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Reação Urbana entrega cronograma de ações para o projeto no Vale do Pinhão

Projeto colaborativo teve seu primeiro marco no fim de outubro e estabeleceu cronograma de ações até setembro de 2018 para pensar a reabilitação urbana do Vale do Pinhão

Foto: Cido Marques

por Daliane Nogueira e André Nunes

06/11/2017

Mudar processos, mobilizar e engajar pessoas e chamar ao debate, lado a lado, o setor público e privado de forma que todas as partes contribuam e se fortaleçam. Esse é o principal e revolucionário desafio do movimento Reação Urbana, que foi desenhado pela Reurb – Organização Social Civil de Interesse Público (Oscip) formada por arquitetos e outros profissionais do mercado –, pela HAUS, da Gazeta do Povo, e conta com o apoio da Agência Curitiba, órgão de fomento ligado à Prefeitura de Curitiba.

O objetivo dessa inédita união de esforços é dos mais nobres: auxiliar o município nos enfrentamentos de requalificação urbana a começar pela região do Vale do Pinhão, que engloba parte do bairro Rebouças e o Prado Velho. Para esta área estratégica da cidade o movimento entregará, até setembro de 2018, um Plano Preliminar de Reabilitação Urbana. O processo de elaboração utilizará a metodologia do Ministério das Cidades, visando uma possível captação de recursos públicos da União para sua implementação.

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Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

A construção deste projeto, no entanto, se dará de forma absolutamente colaborativa, convidando para participar do processo a comunidade que utiliza a região diariamente, agentes públicos, representantes da iniciativa privada e da sociedade civil organizada.

O engajamento começou a acontecer no primeiro ato do movimento, o Laboratório de Reação Urbana do Vale do Pinhão que aconteceu no último fim de semana de outubro e reuniu dezenas de pessoas no Engenho da Inovação no Rebouças (sede da Agência Curitiba). Entre os participantes havia representantes das universidades, moradores e comerciantes da região; profissionais de diferentes áreas que vieram com o interesse único de contribuir com para a cidade.

“Todos os participantes passam a ser ‘agentes urbanos’ que colaborarão durante todo o processo. E é importante que outros agentes juntem-se ao movimento. Ninguém sozinho consegue mudar a paisagem de um bairro, ainda mais com essa complexidade vista no Rebouças e Prado Velho. A região necessita se desenvolver social e economicamente, com investimentos que atraiam uma densidade maior tanto de moradores, quanto de usuários urbanos” define o arquiteto e professor universitário Orlando Ribeiro, presidente da Reurb e um dos idealizadores do Reação Urbana.

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Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

Cronograma de atividades

Pós laboratório, o movimento contabiliza alguns apoios importantes entre eles o da  Comissão de Urbanismo, Obras Públicas e TI da Câmara Municipal, que foi representada pelo vereador Felipe Braga Côrtes (PSD), presente no evento de encerramento do Laboratório. Ele levou os pontos debatidos aos demais membros da Comissão e reforçou um convite para que o movimento exponha as ideias em plenário.

Ainda durante o encerramento do Laboratório, o presidente da Urbanização de Curitiba (Urbs) Ogeny Maia Neto, reforçou a necessidade de levar para a gestão pública as contribuições de iniciativas sociais com o Reação Urbana.

O presidente da Agência Curitiba Frederico Lacerda destacou o ineditismo da ação ao propor o envolvimento de atores diferentes da sociedade. “O trabalho realizado pelo Reação Urbana é um passo fundamental para duas frentes: a reabilitação da região do Vale do Pinhão e a consolidação do projeto da Agência Curitiba, que busca fortalecer o ambiente de inovação da cidade”, comemorou.

Rebouças e Prado Velho tiveram cerca de 200 unidades residenciais concluídas entre janeiro e setembro deste ano. Foto: Agência Curitiba / Divulgação

Rebouças e Prado Velho tiveram cerca de 200 unidades residenciais concluídas entre janeiro e setembro deste ano. Foto: Agência Curitiba/Divulgação

Para oportunizar que a energia gerada com o Laboratório se consolide no objetivo final que é a entrega do Plano de Reabilitação, o movimento promoverá durante o mês de novembro encontros com diversas entidades públicas e privadas para assegurar ainda mais mobilização e apoio. “Em dezembro, começaremos a apresentação dos diagnósticos e a produção do material que será apresentado pelos agentes urbanos no evento internacional Smart City Expo 2018, em fevereiro do próximo ano”, antecipa o arquiteto Gustavo Pinto, da Reurb. Curitiba será sede da primeira edição brasileira deste que dos mais importantes eventos de cidades inteligentes do mundo.

