Como você se sentiu com essa matéria?

  • Carregando...
Como as vendas e atendimentos online estão reinventando o setor de design e decoração
| Foto: Divulgação

Olhar com as mãos. A frase, que pode parecer sem sentido, é parte intríseca do processo de compra de móveis e artigos de decoração. Sentir os materiais, observar as cores, as formas e texturas de perto são tão importantes nesse processo, que poucas marcas ligadas ao design ousam não ter um espaço físico para expor e vender suas peças.

No entanto, junto com a pandemia de Covid-19 e a restrição de contato social, essa lógica de compra e venda precisou ser subvertida às pressas. E a experiência, que poderia ser desastrosa para o setor, tem se mostrado como uma nova oportunidade de negócios, tanto para pequenos empreendedores, quanto para grandes marcas multinacionais.

Siga a HAUS no Instagram

"A nossa relação com o cliente sempre foi fundamental. Nossos produtos chegam nas casas, através de arquitetos parceiros. Muitas vezes as peças eram emprestadas para experimentação, antes de fecharmos um negócio. Como seria possível transpor isso para o universo online?", questiona Ticiane Martinez, da Ôda Design Club.

O questionamento poderia ter tirado o sono da pequena empresária Ticiane Martinez, à frente da Ôda Design Club, uma curadoria de peças de design e arte. Mas a empreendedora resolveu olhar para este momento como uma oportunidade de tirar um antigo projeto do papel: criar a loja virtual da Ôda e também alcançar clientes de outros estados.

O que precisaria de meses para ser concretizado exigiu negociação com fornecedores e parceiros para entrar no ar em poucos dias. Não se trata apenas de um e-commerce onde os clientes podem acessar o estoque disponível. O esforço passa por zerar o valor de frete, criar uma logística para entregas agendadas e dedicar atenção ao público, prestando consultorias individuais pelas redes sociais.

"Com essa experiência entendi que de certa forma os clientes também foram pegos de surpresa. Eles tinham planos e sonhos. Por isso a adaptação do processo de compra não é apenas da loja, é também do público, que está mais aberto para entender como esse atendimento pode acontecer. Mesmo que as lojas físicas estejam fechadas, nós como marca acreditamos que existem outros caminhos para continuar oferecendo o nosso atendimento de forma personalizada", comenta a empresária.

Se investir esforços de negociação e parcerias para colocar e-commerces no ar parece uma grande conquista para os pequenos empresários, mover a força de uma marca tradicional para dentro do ambiente virtual soa como um desafio igualmente importante. Com um estoque de centenas de produtos em movelaria, a Móveis Campo Largo (MCL) prepara o lançamento de sua loja virtual para o final de abril.

Não é que um e-commerce da loja paranaense não estive nos planos dos gestores da empresa. Mas a partir da quarentena voluntária, o projeto virou prioridade máxima. "Estamos trabalhando em tempo integral nisso", explica o gerente de e-commerce da MCL, Jean Borges.

Com todas as unidades físicas fechadas temporariamente, a aposta dos gestores da MCL é entregar agora uma experiência virtual ao público que posteriormente vire um hábito de consumo. "Entendemos que o nosso produto tem um valor agregado de detalhes, que chamam os clientes para as lojas físicas. Nossa proposta, no entanto, é ter aberto esses dois canais para visitas e deixar que o cliente finalize a compra tanto no virtual, quanto em uma loja, oferecendo uma experiência completa e impactando um novo público", explica o gestor.

Para os arquitetos

| Bigstock

A ideia de que este período será determinante para mudar o hábito de consumo de design e decoração no mundo todo é uma constante entre boa parte do empresariado. Tanto é que marcas multinacionais, como a Breton, por exemplo, estimam que até 2021, 70% das vendas de acessórios de decoração serão fechadas online. Por este motivo a marca antecipou o lançamento de sua loja virtual, prevista apenas para o segundo semestre, para o início deste mês.

"Não acredito que o e-commerce substituirá as lojas físicas, ainda mais quando se trata de itens de conforto e ergonomia. Mas com a experiência que estamos tendo hoje, com nossas lojas fechadas e equipes reduzidas, já conseguimos sentir um grande crescimento no número de pedidos online", explica o diretor-executivo da Breton, Andre Rivkind. "O que também nos faz disponibilizar catálogos online para que arquitetos parceiros continuem tendo acesso as nossas peças e produzindo seus projetos", arremata o diretor.

Essa relação entre fornecedores e parceiros também é outro aspecto do mercado que está sendo repaginado. A Tapetah, uma fabricante de tapetes localizada na capital paulista, entrega seus produtos em todo o Brasil. Com a chegada da pandemia, o modelo de vendas precisou ser inteiramente reestruturado para continuar sendo funcional para o segmento.

"Cerca de 80% das vendas da Tapetah eram da fábrica para lojistas de todo o Brasil e menos de 20% correspondiam a vendas feitas pela nossa loja física, e pelos nossos canais virtuais. Por conta da pandemia tivemos que adaptar nosso formato de vendas e hoje ele está 100% direcionado para os canais digitais, que abrangem tanto vendas online, quanto por telefone", revela Jivago Bernardi, diretor de marketing da marca. "Certamente, os hábitos de consumo sofrerão mudanças durante e após a pandemia do Covid-19, e as empresas precisarão se adaptar aos novos tempos", conclui.

Conteúdo editado por:Luan Galani
Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]