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Piso de madeira com as marcas do tempo e peças dos anos 1960 e 1970 dão tom no apartamento em Milão do casal a frente do Dainelli Studio.
Piso de madeira com as marcas do tempo e peças dos anos 1960 e 1970 dão tom no apartamento em Milão do casal a frente do Dainelli Studio.| Foto: Divulgação

Leonardo Dainelli e Marzia Fortuzzi. Ele designer, 48 anos. Ela arquiteta, 43. Ele toscano de Pisa, ela milanesa da gema. Um encontro em Natal, no Brasil, os uniu. O casal na vida privada, desde 2007 comanda o escritório Dainelli Studio com sede nas cidades de origem. "Eu sou moderno", diz Leonardo. "E eu, clássica", responde Marzia. A experiência profissional de ambos é reconhecida não só na Itália mas internacionalmente. As peças desenhadas por Leonardo fazem parte de catálogos e importantes empresas como Arketipo, Fendi Casa, Fiam, Frag, Fratelli Boffi, Gallotti&Radice, Giorgetti, Lema, Londonart, Mogg e Porada. "Nos completamos. Nossos estilos se combinam assim como nosso know-how. Meu raciocínio é micro. O dela é macro", brinca ele que há dois anos, em comum acordo com mulher e sócia, resolveu deixar a bucólica Toscana e fincar novamente raízes na metrópole do design, Milão.

Leonardo Dainelli e Marzia Fortuzzi.
Leonardo Dainelli e Marzia Fortuzzi. | Divulgação

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A decisão porém implicou em uma única condição. Uma residência com história e estilo. A procura não foi em vão. Depois de visitar quase vinte imóveis, a dupla criativa não titubeou ao decidir por um apartamento de 220 m² em um edifício construído no início do século passado, em um bairro central, a poucos passos da Basílica de Sant'Ambrogio. "Foi quase amor à primeira vista. Espaços e ambientes intactos que pertenceram a um único proprietário", lembra Marzia, que elaborou rapidamente um projeto arquitetônico com uma regra precisa: conservar os acabamentos originais bem como a configuração da planta da casa.

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"O piso de madeira em chevron, por exemplo, que ocupa grande parte do apartamento, não foi nem lixado ou envernizado. Queríamos que as marcas do tempo fossem visíveis", se antecipa ela que também optou por recuperar  o piso hidráulico no corredor de entrada valorizado por um banco estofado em veludo e a luminária com braços articulados da coleção Turciù, da Catellani & Smith.

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O único ambiente que teve suas colunas removidas foi o da sala de jantar e que se transformou em um open space. "Eliminamos a sala de jantar e optamos por uma de 'almoço' próxima à cozinha", brinca a proprietária que fez questão de desenhar a mesa com tampo de mármore claro e suporte em latão. "As cadeiras são vintage. Encontramos quatro Thonet, com braços, e assento em palhinha."

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O contraste moderno e antigo está presente por todos os lados. Além do assoalho, o casal restaurou janelas e portas e as molduras em estuque no teto. Mármore, latão e madeira são os materiais que ditam o estilo do projeto. Cores fortes foram usadas propositalmente em alguns ambientes para dar um toque contemporâneo.

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"No quarto de nossa filha, de oito anos, optamos por um rosa pó de arroz e para contrastar colocamos uma papel de parede, de nossa criação, com os personagens da fábula Alice no País das Maravilhas", explica o designer que para o caçula de três anos escolheu a cor azul para o cômodo.

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Os dois banheiros foram os únicos ambientes que passaram por uma reforma drástica. "Foi a única transformação radical", contextualiza Leonardo que impôs o seu gosto contemporâneo. A decoração do apartamento é protagonista do projeto do casal Dainelli. Móveis feitos sob medida, armários de marcenaria e peças icônicas de grandes mestres do design permeiam os espaços comuns. "Há uma influência anos 1960 e 1970. Uma casa minimalista burguesa", reflete o italiano que se aproveitou da iluminação e do pé direito alto para criar ambientes acolhedores e exclusivos. "Cada peça foi escolhida a dedo. Muitas delas já eram nossas. Outras foram garimpadas, como o sofá de couro vintage Sesann, de Gianfranco Frattini, produzido para a Cassina, nos anos 1970".

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O justo equilíbrio entre contemporâneo e clássico se revela também nas esculturas de mármores, nos  sofás confortáveis revestidos em linho e nos vários quadros pousados no chão. Uma casa que muda de acordo com o humor de seus proprietários. "Somos nômades e acho que isso se reflete na casa. Tudo pode mudar e se movimentar. Uma experimentação constante", comenta Marzia. Experimentar é algo que o casal coloca à prova no dia-a-dia profissional e não foi diferente em um projeto pessoal. Um gaveteiro de relojoeiro ganha destaque e se transforma em uma base para exaltar a luminária pistola Beretta, da Flos, que revela o lado irreverente do designer.

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"Hoje, mais do que nunca, nos damos conta da importância do que é um lar. Nessa quarentena (imposta para conter a disseminação do novo coronavírus), pudemos usufruir de cada ambiente, apreciar a beleza de cada peça de design e sobretudo valorizar formas e funcionalidade de cada móvel", comentam eles que acreditam que o know-how e a qualidade da produção "Made in Italy" saia ainda mais fortalecida. "Os italianos são reconhecidos pela sua criatividade de genialidade artística. Agora é hora de mostrar novamente ao mundo do que somos capazes. É só acreditarmos em nossa reputação e talento".

Veja mais detalhes do projeto

  • Piso de madeira com as marcas do tempo e peças dos anos 1960 e 1970 dão tom no apartamento em Milão do casal a frente do Dainelli Studio.
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