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Carros elétricos serão comuns em 2030, mas solução para o trânsito é transporte compartilhado

Para Brooks Rainwater, especialista em mobilidade urbana, a solução para o esgotamento no trânsito já é uma realidade presente em grandes cidades: o transporte compartilhado

A empresa de patinetes compartilhados Grin é uma das que promovem transporte compartilhado. Foto: Michel Willian/Gazeta do Povo

por Diego Denck*

26/03/2019

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Você consegue imaginar um mundo sem carros? É até estranho pensar, mas os veículos automotores de uso pessoal surgiram há pouco mais de 130 anos, tendo se popularizado apenas a partir da linha de montagem do Ford T, em 1913. Desde então, as cidades foram projetadas para os carros, em um modelo que já se mostra saturado. Para o futuro, é preciso colocar novamente o ser humano no centro do desenvolvimento.

Brooks Rainwater durante palestra em Curitiba. Foto: Michel Willian/Gazeta do Povo

Esse foi o tema da palestra ministrada por Brooks Rainwater, executivo-sênior e diretor da National League of Cities, durante a Smart City Expo 2019, em Curitiba. Para o especialista em mobilidade urbana, não adianta termos cada vez mais tecnologias a nosso dispor sem que mudemos a maneira que a utilizamos. Para ele, não faz sentido substituirmos toda a frota de carros movidos a combustão por veículos elétricos ou autônomos sem que façamos uma reflexão de como iremos tornar a circulação algo para todos. “Todas as tecnologias podem ser para o bem, mas dependem de como iremos usá-las”, ressalta Rainwater.

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Ele explica que os carros autônomos estão tomando as ruas com uma velocidade maior do que se esperava e deverão se tornar extremamente comuns na década de 2030. Já os carros voadores, tão sonhados para os anos 2000, ainda estão nos planos dos desenvolvedores, mas até que ponto iremos facilitar as nossas vidas ou criar mais caos no transporte atual? A solução para isso: mobilidade compartilhada.

A mobilidade multimodal

Recentemente, as bicicletas e os patinetes compartilhados chegaram como uma revolução na mobilidade de algumas cidades brasileiras. Porém, para cada serviço ainda é necessário a contratação de uma empresa diferente. No final de 2018, a Uber também entrou nessa jogada, disponibilizando bikes e scooters através de seu aplicativo para moradores de Santa Mônica, na Califórnia (EUA). Ainda que seja um mercado muito restrito, isso mostra que o futuro deverá abrigar cada vez mais sistemas multimodais em um mesmo aplicativo.

Foto: Michel Willian/Gazeta do Povo

Rainwater explica que, daqui a alguns anos, deverá ser possível andar de ônibus, metrô, táxi, Uber ou bicicletas compartilhadas, por exemplo, usando o mesmo cartão para todos os serviços. Essa integração deverá facilitar o uso de transportes públicos ou de massa, tirando os carros particulares de grande circulação.

Foco nos problemas atuais

Só que não dá para pensar no futuro sem olhar para os problemas atuais. “Precisamos consertar o que já existe, mas pensar no que está por vir”, salienta Rainwater. O especialista comenta que, atualmente, a maioria das grandes cidades enfrenta problemas graves de mobilidade, mas que algumas já pensam em formas de incentivar o uso de sistemas multimodais e públicos.

É o caso de Singapura, que aplica multas a quem fica preso em congestionamentos, por exemplo. Com leis mais rígidas nesse sentido e um grande investimento no transporte público, cada vez mais os habitantes de lá estão trocando os veículos próprios por transportes coletivos. Essa legislação deverá ser testada em Nova York a partir do ano que vem e, caso funcione por lá, já é bom ficar preparado para ela ser copiada pelo resto do mundo.

Foto: Michel Willian/Gazeta do Povo

O transporte público, inclusive, esteve no epicentro de grandes manifestações ao redor do planeta em anos recentes. Um exemplo são as manifestações de julho de 2013, no Brasil, que começaram por conta do aumento da passagem de ônibus. Protestos semelhantes aconteceram por aumento do valor da gasolina ou pela falta de qualidade no sistema público de mobilidade. Por isso, é fundamental que os governantes arrumem a casa antes que seja tarde demais.

Rainwater salienta que só com investimento público e conscientização coletiva é que iremos chegar ao futuro sem problemas de locomoção. Também é preciso pensar em equidade, já que as inovações precisam atingir a todos. “Mudanças rápidas não ajudaram todo mundo, historicamente, mas deveriam”, relembra o especialista.

*Especial para Gazeta do Povo.

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