Sete projetos ensinam a trazer o paisagismo para pequenos ambientes

De vasos a paredes 'vivas', especialistas dão dicas de como trazer o verde para todos os cantos da casa

por Aléxia Saraiva

14/12/2018

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O paisagismo não está associado apenas a projetos de grandes proporções. Um vaso de suculenta que adorna um canto da casa também pode ganhar mais destaque e se tornar um protagonista da decoração. A arte de cuidar e harmonizar as plantas pode estar em qualquer parte: basta saber como dar o pontapé inicial.

“Independente do tamanho do espaço, a vida [que as plantas proporcionam] traz conforto. Não importam quais materiais você está usando no ambiente, a planta sempre traz aconchego”, diz a arquiteta Marina Cardoso de Almeida, sócia da Tria Arquitetura.

Para começar a trazer o verde para casa, a primeira coisa a se pensar é quanto tempo se tem disponível para a manutenção e quais lugares da casa vão receber as plantas. Assim, é possível incluir a espécie ideal de acordo o estilo de vida dos moradores. “A regra de ouro é combinar a espécie certa com o lugar. Depois disso, as regas e a adubação têm que ser periódicas – é como a gente: precisa de água e comida, explica a paisagista Andrea Vianna.

Escolhemos sete projetos de paisagismo que trabalham soluções diferentes em ambientes reduzidos. São diferentes ideias de composição, dicas de cuidados e muitas espécies de plantas para conhecer e, literalmente, tornar bem vivazes todos os cantinhos da casa.

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Tropicália vertical

O desejo de renovar a casa por uma senhora em fase de mudança de vida foi o ponto de partida do projeto de linguagem leve e moderna do escritório Tria Arquitetura, executado na região do Itam Bibi, em São Paulo. Finalizado na metade de 2018, o apartamento de 260 m² ganhou uma parede verde que contrapõe a paleta de cores claras dos móveis e dos revestimentos.

“O projeto é bem contemporâneo e tem obras de arte brasileiras. A ideia era fazer com que a parte da vegetação também tivesse uma conceitualização do país. Então escolhemos plantas mais tropicais, encontradas na Mata Atlântica, explica Fabíola Lieberg, paisagista do projeto e proprietária do Cali Paisagismo. Algumas das espécies que compõem o jardim são costela-de adão, guaimbê, jiboia e samambaia.

A parede escolhida para o paisagismo fica logo na entrada da casa e de frente para a varanda, o que amplia a sensação de ar livre da área externa. A estrutura conta com um sistema de irrigação automático por gotejamento. Por isso, a manutenção também é mais fácil: a paisagista indica tirar as folhas secas e cuidar com os insetos. Para montar um jardim vertical, Fabíola atenta principalmente para o local. “O ideal é escolher um lugar com boa ventilação e um pouco de iluminação indireta. Aqui, são todas plantas de meia sombra e sol”, relata.

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Jardim permanente

Para quem prefere ter o mínimo de trabalho e manutenção, mas também não quer abrir mão do paisagismo, uma saída é apostar nas plantas preservadas. A técnica consiste em uma desidratação de espécies que faz com que seu aspecto natural seja permanente sem exigir os cuidados tradicionais.

Um jardim vertical feito apenas de plantas preservadas integra o projeto de um apartamento para um casal com filhos pequenos localizado no bairro de Panamby, em São Paulo. A proposta da reforma, assinada pelo escritório Salles & Aldworth Arquitetura e Design, era transformar os ambientes em espaços integrados, ligando sala de estar, jantar e cozinha.

“Para isso, fizemos uma escada nova com madeira e vidro, dando essa integração aos espaços. A ideia do jardim vertical foi aproveitar o espaço debaixo da escada, distribuindo o verde para dentro dos ambientes”, afirma Thaís Salles, arquiteta e sócia. Como a escada é vazada e tem abertura para os lados, é possível ver as plantas por vários ângulos.

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Aqui, o jardim trouxe uma mistura de espécies em que predomina a avenca. “A manutenção é praticamente zero. O indicado é só usar um pano para tirar a poeira e repor algumas folhas com o tempo, caso seja uma área de passagem”, destaca a profissional.

Tendência geométrica

O “apartamento móbile” foi batizado pela arquiteta Leda Volpon Néspoli justamente por ter a característica de ganhar uma cara nova apenas trocando elementos de posição. Na casa de 180 m², localizada em Santo André (SP), moram a arquiteta e seu marido. ͞”Toda a marcenaria que fica na estante de concreto é modular. São caixas que mudamos de lugar de acordo com o volume de livros e decoração da estante. Assim como o sofá, também dividido em módulos, que já rendeu muitos layouts diferentes”, explica a profissional.

O espaço destinado ao paisagismo veio da influência do jardim da mãe de Leda, que quis reproduzir a ideia em sua casa com as proporções menores. No projeto, ela integrou a varanda à sala, onde há abundância de luz solar, e por isso foi o local escolhido para as plantas. Para ‘conversar’ com o conceito modular, ela apostou em suportes geométricos de tamanhos diferentes, que levam o jardim para diversos pontos da varanda. Leda optou por espécies de cactus, suculentas e columeias, regando de duas a três vezes por semana.

O que a arquiteta considera mais importante na hora de escolher o que levar para casa é saber o quanto se está disposto se dedicar ao jardim. “O que vai fazer seu jardim dar certo são seus cuidados. Para cada uma das situações existe um tipo de planta que se adapta”, sugere.

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Para pequenos espaços, ela indica suportes de parede e de teto, que deixam a circulação livre. “Caso você tenha um canto especial para o jardim, é legal considerar os suportes de piso. O ponto positivo em relação aos de parede e teto é que não precisa furar paredes e fica muito mais fácil de fazer a manutenção”.

