paes de Almeida, que desabou na última terça-feira (1º). Algumas publicações chegaram a tecer teorias conspiratórias e a sentenciar que a imagem 3D trazia uma premonição da tragédia. A Rede Brasil Atual chega a dizer: “Diante das especulações sobre a causa das chamas, o folheto do empreendimento causa espanto pela coincidência de excluir o prédio ocupado, e outro vizinho a ele, dias antes da tragédia”.

Porém, não há surpresa alguma no anúncio. A prática de eliminar digitalmente elementos urbanos do entorno de lançamentos imobiliários é amplamente difundida entre construtoras e incorporadoras. “É mais uma questão de marketing, de publicidade do mercado imobiliário, do que de repertório de arquitetura. É um recurso que busca idealizar a área ao redor dos empreendimentos”, garante o arquiteto Boris Madsen Cunha, que leciona na Universidade Positivo.

Confira o comparativo nas imagens abaixo

Foto: Google Maps/Reprodução

Imagem: RO Empreendimentos/Divulgação

Procurada pela reportagem, a RO Empreendimentos e Participações, responsável pelo ADG83, explica por meio de nota que “a arte em 3D utilizada no material promocional do empreendimento é uma imagem meramente ilustrativa conforme sinalizada na peça publicitária. A RO Empreendimentos e Participações lamenta a tragédia no edifício Wilton Paes de Almeida e se solidariza com todas as famílias afetadas no acidente.”

Detalhe do prédio que desabou (esq.) ao lado do edifício que vai passar por reforma (dir.). Foto: Google Maps/Reprodução

Segundo Cunha, o ideal seria trabalhar com o real, para ser mais honesto e evitar qualquer expectativa por parte dos compradores. “Há a percepção de que o centro é feio, degradado, inseguro. Fazer esse ‘corretivo’ é uma intenção de se descolar dessas ideias. Mas quem vai morar no centro reconhece suas qualidades: de infraestrutura, serviços, proximidade. É uma contradição do que as pessoas buscam com o que é representado na publicidade dos empreendimentos”, alerta.

O retrofit localizado na Rua Antônio de Godói, 83, terá apartamentos de 28 m² a 54 m², a partir de R$ 189 mil.

Veja como serão os estúdios por dentro

Imagem: RO Empreendimentos/Divulgação

Imagem: RO Empreendimentos/Divulgação

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