Além disso, encontros semanais até setembro de 2018 serão realizados pelo Reação Urbana convidando a sociedade a debater e contribuir para o plano que será desenvolvido. Além do debate, ações culturais e de ocupação do espaço público estão sendo analisadas. Entre as possibilidades, está o fechamento temporário de quadras no bairro para promover a interação social, ações pontuais de melhorias, além do fomento da cultura local e disseminação do conhecimento sobre a história e importância de estruturas arquitetônicas do bairro.

“O importante desse processo, além de seguir uma metodologia criteriosa, é que as pessoas de fato contribuam e participem trazendo as ideias, apontando problemas e desenvolvendo um trabalho em conjunto”, reforça Orlando Ribeiro.

Foto para matéria da Haus sobre problemas do bairro Rebouças. roteiro rebouças . Local: Casa Rosada .

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

A cidade na dimensão do pedestre

Os primeiros agentes urbanos habilitados pelo Reação Urbana tiveram um grande desafio durante o Laboratório de Reação Urbana: conhecer o objeto do trabalho, a região do Vale do Pinhão e entender os imensos desafio apresentados no processo de reabilitação.

Em uma manhã de trabalho de campo, eles percorreram algumas quadras do entorno do Engenho da Inovação e analisaram o perfil das ruas, calçadas, edificações e quarteirões. “Normalmente, quando passamos de carro pela região, não conseguimos prestar atenção em tantos detalhes. Gostei bastante da experiência”, contou o engenheiro civil Julian Dolcinasculo.

Já a comerciante Regina Turek ficou animada com as possibilidades que o novo Centro de Artes e Cultura Rebouças, em fase de idealização pelo governo do Estado para ocupar o imóvel da antiga cervejaria Ambev, vai gerar para a região. “Um centro cultural desse tamanho, ao lado do novo templo da Iurd, vai trazer um movimento enorme para o Rebouças. Essas ruas sem vida vão precisar se adaptar, assim como os moradores e o comércio”, analisou.

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Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

Ao percorrer a Rua Piquiri, deixando a quadra da R. Engenheiros Rebouças sentido R. Almirante Gonçalves, a mudança no visual urbano é bastante perceptível. “Claramente deixamos a zona industrial e entramos na zona residencial, das antigas vilas operárias, e foi só atravessar a rua. Os desafios para integrar uma região com tantos usos e funções são grandes”, analisou o arquiteto Wilson Schettini Neto. O grupo percorreu ainda duas quadras da Av. Marechal Floriano, que se configura como uma espécie de barreira tanto para o uso de pedestres quanto para a integração da região do Rebouças, pois a extensa via é marcada pelo vai-vem dos ônibus biarticulados.

Os participantes foram divididos em quatro grupos de trabalho para observar as necessidades de diagnósticos dos problemas e oportunidades para Rebouças e Prado Velho, além de levantar propostas de revitalização urbana para a região.

Entre os pontos destacados pelos grupos estão uma abordagem qualitativa e humanizada dos dados levantados sobre os bairros demarcados, a participação ativa da comunidade nesse processo e a aplicação de ideias do Urbanismo Tático, como incentivo à ciclomobilidade, boulevards caminháveis, ruas de lazer, um melhor convívio entre os modais de transporte e a efetiva apropriação do espaço pela sociedade.

Universidades em conversão

Durante o laboratório, representantes de universidades signatárias do Vale do Pinhão (UFPR, PUCPR, UTFPR e UP) aproximaram-se para estabelecer uma parceria inédita, a criação de cursos de extensão em conjunto entre seus corpos docentes. “Essas extensões somadas numa carga horária total de 300 horas configuram um curso de especialização em Revitalização Urbana. Um grande ganho para a cidade”, comemora Orlando Ribeiro, presidente da Reurb e um  dos criadores do Reação Urbana.

*Especial para a Gazeta do Povo.

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