Brasil certifica sua primeira telha solar; mais um passo na geração doméstica de energia

Eternit Solar foi apresentada recentemente em evento em São Paulo e ainda passa por testes antes de ir para o mercado

Eternit lança telha solar para competir em mercado em franca expansão. Produtos ainda passam por testes e não estão disponíveis no mercado. Foto: Divulgação

por Eloá Cruz*

08/10/2019

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Aos poucos, elas vêm chegando ao mercado de construção civil de residências – principalmente entre os projetos que visam sustentabilidade e energia limpa. As telhas solares têm o mesmo tamanho de uma telha comum, mas com sistema fotovoltaico integrado que capta a luz do sol e gera eletricidade.

Diferente dos painéis solares, que precisam de um sistema de fixação, as telhas fotovoltaicas aliam a função de cobertura da construção com a captação da energia do sol. A quantidade de telhas solares na construção vai depender do consumo energético da casa, assim como do tamanho do telhado.

Apesar de parecerem mais práticas e econômicas, a venda dessas telhas ainda é tímida. Isso porque as principais fabricantes são do exterior e ainda não chegaram ao mercado brasileiro. Porém, em agosto de 2019, a marca brasileira Eternit apresentou sua primeira telha solar com tecnologia totalmente nacional.

HAUS selecionou informações das principais empresas de telhas solares do mercado. Veja a seguir:

A primeira telha solar do Brasil

A Eternit, especialista em produção de coberturas de construções, lançou durante a Feira Intersolar em São Paulo a primeira telha fotovoltaica com tecnologia desenvolvida no Brasil e aprovada pelo Inmetro.

Telhas solares da Eternit estão disponíveis em várias cores. Foto: Divulgação

O primeiro modelo da marca Eternit Solar é feito em concreto, com opções de cores e acabamento, e células fotovoltaicas integradas na peça. A promessa da fabricante é que cada telha do modelo possa produzir 9,16 watts, o que geraria 1,15 kwatts/hora por mês. Para se ter uma ideia, uma geladeira de tamanho médio consome cerca de 25 kwatts/hora mensais.

A estimativa da Eternit é que a tecnologia seja vantajosa para o consumidor já que é de 10% a 20% mais em conta que a instalação de painéis solares que são montados em cima das telhas comuns. O retorno do investimento, prevê a empresa, pode variar de 3 a 5 anos, dependendo do sistema.

Sistema da Eternit instalado. Produto ainda passa por testes em projetos pilotos. Foto: Divulgação

Para uma eficiência energética, uma residência não precisa necessariamente ter todas as telhas com sistema fotovoltaico. Segundo a Eternit, a quantidade de telhas vai depender da quantidade de energia que se deseja produzir. Uma casa pequena, por exemplo, pode ter em torno de 100 a 150 telhas fotovoltaicas de concreto. Já casas de alto padrão, de 300 a 600 peças. O restante da cobertura é feita com telhas comuns e peças de acabamento.

Como ainda está em fase de pré-lançamento, as telhas solares fabricadas no Brasil estão sendo instaladas em projetos-piloto selecionados. Assim que a escala de produção ampliar, a marca pretende comercializar o produto em todo o país.

Tecnologia italiana e americana

Em outras partes do mundo, tecnologias similares são testadas já há algum tempo. A Tegola Solare, marca das italianas Area Industrie Ceramiche e REM, disponibiliza quatro modelos diferentes de telhas solares. Todos os produtos são iguais em forma, mas têm propósitos diferentes: a hibrida que produz energia e água quente, a fotovoltaica somente para produção de energia elétrica, a termo só para produção de água quente e a de cobertura, que segue o mesmo design que as demais, mas não tem sistema de captação de energia solar – própria para acabamentos.

Fotos: Facebook/Reprodução/Tegola Solare

A telha fotovoltaica da fabricante italiana usa painel de alumínio com um milímetro de espessura. Atrás desse alumínio é montada uma camada de vidro fotovoltaico com estrutura de silicone. O investimento mínimo é de 104 mil euros — o equivalente a um pedido mínimo de 75 peças. Juntas, as telhas da Tegola Solare podem produzir em média 6 kwatts/hora por mês.

Desde 2016, a gigante norte-americana Tesla, conhecida por desenvolver carros elétricos, surpreendeu ao apresentar uma telha solar com cobertura de vidro altamente resistente.

Telha solar da Tesla. Foto: Reprodução

As peças da Tesla são bem parecidas com as telhas convencionais – por isso, são discretas e não se destacam entre as telhas comuns. A empresa garante a alta resistência do produto e, por esse motivo, oferece garantia infinita ou até a vida útil da casa.

O custo do telhado solar incluindo materiais, instalação e remoção do telhado antigo, é de US$ 388 o metro quadrado. O valor não inclui bateria recarregável para armazenamento de energia (US$ 10 mil) e prováveis manutenções.

Projeção da instalação das telhas solares da Tesla. Foto: Reprodução

O retorno do investimento, porém, vai depender do valor da cota de energia da região que a casa é construída. Por enquanto, a instalação e venda das telhas solares da Tesla são feitas somente nos Estados Unidos.

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*especial para a Gazeta do Povo

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