No Quênia, 10 toneladas de plástico retirado do mar se transformam em veleiro colorido

Projeto FlipFlop trabalhou por dois anos com barqueiros e artesãos locais. Barco está velejando pela costa da África Oriental

veleiro foi feito com 10 toneladas de plástico reciclado

O veleiro de nove metros de comprimento está em viagem pela Costa da África Oriental. Foto: FlipFlop / Reprodução

por HAUS

09/11/2018

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Um alerta triste: segundo dados do Fórum Econômico Mundial em 2050, se a poluição dos mares seguir o ritmo atual, haverá mais material sintético do que peixes nos oceanos. Oito milhões de toneladas de lixo são descartados nos mares todos os anos. E esse plástico, como já observado em diversos documentários e reportagens, prejudica os animais marinhos, que adoecem e morrem ao se alimentarem do produto.

Mas não foi o dado perturbador que moveu o operador turístico Ben Morison a dar o pontapé inicial ao projeto FlipFlopi, que deu origem a um veleiro de nove metros de comprimento todo produzido com resíduos plásticos. Ele passou a se incomodar com o número de garrafas, chinelos e outros materiais que encontrava ao andar na praia na costa do Oceano Índico no Quênia.

O plano que surgiu dessa observação foi ambicioso: a construção de um barco para navegar na costa da África Oriental. Tudo isso para espalhar a mensagem de que a nossa dependência de plásticos sem reciclagem é um perigo e um desperdício.

Vídeo mostra a saída do barco


Foram mais de dois anos até chegar ao último dia 15 de setembro, dia em que o veleiro feito com 10 toneladas de plástico reciclado foi lançado ao mar da ilha de Lamu. Toda a construção foi feita de forma colaborativa, usando a força do artesanato e dos construtores de barcos do local.

No início do ano que vem, o Flipflopi viajará para Zanzibar como parte de uma campanha, apoiada pela iniciativa Mares Limpos da ONU Meio Ambiente.

Morison relata no vídeo de apresentação do projeto que o veleiro representa tudo o que há de melhor na criatividade e resiliência queniana. Demonstrando a capacidade do faça você mesmo, da liderança e iniciativa que permeiam muitas comunidades locais.

Barqueiros e artesãos locais colaboraram no projeto FlipFlop. Foto: FlipFlop/Reprodução.

O Flipflopi foi construído a partir de pranchas feitas de plástico reciclado, enquanto o casco e o deque foram cobertos com painéis feitos com cerca de 30.000 chinelos reciclados, o que conferiu o aspecto totalmente colorido.

Processo de produção


O plástico foi coletado das praias de Lamu e das ruas de Nairóbi, Malindi e Mombasa. Tudo foi classificado, enviado para usinas recicladoras para ser remodelado.

Para Morison há um simbolismo em usar os chinelos. Ele explica que o calçado é o mais usado no planeta terra e rompe barreiras linguísticas e de classe social.

A dimensão do problema do lixo nos Oceanos ficou clara para os participantes do projeto ao observar que o plástico recolhido pelos voluntários era proveniente de outros lugares, como Malásia e Tailândia.

Diante disso, Morison espera construir um barco maior, mas calcula precisar de cerca de 500 mil dólares. A equipe arrecadou 11 mil dólares em doações, porém já gastaram mais do que isso. O idealizador espera que o sucesso do projeto lhes permita garantir patrocínio. No site há uma área para doações voluntárias.

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