Hobby valorizado

Modernizar um apartamento de seis décadas na região de Santa Cecília, em São Paulo, foi o desafio do arquiteto Tito Ficarelli, à frente do escritório Arkitito. Na reforma da casa onde moram um casal e duas filhas, os quartos ficaram basicamente intactos, mas a sala teve suas paredes derrubadas para criar um ambiente mais amplo, se integrando à cozinha.

O estilo contemporâneo do projeto se contrapõe a elementos clássicos, como uma cristaleira original dos primeiros moradores que vai do chão ao teto, além do piso de tacos e das paredes brancas com textura dos tijolos. A ideia de um jardim interno partiu do marido do casal, que tem na botânica seu hobby. A pequena varanda externa funciona como ateliê, onde ele prepara os vasos e peças, e é vizinha à sala de estar, onde ficam as plantas.

No projeto, Ficarelli e o morador trouxeram um “painel vivo” que combina as espécies como jiboia, pacová, lírio da paz, antúrio e tillandsia. Cactus e suculentas em vasos de barro, harmonizados a pedras de riacho, também compõem o jardim.

Quando o projeto de paisagismo fica dentro de casa, Ficarelli sugere começar por valorizar o espaço escolhido. “Sabe aquela história de colocar uma planta no canto da casa que está vazio? Na verdade é o contrário: escolha um lugar especial da casa e faça nele o paisagismo”.

Em relação às espécies, ele indica uma combinação de folhagens que trabalhe diferentes cores e geometrias, e lembra que os vasos influenciam no resultado final. ͞Existe uma diversidade muito grande de cachepôs. Quanto mais neutro com relação ao ambiente, mais força nas suas diferenças a planta ganha”, afirma.

Texturas, cores e volume

O projeto dos arquitetos Alessandro Cavalcanti e Ricardo Makhoul em uma residência para um casal e dois filhos em Londrina (PR) buscou transformar a casa em um local de relaxamento e continuação das áreas sociais com conforto e design. Essa foi a premissa da sacada da sala de jantar. O projeto criou uma grande área de descanso, com três pufes em tecido impermeável que funcionam como um grande sofá modular, combinados a duas poltronas e a mesas de apoio menores. Foram priorizados elementos rústicos que recebem uma linguagem contemporânea, como as duas paredes de revestimento em pedra natural. No paisagismo, a proposta era de verticalizar os elementos para otimizar o espaço.

“A ideia foi permitir a inclusão de espécies vegetais com facilidade de manutenção e que viabilizasse mudanças”, explica Makhoul. Para isso, os arquitetos criaram duas estantes metálicas com madeira pinus que apoiam a composição de vários vasos de diferentes tamanhos, cores e formatos. ͞Essa é uma outra leitura das consagradas paredes verdes, e tem como principal vantagem a flexibilidade na disposição das plantas, complementa.

Na disposição, as suculentas ficaram em vasos menores. Os cachepôs maiores levaram costela-de-adão, samambaia, véu-de-noiva e barba de serpente – plantas de fácil manutenção e que garantem um efeito rico em volume, texturas e tonalidades de verdes.

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Refúgio urbano

Uma cobertura antiga em um apartamento no Jardim Paulista, em São Paulo, foi o cenário do projeto do arquiteto David Bastos, com paisagismo de Luiz Carlos Orsini. A casa inclui um terraço de cerca de 100 m² com uma área aberta e um espaço coberto. O desafio era colocar, ali, uma piscina e muito verde.

“A ideia era privilegiar uma área de lazer dentro da cidade com um espaço refrescante”, conta Bastos. “Onde havia um deque e uma jacuzzi, fizemos a piscina embutida no piso com uma parede verde e, no fundo, uma parede espelhada – além de aumentar a sensação de verde, ela dá uma profundidade à piscina”, explica o profissional. Móveis de design autoral também compõem o ambiente, como uma mesa de jacarandá assinada por Sérgio Rodrigues.

Essa solução trouxe privacidade e escondeu os prédios vizinhos ao imóvel, também em busca da premissa do refúgio de lazer. Na sala, a mesma técnica foi usada: como o volume da janela era muito grande, um jardim entre a área interna e externa para criar essa divisão. “Nós fechamos um pouco das esquadrias maiores para entrar luz e, ao mesmo tempo, dar uma sensação de casa e de amplitude”,  explica.

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Vasos contemporâneos

Uma composição de vasos e espécies de diferentes tamanhos e de fácil manutenção foi a solução de Andrea Vianna para um apartamento duplex na região do Cabral, em Curitiba. A linguagem veio para harmonizar o projeto de interiores em estilo contemporâneo da arquiteta Luciana Baggio, pensado para um casal. Essa é uma saída para quem tem mais espaço e não precisa verticalizar as soluções. Nestes casos, a carta coringa fica na própria composição.

 

Andrea focou em folhagens com diversos tons de verde e com formatos bem diferentes entre si. Os vasos incluem espécies de pacová, gardênia, calathea, jabuticabeira, suculentas e ficus lirios. Ela atenta para o fato de que as plantas devem harmonizar, também, com os vasos e com sua finalização. “O seixo preto dá uma linguagem mais clean, sugere. No projeto, ela optou por vasos da mesma cor, que deixam que a atenção seja voltada para as próprias plantas. A paisagista também chama atenção para os locais onde os vasos são colocados. Como as plantas têm necessidades de iluminação variadas – podem ser de sol, meia sombra ou sombra -, é sempre importante deixá-las no seu lugar, cuidando desse detalhe quando for rearranjá-las. Além disso, quando um vaso vai receber mais de uma espécie, é essencial colocar plantas que tenham as mesmas necessidades. “Não dá para misturar uma planta de sol com uma de sombra, por exemplo”.

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