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Curitibanos criam muro alternativo para a Cisjordânia e ganham prêmio internacional

O projeto dos estudantes da UTFPR prevê painéis de LED que permitem ver a silhueta de quem está do outro lado do muro e interação entre os dois lados da fronteira

Conflito entre Israel e Palestina foi mote dos estudantes para o projeto vencedor. Foto: Divulgação

por Aléxia Saraiva

12/03/2018

O conflito entre Israel e Palestina já dura mais de um século, e no início dos 2000 levou à construção de um muro na Cisjordânia para separar os povos envolvidos na guerra. Como forma de contribuir para o debate, este foi o tema escolhido pelos estudantes Caroline De Carli e João Pedro Lopes Andrade para participar da CLUE Competition, concurso internacional de iluminação urbana no qual foram premiados em 3º lugar com o projeto Awallness.

Os participantes deveriam responder, com seus projetos, como utilizar a iluminação pública para ir além de sua função tradicional e interagir com os sentidos humanos. O Awallness — nome que faz trocadilho com a palavra awareness, “conscientização”, e wall, “muro” — propõe painéis de LED instalados nos dois lados da barreira existente na Cisjordânia. Neles, seria possível ver a silhueta das pessoas que estão passando do outro lado. Mas a ideia não para por aí: a proposta também torna possível a comunicação entre os dois lados.

O projeto prevê que silhuetas sejam visíveis através do muro. Além disso, permitem a comunicação entre os dois lados. Foto: Divulgação

Ao encostar na parede, o outro painel, além da silhueta, mostra um ponto vermelho. Quando duas pessoas encostam no mesmo local, um sensor permite que ambas se falem. “O projeto é uma crítica para mostrar que as pessoas não estão sozinhas. A gente estudou a área — o que está acontecendo agora, a história deles — e queria criar algo que fosse capaz de estimular o pensamento crítico”, explica De Carli, que é estudante de Arquitetura na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

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O toque de duas pessoas no mesmo ponto ativa um dispositivo que permite a comunicação entre elas. Foto: divulgação

Lopes Andrade, aluno do curso de Engenharia Civil da UTFPR, explica que o objetivo da dupla era permitir que as pessoas criem empatia por quem está do outro lado do muro. “Essa guerra entre Israel e Palestina se estende há muito tempo. As pessoas esquecem que quem está do outro lado tem uma mãe, um irmão, um filho”.

Design urbano com intervenção social

Esta foi a segunda vez que os estudantes de 22 anos participaram de um concurso, mas a primeira que envolveu iluminação pública. O interesse em participar da CLUE Competition veio pela possibilidade de trabalhar com propostas sociais. “A gente já tinha interesse em concursos de arquitetura há algum tempo. Achamos que esse era pertinente porque falava da intervenção em um espaço público”, conta ela.

Estudantes Caroline De Carli e João Pedro Lopes Andrade são namorados há um ano. Este foi o segundo concurso em que participaram juntos. Foto: João Pedro Lopes Andrade e Caroline De Carli

Ambos ficaram surpresos ao saber da premiação, já que tinham decidido participar com o objetivo principal de ganhar experiência. Um ponto positivo do projeto apontado por Lopes Andrade é a viabilidade de execução da ideia. “No começo, a gente não sabia se seria possível entregar esse projeto por não conhecer uma tecnologia viável. Depois de pesquisar a gente viu que existe um material que faria o som passar pelo muro”, explica o estudante.

A competição

A CLUE Competition é um concurso internacional de iluminação para estudantes e recém-formados e realizado pela Philips Lighting University. Neste ano, participaram 361 concorrentes de 58 países. Esta foi a primeira vez que um país da América Latina é contemplado pelo prêmio, que em 2018 chegou à quarta edição com o tema “Light and the senses”. Os prêmios incluem 5 mil dólares para o primeiro colocado, 2 mil para o segundo e mil para o terceiro.

O primeiro lugar do prêmio foi para o estudante Santiago Bautista, da Dinamarca, com o projeto SOL (Suspended Omnidirectional Light, ou “luz suspensa unidirecional). Ele consiste em recriar condições de luz e som de países mediterrâneos em locais onde há pouca incidência de luz do sol, como a Dinamarca, para fins educacionais. Já a medalha de prata foi para um projeto do Líbano, Auraroma, assinado por Kareem Asfahani. É um projeto de revitalização de escadarias de Beirute envolvendo cores e aromas.

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