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| Foto: Pixabay

Nada como uma reunião presencial entre clientes, arquitetos e designers para que um projeto ganhe toda a personalidade necessária. Reunir a equipe de profissionais que está envolvida em um novo desafio também parece ser indispensável para a criatividade exigida na área de arquitetura e construção civil. Por isso, em tempos de isolamento social e quarentena, administrar um escritório nesse ramo é um desafio e tanto. Superá-los, por outro lado, pode apontar novas formas de fazer negócios e gerenciar crises no setor.

A instrução, nestes casos, é "menos é mais". Para Rodrigo Brenner, um dos fundadores da Furf Design Studio, o mantra a ser seguido neste momento é o da gestão dos custos fixos. "O que quebra muitos escritórios de arquitetura, principalmente em um momento como este, são os gastos fixos altos. Nós na Furf já tínhamos isso como um valor muito forte: bom design, bom negócio. Priorizando um escritório mais conceitual e equipes rotativas", explica o designer.

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"Ninguém sabe quais cicatrizes vão ficar em cada setor após a pandemia, mas a grande pergunta que devemos nos fazer é o que é realmente essencial em um escritório físico, que represente a nossa essência, e o que é excesso. A reflexão que os profissionais estão fazendo é de que não precisamos ter custos fixos altos para obtermos resultados grandes", diz Brenner.

No entanto, para conseguir seguir essa forma de trabalho minimalista, é preciso lançar mão de três itens básicos: organização, planejamento e tecnologia. É essa tríade que a arquiteta Alessandra Gandolfi tem levado à risca para conseguir comandar seu time de quatro profissionais. "Nós já usávamos planilhas e relatórios de produtividade de cada tarefa, mas esse controle foi intensificado agora, principalmente porque a adaptação para o home office também permite uma flexibilização de horas maior, contanto que as metas sejam atingidas", explica a profissional.

Para ela, a grande lição deste período é a otimização do tempo. "Agora para acompanhar obras recebo fotos e vídeos dos marceneiros, pintores, pedreiros e vou apenas pontualmente, quando é muito necessário, numa construção. Os orçamentos estão sendo feitos todos por telefone. Agora tudo está nas mãos da tecnologia. É um período que temos investido muito em trabalhar nossas redes sociais, justamente porque é onde nossos clientes estão agora", pontua.

| Bigstock

Neste cenário, o celular desponta como um dos principais aliados, inclusive no trato com fornecedores. É o que explica a arquiteta Luciana Olesko. "Antes até para especificar algum produto com lojistas parceiros íamos presencialmente. Agora recebemos tudo pelo Whatsapp de forma mais prática. Acho que o que vai ficar é realmente a otimização dessas pesquisas, reuniões e até apresentações de diferentes etapas do projeto", explica a profissional.

Para driblar a ansiedade dos clientes, Olesko explica que instituiu uma rotina de envio prévio de um "roteiro" da reunião, antes das vídeo chamadas. "É uma forma do cliente não ficar tão ansioso, se perguntando como vai funcionar e também já ir preparando algumas dúvidas. Não acho que vamos dispensar por completo as reuniões presenciais, mas estamos enxergando que essa é uma boa forma e oportunidade de inclusive expandir nosso atendimento para outros estados", resume.

Olhando para as tendências de mercado, outra importante pontuação que vem sendo feita pelos especialistas na área é a alteração no comportamento do cliente. Com mais tempo livre e necessidades de adaptação, voltam a surgir nos projetos exigências como áreas de exercício físico e meditação, escritórios mais confortáveis e cozinhas funcionais.

Trabalhar em casa exige o estabelecimento de uma rotina, a preparação de um ambiente agradável e alguns cuidados para não perder o foco
| Annie Spratt/Unsplash

Para o arquiteto Lucas Shinyashiki, da Solo Arquitetos, um dos maiores desafios é reestruturar o fluxo de informação dentro do escritório. "A gente acaba não percebendo, mas é absurda a quantidade de informação que absorvermos e transmitimos simplesmente por compartilhar um mesmo espaço. Uma das ferramentas que a gente já utilizava aqui no Solo e que ganhou ainda mais importância nesse momento foi o Slack", sugere o arquiteto.

Em pouco mais de um mês de quarentena, a arquiteta Yara Mendes elencou algumas importantes mudanças neste ponto. "Neste período estamos vendo um envolvimento muito maior dos clientes no projeto, estão sendo enviadas mais dúvidas, estão buscando mais informações e pedindo várias alterações, porque o próprio modo como viam suas casas agora está mudando", explica. "Ter mais habilidade de atendimento virtual é sem dúvida uma tendência para os arquitetos, mas ainda assim, não vejo o nosso futuro longe dos escritórios e contato físico. É bom ser humano", arremata.

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