Cientistas criam novo plástico que pode ser reciclado infinitamente

Criada na Universidade de Berkeley, novidade pode transformar o tipo de uso que o mundo inteiro faz do material, aumentando sua circularidade e impactando diretamente o meio ambiente

Foto: Bigstock

por Luciane Belin*

04/06/2019

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O mesmo pedaço de plástico, mas em novos itens, com novas cores, formatos e padrões. Pesquisadores do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, ligado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos, desenvolveram um novo tipo de plástico com uma taxa de reaproveitamento maior do que a praticada atualmente, quando apenas entre 20 e 30% do plástico utilizado é de fato reciclado.

Este novo tipo de plástico, que foi denominado poly-diketoenamine (PDK), pode ser reaproveitado quantas vezes necessário, indefinidamente. De acordo com nota divulgada pelo próprio Berkeley Lab, o material pode ser “montado e desmontado” em nível molecular.

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Isso possibilita diversos rearranjos de cores e formatos, sem que se perca a qualidade e a performance, algo que os materiais do tipo existentes até agora não conseguem performar com eficiência, especialmente no quesito estética.

Canudos que chegam aos oceanos são um dos grandes problemas da poluição por plástico no mundo. E se eles pudessem ser “desmontados” e transformados? Foto: Pixabay

Como funciona o PDK?

O elemento foi produto de uma pesquisa de pós-doutorado conduzida por Peter Christensen, enquanto este participava de uma equipe multidisciplinar liderada pelo cientista Brett Helms e pelas então estudantes Angelique Scheuerman e Kathryn Loeffler.

O que eles perceberam é que, quando um material é fabricado a partir dos plásticos, diferentes substâncias são adicionadas aos componentes originais – como preenchedores e plastificantes, para tornar os objetos mais firmes ou mais flexíveis, respectivamente. Os processos de reciclagem empregados atualmente não conseguem separar totalmente as moléculas dessas substâncias dos polímeros e monômeros que compõem o plástico.

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Mesmo materiais mais rígidos como as tampinhas de garrafas pet poderiam ser transformados em outros mais maleáveis e de outras cores. Foto: Krizjohn Rosales/ Pexels

Outro problema é que, nas plantas de reciclagem, peças com diferentes tipos e consistências são misturados, prensados e derretidos juntas, para formar um novo produto. Isso faz com que não se consiga prever quais propriedades dos itens reciclados vão se manter e quais serão perdidas ao longo do processo.

O que muda para este novo tipo desenvolvido pelos pesquisadores é que, na reciclagem, seus monômeros se soltarão mais facilmente das moléculas das demais substâncias – ou seja, serão “desmontados” para poder ser montados novamente com outras composições. Essa separação facilitada das moléculas poderá ser feita simplesmente mergulhando o objeto em uma substância altamente ácida, liberando-as para uma nova aplicação já desvestida das qualidades.

Foto: Hans Braxmeier/ Pixabay

Assim, uma sacola de mercado azul ou uma embalagem de iogurte branca, caso fossem feitas de PDK, poderiam ser dissolvidas em ácido e ter seus monômeros isolados para, em seguida, serem utilizadas para compor um novo teclado de computador preto, por exemplo. Essa nova peça poderia inclusive ser mais ou menos flexível, mais ou menos transparente etc.

A pesquisa ainda está em desenvolvimento e os próximos passos incluem desenvolver plásticos PDK com maior abrangência térmica e propriedades mecânicas para aplicação na indústria têxtil, impressões 3D e espumas, bem como a possibilidade de incluir materiais baseados em plantas e outras fontes sustentáveis na formulação do plástico. Apesar disso, o PDK já está disponível para licenciamento de produtos.

*Especial para HAUS.

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