Paraty e Ilha Grande são eleitas 1º Patrimônio Mundial misto do Brasil

Região fluminense é o 22º Patrimônio da Humanidade da Unesco reconhecido do Brasil. Nova área preservada integra cinco regiões de excepcional valor cultural e natural; conheça

Foto: divulgação

por Aléxia Saraiva

05/07/2019

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Está confirmado: o Centro Histórico de Paraty e as reservas naturais de Mata Atlântica de Ilha Grande, no Rio de Janeiro, são o 22º Patrimônio Mundial brasileiro reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O título tem caráter inédito para o Brasil: a região é o primeiro patrimônio misto do país — ou seja, engloba áreas de importância natural e cultural.

A decisão foi tomada nesta sexta-feira (5), durante a 43ª Sessão do Comitê de Patrimônio Mundial da Unesco, que acontece em Baku, capital do Azerbaijão, até o dia 10 de julho. A área preservada inclui cinco pontos distintos: o centro histórico de Paraty, o Parque Nacional da Serra da Bocaina, o Parque Estadual da Ilha Grande, a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul e a Área de Proteção Ambiental de Cairuçu.


Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o espaço total das reservas é de 204 mil hectares, com 187 ilhas de vegetação primária.

Durante a sessão desta sexta, também foram aprovados como Patrimônio Mundial da Unesco o Parque Nacional Vatnajökull (Islândia), as terras e zona marinha do Mar Austral francês (França) e a Região de Ohrid (Albânia).

Segunda candidatura

Esta foi a segunda vez que Paraty foi indicada ao título. A primeira vez foi em 2009, quando o processo foi declinado na última etapa com a orientação de que a inscrição fosse refeita para ampliar a área de abrangência — processo que levou dez anos para se concretizar.

Região histórica e conjunto arquitetônico de Paraty.

Região histórica e conjunto arquitetônico de Paraty. Foto: Wikimedia Commons

Neste ano, a candidatura foi realizada em uma parceria entre Ministério do Meio Ambiente, Iphan, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Prefeituras Municipais de Paraty e de Angra dos Reis, Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Fórum das Comunidades Tradicionais e Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina.

Quais as vantagens de se tornar Patrimônio Mundial?

O aumento considerável no número de turistas é um dos retornos imediatos que os patrimônios observam a partir da vigência do título. Dados do Iphan apontam que o Conjunto Moderno da Pampulha, em Minas Gerais, recebeu 50 mil visitantes a mais por ano desde que recebeu o reconhecimento em 2016.

Foto: Wikimedia Commons

O título também multiplica a economia da região, facilitando aportes de doadores públicos e privados. Um exemplo é o caso da recuperação da cidade de Goiás (GO) após uma enchente em 2001, 15 dias após receber o título de Patrimônio Mundial.

Conforme conta o livro Comunicação e Cidades Patrimônio Mundial do Brasil, publicado pelo Iphan em 2010, houve uma mobilização de mais de 30 instituições para revitalizar a cidade — estatais, órgãos governamentais, ONGs, organizações religiosas e prefeituras vizinhas. “O resultado foi a surpreendente recuperação da cidade, situação que dificilmente teria acontecido não fosse sua condição de cidade Patrimônio Mundial“, relata o livro.

Segundo o historiador Jean-Pierre Halévy, o Brasil é um dos raros países a apresentar uma gama de patrimônio que vai da pré-história ao período contemporâneo. Atualmente, são 21 sítios inscritos na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco — dez culturais e sete naturais. Confira aqui quais são eles.

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Roteiro: 11 construções brasileiras que são bens culturais da humanidade da Unesco

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