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Conexão com as cidades ajuda a combater ansiedade, defende pesquisadora de urbanismo

Especialista em urbanismo e cidades criativas, Ana Carla Fonseca foi um dos destaques do primeiro dia da Smart City Expo Curitiba 2019. Veja como foi a abertura do congresso

Doutora em urbanismo e referência na área de economia e cidades criativas, Ana Carla Fonseca defende uma conexão mais próxima entre pessoas e cidades. Foto: Michel Willian/Gazeta do Povo

por Keyse Caldeira*

21/03/2019

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O esforço de Curitiba em manter as discussões sobre as cidades inteligentes foi um dos temas que norteou a cerimônia de abertura da segunda edição do Smart City Expo Curitiba 2019, que vai até esta sexta-feira (22) na Expo Renault Barigui. Esta é a versão brasileira do evento chancelado pela FIRA Barcelona, consórcio público formado pela Prefeitura de Barcelona, Governo da Catalunha e Câmara do Comércio de Barcelona. O Smart City Expo World Congress é realizado anualmente na Espanha.

Foto: Michel Willian/Gazeta do Povo

Estiveram presentes na abertura Ricardo Zapatero, um dos diretores da FIRA Barcelona; o vice-governador, Darci Piana; o prefeito de Curitiba, Rafael Greca; Jonas Donizette, prefeito de Campinas e presidente da Frente Nacional de Prefeitos; e Roberto Viruel, sócio da Icities (empresa curitibana especializada em soluções para cidades inteligentes e a responsável pela organização do evento no Brasil). “Curitiba se esforça em ser um das capitais inteligentes do mundo”, disse Zapatero ao reforçar a importância do evento para essas discussões.

Segunda edição do Smart City Expo Curitiba começou nesta quinta (21). Foto: Michel Willian/Gazeta do Povo

Smart cities e a desigualdade socioeconômica

As palestras desta manhã focaram em debater os desafios de inserir os cidadãos nos conceitos de smart cities e como superar os desafios da realidade. Ana Clara Fonseca, diretora da Garimpo Soluções e doutora em Urbanismo pela Universidade de São Paulo, apontou que a grande concentração populacional e a desigualdade econômica e social são alguns dos desafios para as cidades, principalmente quando há cenários de efervescência nos grandes centros versus o alto custo de vida.

Outra preocupação apontada por Ana Clara perpassa sobre os avanços tecnológicos e seus efeitos nas cidades, não só nas questões logísticas do urbanismo, mas também nos impactos no mercado de trabalho. “Com os empregos sob risco, como as pessoas estão se reinventando? Algumas profissões serão substituídas e não sumirão. Vão sofrer adaptações.” Ana Clara citou como exemplo um programa na França no qual o cidadão conforme se desenvolve na carreira, ganha recursos para continuar se qualificando.

Ana Carla Fonseca foi uma das grandes atrações do primeiro dia do congresso. Foto: Michel Willian/Gazeta do Povo

Nesse contexto, a pesquisadora tratou sobre como estamos lidando com a tecnologia e questiona até que ponto estamos delegando a nossa orientação espacial e até mesmo a capacidade de raciocínio lógico ao utilizar aplicativos de mapeamento das ruas da cidade e até a antiga calculadora, por exemplo.

Pensando em cada um

Ana Clara defende que é preciso ter plataformas de desenvolvimento do cidadão. “É preciso pensar a cidade criativa e inteligente desde que o cidadão também possa participar desse processo.” Além da necessidade de se fortalecer os laços sociais da história dos cidadãos com a cidade, reforça a pesquisadora.

Um exemplo disso é uma iniciativa chilena que resgatou e valorizou antigos negócios familiares que precisavam se modernizar e aprimorar os negócios frente às modernidades. Um dos elementos cruciais é a conexão, ou seja, os mapas mentais e afetivos que cada cidadão possui com a sua cidade. “Essa é uma forma de mudar a nossa relação com a cidade e até mesmo combater a ansiedade/depressão. É preciso se sentir mais próximo das pessoas e da cidade também.” A pesquisadora citou um exemplo de um projeto canadense que estimula as pessoas a frequentarem mais os museus para que sintam mais a cidade.

Sobre o elemento inovação, Ana Clara citou que as cidades precisam se reinventar. “Em Paris, por conta do Pacto de Mudanças Climáticas, decidiu-se apagar as luzes das vitrines uma hora após o fechamento das lojas. Mas como fazer isso se Paris é conhecida como cidade-luz?” A solução foi utilizar na iluminação dessas lojas bactérias bioluminescentes que vivem em grande profundidade.

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